Mulheres mais livres tornam os homens mais espertos

Luc Ferry associa a clareza com a consistência e faz da filosofia um estudo consequente. Considerado um dos mais importantes filósofos franceses da atualidade, Ferry, aos 63 anos bem pensados e bem vividos, acumula uma extensa obra exposta em mais de 20 livros, muitos deles editados em português – como Do Amor – Uma Filosofia para o Século 21 (ed. Difel).Polêmico, o filósofo não teme desagradar a alguns, como quando, sendo ministro da Educação da França, no governo Chirac, proibiu o uso do véu por muçulmanas nas escolas públicas. Também soube incomodar ao escrever um livro relativizando o propagado heroísmo intelectual da orgulhosa geração 68, aquela das barricadas estudantis.

Tornamo-nos os melhores amigos de infância ao chegarmos, por caminhos muito diferentes – ele, pela filosofia; eu, pela psicanálise –, a conclusões em tudo semelhantes da existência de um “novo amor”, nos tempos atuais de pós-modernidade. Um novo amor que, diferente do anterior, responde por um “eu quero” sem maiores justificativas, sejam elas da tradição, sejam da religião, econômicas ou outras. Esse aspecto revolucionário marca um novo paradigma no laço social, abre-se a um novo humanismo, que pode nos orientar nessa época do homem desbussolado.

O que segue são trechos escolhidos de uma conversa que tivemos recentemente, em sua casa parisiense, ao cair da tarde de um dia frio, mas cheio de conversa quente e atual sobre como viver o século 21.

 Jorge Forbes – O que você costuma chamar de “novo humanismo”?

Luc Ferry – Tivemos dois grandes momentos do humanismo: o do século 18-19, herdeiro das luzes, é o humanismo do direito e da razão, que levou ao pensamento republicano, à democracia e à ideia de tornar justa a vida dos seres humanos. O segundo humanismo é justamente o que chamei de “a revolução do amor”. É a invenção do casamento por amor. A passagem do casamento arranjado ao casamento escolhido. Só depois da Segunda Guerra Mundial o casamento por amor vai se tornar a regra.

 Jorge Forbes – Como o casamento por amor muda a humanidade?

Luc Ferry – Os historiadores nos ensinam que foi o capitalismo moderno que inventou o casamento por amor. Evidentemente, sem querer. Simultaneamente ao surgimento do assalariado, deu-se o nascimento do indivíduo. Com a autonomia material que o salário proporciona, as pessoas decidem casar-se, e não mais serem casadas. É a história do século

  1. Antes os motivos do casamento eram a linhagem, a economia e a biologia. A classe operária começa a se casar por amor bem antes da classe burguesa, por razões patrimoniais evidentes. Os operários não tinham nada a perder. E quando inventam o casamento por amor na Europa, quase que imediatamente inventa-se o divórcio. Foi na França do final do século 19, em 1884.

Jorge Forbes – E como essa herança impacta as famílias do século 21?

Luc Ferry – A revolução do amor, por mais íntimo que seja o sentimento no qual se apoia, transforma todos os domínios da atividade humana. E não subverte nossa existência apenas na vida privada, mas na esfera pública. No fundo há três idades da família. Primeiro, a aristocrática: sem amor e sem divórcio. Segundo, a burguesa, de 1850 a 1950. Não havia divórcios na família burguesa. O presidente da República não se divorciava. As pessoas se amavam seis dias e se aporrinhavam 60 anos. Homens enganavam mulheres dia e noite. O bordel era, evidentemente, uma instituição que permitia que a família sobrevivesse. E, finalmente, depois de 1960, vem a terceira idade da família, que é a atual. Hoje, 50% dos casamentos terminam em divórcio em toda a Europa. É o preço da liberdade do amor. A liberdade e o amor são bem mais difíceis que a tradição.

 Jorge Forbes – O divórcio e o amor-paixão…?

Luc Ferry – Se não havia amor nos casamentos, não precisava haver divórcio. Ao fundamentarmos o casamento no amor-paixão, é evidente que se fundamenta a instituição casamento em algo frágil e variável. Para um casal atual, o fato de não mais se amarem torna-se motivo de divórcio. Na Idade Média, o desamor não constituía motivo para tal. Foi somente após a Segunda Guerra Mundial, na Europa, depois de 1945, e olhe lá!…

 Jorge Forbes – E o amor em si? Amor é o relato do amor? Se não houvesse relato, haveria amor?

Luc Ferry – O amor é provavelmente tão velho quanto a humanidade. Não é simplesmente o relato do amor, mesmo que para um psicanalista ele possa se apresentar, por vezes, assim. O que você recebe no seu consultório são pessoas que vão contar suas desventuras, seus fracassos, seus medos em relação ao amor. O amor-paixão é difícil. É o sentimento que nos faz sair de nós mesmos antes que possamos falar dele.

 Jorge Forbes – A passagem da sociedade tradicional, vertical, à sociedade horizontal, contemporânea, deixou o homem de hoje sem referências…

Luc Ferry – Estou escrevendo um pequeno livro bem impactante. Não é o crescimento pelo incentivo ao consumo que caracteriza o capitalismo. O que produz crescimento é a lógica da inovação e a ruptura com a tradição. O iPhone é o símbolo perfeito do capitalismo moderno. Mas isso acontece em todos os setores. É da lógica do capitalismo inovar. Não só nos iPhones, nos computers, mas no casamento gay, nos costumes, na informação que muda todo dia, na arte contemporânea que é pura inovação e ruptura, na moda. A moda não existe nas sociedades tradicionais. O sari, o quimono permaneceram os mesmos durante séculos.

 Jorge Forbes – A inovação seria sempre positiva?

Luc Ferry – Na inovação, há duas lógicas: a do melhor e a do pior. Há a emancipação das mulheres, que é a melhor notícia do século, porque não existe homem livre sem mulher livre.

isso que salvará o Terceiro Mundo. Conta-se com as mulheres. Damos dois dólares a um homem nos confins de uma sociedade tradicional, ele vai comprar uma cerveja; damos os mesmos dois dólares a uma mulher, ela vai comprar grãos de trigo para plantá-los.

Jorge Forbes – E a diferença entre gêneros?

Luc Ferry – Em termos históricos, é evidente que a mulher é o doméstico, a vida privada. Cuidavam dos velhos, dos doentes e das crianças. Assim eram mais afetivas que intelectuais, mais privadas do que públicas. O que acontece nas sociedades modernas é o resultado da emancipação das mulheres. Nesse sentido, repito, como você lembrou, Simone de Beauvoir: as mulheres são de fato homens como os outros. Não vejo diferença entre uma mulher política e um homem político. São iguaizinhos: o mesmo desejo de conquista. Angela Merkel é claramente um homem como os outros. Mas, na escala da história, é uma novidade absoluta. E não apenas vivemos inovações magníficas, mas vivemos muito mais, muito melhor, muito mais livres. Vivemos com mulheres que são elas próprias mais livres. E que tornam os homens bem mais espertos.

 Jorge Forbes – Inovar significa também destruir…

Luc Ferry – Sim. A inovação rompe com a tradição e desconstrói os costumes tradicionais. O casamento gay, debatido no Ocidente, era inimaginável para os meus avós. Assim, temos inovação e desconstrução. A verdade é que estamos vivendo num mundo de inovação genial e destruição terrificante. Há também notícias terríveis: a desestruturação da escola, da educação, a perda da civilidade.

 Jorge Forbes – O novo humanismo responde a essas rupturas?

Luc Ferry – O principal efeito dessa era de inovação e ruptura é a revolução do amor. É uma revolução na ordem do sagrado. O sagrado não é o religioso. É aquilo pelo que poderíamos nos sacrificar. Aquilo pelo que daríamos a vida. É a história das guerras: já se morreu por Deus, já se morreu pela pátria e pela revolução. E hoje ninguém mais está disposto a morrer por nada disso. Em compensação, pelas pessoas que amamos, estamos prontos a arriscar nossas vidas. Vivemos a sacralização do humano. Há uma transcendência do ser amado que nos faz sair de nós mesmos. Pela primeira vez na história da humanidade, essa transcendência não vem do céu, mas está no coração.

 Jorge Forbes – Para Sartre, a existência precede a essência. Que incidência temos desse pensamento no século 21?

Luc Ferry – Para o ser humano, diz Sartre, primeiro existimos e depois nos definimos. Que problema isso coloca com relação ao envelhecimento, por exemplo? É que nas sociedades em que vivemos há essências flutuantes. Há papéis sociais que podemos de algum modo adotar, como se, ao voltarmos para casa, enfiássemos os pés num velho sapato confortável. Assim, temos a possibilidade de nos identificar com papéis como a mulher infantil, o machão bocó, o revolucionário de cabelos longos, o jornalista irônico, o pai de família, o psicanalista que tira os óculos e diz para seu paciente “bom, vejamos”. Todos esses papéis estão prontos e são tentadores. São modelos conhecidos. E o simbólico é a capacidade de se libertar disso. Podemos nos libertar dos papéis sociais.

Jorge Forbes – O que você pensa do perigo de se vestir papéis?

Luc Ferry – A questão é: como envelhecer sem se tornar imbecil? Como envelhecer sem entrar em uma essência prévia? Como permanecer livre? Os escritores, por exemplo. Vejo meus amigos escritores, ao envelhecer, preferirem administrar um fundo de comércio – espécie de essência que foi construída pelos livros que escreveram – em vez de continuar a inventar coisas. Isso é o perigo. E isso é o envelhecimento. No fundo nos conformamos a uma essência que construímos de nós mesmos, que acaba por nos aprisionar.

 Jorge Forbes – Um beijo gay em um final de uma novela parou o Brasil. Como pensar isso?

Luc Ferry – O Brasil talvez seja, de todos os países do mundo, aquele que foi mais transtornado pelo fato de ser, ao mesmo tempo, o mais tradicionalista e o mais inovador. Entre os BRICS, o Brasil é o que mais cultiva a tradição – não só católica, mas de vários povos tradicionais que coexistem no País – e o mais centrado na novidade, na modernidade. É um país que está saindo da tradição de modo extraordinariamente rápido. Na Europa, isso durou séculos. O Brasil e a China são os dois países ao mesmo tempo mais tradicionais e mais inovadores na globalização contemporânea. Um símbolo como o casamento gay, ou o reconhecimento da legitimidade da homossexualidade, é inovador. E se inscreve dentro da lógica da tradição. É “destruição criadora”. Nesses países simultaneamente tradicionais e inovadores, isso é sentido de modo violento e fascinante. Jamais na história da humanidade se viveu tal erosão dos valores tradicionais. E o Brasil está no coração desse processo.

 Jorge Forbes – Para concluir, como repercutiu em você a derrota do Brasil na Copa do Mundo?

Luc Ferry – Gosto de esportes, mas não da loucura atual em torno do futebol. Acho preocupante fazermos desses jogadores os Ulisses e os Aquiles da nossa era. Apesar de todo o marketing milionário, eles estão muito longe disso. Me sinto desesperado ao ver a importância que tomou o futebol, em nossos dias. O mundo estaria melhor se torcêssemos com o mesmo empenho por Stravinsky ou por Einstein, como o fazemos por Zidane ou Ribéry. Os brasileiros bem souberam apontar a incongruência dos gastos abusivos nas reformas e construções de estádios fantasmas. É delirante. Diferenciando o que é o amor pelo futebol, do seu em torno de conchavos interesseiros, o Brasil reagiu muito bem, mostrando a possibilidade de encontrar uma medida mais justa a essa paixão.

Entrevista publicada na revista IstoÉ GENTE – agosto de 2014.

 

“Não podemos trabalhar a obra de Freud como atemporal”

Psicanalista, autora de recente biografia do fundador da psicanálise, fala de história, sexualidade, sociedade e sobre o contexto em que Freud viveu

A psicanalista francesa Élisabeth Roudinesco,

Autora de uma das biografias de referência de Jacques Lacan (1901 – 1981), a psicanalista francesa Élisabeth Roudinesco lançou recentemente na França o que reivindica como “a primeira biografia de Freud escrita por um autor francês que renova a abordagem de sua obra”. Sigmund Freud: En Son Temps e Dans le Nôtre (“Sigmund Freud: em seu tempo e no nosso”, em tradução livre), mergulha em correspondências e em arquivos recentemente abertos pela Biblioteca do Congresso em Washington, nos Estados Unidos, para fazer uma abordagem histórica da obra de Freud – Roudinesco é uma crítica ferrenha da psicanálise que não utiliza a História para se aproximar da obra de seu fundador.

A psicanalista esteve em Porto Alegre neste fim de semana para três palestras do ciclo Diálogos com Élisabeth Roudinesco, promovido pelo Contemporâneo: Instituto de Psicanálise e Transdisciplinaridade (CIPT). Na sexta,  falou sobre A Psicanálise na Situação Contemporânea. No sábado, falaria sobre Como Ler Lacan. Neste domingo, participaria do debate A Família Contemporânea, ao lado de Roberto Graña e Ângela Piva. Roudinesco onversou com a reportagem do caderno PrOA na sede do CIPT na última quinta-feira.

 A senhora veio ao Brasil  para falar, entre outras temas, sobre como ler Freud no século 21. Essa é uma pergunta instigante. Como a senhora a responderia?

Penso que hoje é preciso voltar ao texto de Freud não de forma estrutural, mas histórica. Porque os psicanalistas contemporâneos, há vários anos, apenas repetem os textos de Freud de maneira engessada, esquecendo do contexto no qual ele produziu sua obra. Não podemos trabalhar a obra de Freud como um texto atemporal, temos que retornar à sua origem, à sua gênese, à maneira como ela se situa historicamente. É muito comum que o texto de Freud funcione como a Bíblia, como o Talmude. E também por isso, os psicanalistas não sabem responder aos ataques dos antifreudianos. Os psicanalistas não conhecem a vida e a obra de Freud, eles se restringem à clínica.

A senhora falou no contexto. Mas uma interpretação do contexto de Freud não teria que necessariamente confrontar o nosso contexto?

Eu chamei a minha biografia de Sigmund Freud: En Son Temps et Dans le Nôtre (“Sigmund Freud – em seu tempo e no nosso”). Penso que se não compreendermos Freud no seu tempo, como ele viveu, o que ele viu, como elaborou seus textos, muitas vezes adotamos teses completamente aberrantes, mudando de ideia permanentemente, realizando coisas geniais e coisas muito equivocadas. Se contextualizarmos sua época, entenderemos melhor a nossa e compreenderemos melhor o que é Freud hoje. Por exemplo: Freud estava convicto que o inconsciente estava fora do tempo, na eternidade, como um mito, por isso foi buscar explicações nos mitos da Grécia Antiga. Ele pensava que aquilo que existia no inconsciente chegaria necessariamente à História. Quando é deflagrada a guerra de 1914, a I Guerra, que vai destruir o primeiro movimento psicanalítico, já que era um movimento eminentemente europeu, e a guerra destruirá a Europa, Freud pensa que o Império sairá vencedor, e se engana. Ele também pensa que aquilo que aconteceu na realidade é o que se passa no inconsciente. Que a destruição, isso tudo, estava no inconsciente. Não é falso, mas eu entendo no sentido inverso. Em meu livro, demonstro que o que Freud aplicou em sua teoria era um reflexo de sua época. Eu historicizei. Porque se aplicarmos a teoria psicanalítica a todos os contextos, como queria Freud, não compreenderemos o que está acontecendo. Ela também é produto de uma época.

Ano passado, o Brasil viu o ressurgimento de manifestações populares nas ruas. Muitos viram nelas o descrédito no sistema político. O que a senhora acompanhou desse processo?
O Brasil tem defeitos, mas é um país democrático. No momento, a pior crise que vejo é mesmo na Europa. O Brasil é um país emergente, com muitos problemas e grande desigualdade, mas ao mesmo tempo é um lugar em que se veem avanços. Já na Europa, a sensação é de melancolia. Há um sentimento de retorno do populismo, do nacionalismo, de coisas que não imaginávamos que voltariam. O sentimento hoje é de regressão, o povo europeu tem a impressão de que estão tirando as conquistas sociais. A impressão na França é que se vivia melhor há uns 40 anos, o povo esquece que a Europa pode ser uma potência, que a população hoje vive 20 anos a mais, que não podemos manter o sistema de aposentadoria como antes. O povo tem a impressão de que há imigrantes demais, mas eles sempre estiveram na França. Eu mesma sou filha de imigrantes. Eles têm a impressão de que estão acabando com suas tradições. Vivemos um momento muito mais difícil do que aqui.

Alguns críticos comentam que parte do problema na Europa se deve à disseminação do multiculturalismo, e à sua ideia de que o imigrante não deve ser assimilado, e sim reproduzir sua comunidade – o que abriria espaço para o radicalismo islâmico, por exemplo. Como a senhora vê esse argumento?

Não é verdade, mas é verdade. Não é verdade objetivamente. A assimilação dos imigrantes na Europa se dará com o tempo. Já a impressão de que não está havendo assimilação existe de fato. Há 4 milhões de muçulmanos na França. É muito. É a segunda religião do país. Mas há a imagem de que todos os muçulmanos são islamistas radicais. Não é exato. Na França, quando vemos a evolução do país, os filhos de imigrantes magrebinos se assimilam majoritariamente bem, se tornam republicanos, franceses, e se chamam Mohammed ou Sarah sem nenhum problema. O povo acha que há muitos muçulmanos porque vê as notícias sobre jihadistas, mas nem todos são jihadistas.

Mas e no caso do Estado Islâmico, em que se especula a origem europeia de seus líderes?
Isso não quer dizer que os 4 milhões de muçulmanos franceses são responsáveis. Já houve tempo em que se apontaram os judeus como responsáveis por todos os problemas da Europa. Isso se chama racismo. É preciso ser vigilante, não aceitar o comunitarismo, sobretudo o comunitarismo religioso, mas respeitar as religiões e ser vigilante quanto ao ódio que o povo muçulmano pode despertar. E aí a assimilação será feita.

A senhora também veio falar sobre novas configurações da família. No Brasil, em ano de eleição, essa questão tem sido muito discutida. Ao mesmo tempo, há o crescimento de um discurso agressivo contrário à união civil de homossexuais com base no conceito de família.
As pessoas já foram contra a abolição da pena de morte, contra o aborto, contra o divórcio. Mas na Franca elas perderam. Isso pode levar tempo, mas creio que acontecerá aqui. A questão homossexual vem encontrando oposição muito grande hoje na França. Eu participei de debates no Senado, na Assembleia Nacional, na televisão, e a questão que faço é a seguinte: eu entendo os argumentos religiosos, mas e os laicos? Quais são? Não existem. É o medo da abolição da diferença de sexos – que é uma questão que não está no centro da luta dos homossexuais. Os filhos criados por casais homossexuais não têm mais patologias do que os outros. Vão todos se tornar homossexuais? Não. Faz milhares de anos que os casais heterossexuais é que produzem filhos homossexuais. Portanto, não há argumento, a pessoa é contra e não tem um argumento racional. Outro medo dos que são contrários é que haja mais homossexuais. Não é verdade. É algo bastante misterioso, mas a porcentagem de homossexuais na maioria das civilizações se mantém constante, não importa a sociedade, não importa a época, sempre foi um fenômeno minoritário. Hoje ela é mais visível, mas não quer dizer que esteja aumentando. A heterossexualidade não vai mudar: um homem e uma mulher vão continuar atraídos e formarão família. Mas o que se quer é que a sexualidade minoritária tenha direito de existir. Ela não vai alterar ou prejudicar a “ordem natural” de homens e mulheres.

As pessoas têm medo da mudança?

Sempre haverá medo. As pessoas temem que homens virem mulheres e vice-versa. Na minha geração, se dizia que mulheres que usavam calça comprida eram masculinizadas, seriam todas lésbicas. No final do século 19, se dizia que a mulher que trabalhava não teria mais filhos. O que aconteceu? As mulheres, em vez de ter 10 filhos, passaram a ter dois. E daí? Neste momento, não precisamos mais ter uma família tão numerosa quanto antigamente. Antes morriam muito mais crianças do que hoje. No século 19, a perda de um filho era algo muito frequente, então as famílias tinham muito mais filhos. Hoje não precisa mais ser assim. E nos países em que isso levou a baixo índice de natalidade, foi compensado pela imigração. As pessoas querem que tudo continue como elas acreditam que é. Mas não é possível. Tudo sempre muda. E por isso, voltando à primeira pergunta, é preciso pensar em Freud na história e pensar historicamente em nosso futuro. No futuro, os homossexuais poderão casar, e as crianças criadas por eles vão ter exatamente os mesmos problemas que têm hoje. Não é pior e não é melhor, será a mesma coisa.

PSICANÁLISE E HISTÓRIA

ao longo de quase 600 páginas, Élisabeth Roudinesco desenvolve em seu recente Sigmund Freud: En Son Temps et Dans le Nôtre (“Sigmund Freud – em seu tempo e no nosso”) o que alega ser a “primeira biografia francesa” de Sigmund Freud (1856 – 1939). E escolheu fazer isso com um método que define como quase inexistente na literatura psicanalítica a respeito da obra de Freud: com uma aproximação histórica. O livro entrecruza leituras da obra de Freud com a reconstrução do contexto de sua época, e de como o que Freud viu e viveu se plasmou em seus textos fundadores da psicanálise. O livro tem previsão de publicação no Brasil no ano que vem, pela editora Zahar

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/proa/noticia/2014/10/elisabeth-roudinesco-nao-podemos-trabalhar-a-obra-de-freud-como-atemporal-4613156.html

 

Caso extremo de americana com transtorno mental materno reacende tema incômodo

Cindy Wachenheim era alguém com quem as pessoas não achavam que precisavam se preocupar. Ela era uma advogada equilibrada que trabalhava para a Suprema Corte estadual, uma tia favorita que brincava no chão com suas sobrinhas e sobrinhos, e, finalmente, aos 44 anos, a mãe que sempre sonhou ser.

Mas quando seu bebê tinha poucos meses de idade, ela ficou obcecada com a ideia de que tinha lhe causado um dano cerebral irreversível. Nada podia lhe remover essa certeza, nem mesmo as repetidas garantias dos médicos de que ele era normal.

“Eu o amo tanto, mas é obviamente um tipo terrível de amor”, ela agonizou em uma carta manuscrita de 13 páginas. “É um amor onde não posso suportar saber que ele sofrerá física, mental e emocionalmente por grande parte de sua vida.”

Em 13 de março de 2013, Wachenheim amarrou seu filho de 10 meses em um canguru ao seu peito e saltou para a morte da janela no oitavo andar de seu apartamento no Harlem.

“Eu fiquei muito mal por pensar que, involuntariamente, causei um dano cerebral ao meu bebê lindo e precioso. Eu não quero viver”, ela escreveu pouco antes de pular.

A história de Wachenheim fornece um doloroso caso de estudo da experiência de uma mulher com transtorno mental materno em sua forma mais extrema e rara. Ele também ilumina algumas conclusões surpreendentes de pesquisa que estão redefinindo o entendimento científico dessas desordens: que elas frequentemente se desenvolvem mais tarde que o esperado e incluem sintomas não apenas de depressão, mas de males psiquiátricos.

Agora, essas desordens de humor, há muito escondidas em vergonha e medo, estão saindo das sombras. Muitas mulheres têm medo de reconhecer visões assustadoras ou ausência de emoções, acreditando que deveriam estar repletas de alegria maternal ou temendo perder seus bebês.

Mas agora estão surgindo grupos de defesa para transtorno mental materno e algumas mães estão escrevendo em blogs sobre suas experiências com sinceridade notável. Uma dúzia de Estados aprovou leis que encorajam exames, educação e tratamento. E celebridades como Brooke Shields, Gwyneth Paltrow e Courteney Cox revelaram sua depressão pós-parto.

A irmã de Wachenheim, Deb, está entre aquelas que estão quebrando o silêncio.

“Nós tentamos ajudá-la, mas talvez se tivéssemos mais conhecimento sobre os transtornos de humor pós-parto, incluindo o fato de a depressão pós-parto ser apenas um de uma série de transtornos de humor, nós poderíamos ter feito algo diferente que talvez tivesse salvado sua vida”, ela escreveu em um e-mail.

A experiência de Cindy Wachenheim desafiava a antiga crença entre médicos e especialistas de que os sintomas surgem poucas semanas após o parto. Ela parecia bem até seu filho ter cerca de 4 meses, disseram a família e amigos. E como uma mulher saudável e ativa, Cindy não tinha fatores de risco que sinalizavam para uma mãe que poderia se tornar delirante e suicida.

“Ela amava a vida, amava a família e era social”, disse sua cunhada, Karen Wachenheim.

Na verdade, Cindy, por muito tempo interessada em questões da mulher e em justiça social, identificou anos antes a depressão pós-parto em Karen. “Cindy ligava pelo menos uma vez por dia para checar como eu estava”, lembrou Karen. “Ela dizia, ‘Talvez você esteja com depressão pós-parto’.”

Por insistência de Cindy, Karen procurou terapia e medicação, se recuperando rapidamente.

 Um filho que era ‘meu coração’

Cindy cresceu em Colonie, Nova York, vizinha de Albany, onde foi a oradora de sua turma no colégio. Ela cursou a Universidade Estadual de Nova York, em Buffalo, e a Escola de Direito de Columbia. Ela apreciava o serviço público e conseguiu um emprego fazendo pesquisa e escrevendo para os juízes da Suprema Corte estadual em Manhattan.

Quando a mãe dela adoeceu com leucemia e, posteriormente, seu pai com câncer de pulmão, Cindy viajava para o interior para acompanhá-los nas consultas médicas. Quando seus irmãos ou seus filhos tinham exames médicos, Cindy anotava as datas em sua agenda e avisava na véspera para colegas cobrirem sua falta.

“Eu acho que ela também guardava essas agendas, em uma caixa de sapato”, disse o irmão dela, Ron. “Algumas pessoas colecionam selos; ela colecionava essas coisas.”

Ela se casou aos 40 anos e ela e seu marido passaram por tratamento de fertilidade. Ela abortou duas vezes. Mas a família e amigos disseram que apesar de lamentar as perdas e ter que lidar com os hormônios de fertilidade, ela permaneceu esperançosa, notando que os médicos disseram ser um bom sinal ela ter conseguido engravidar.

“Ela achava que devia continuar tentando e lidar com cada passo a seu tempo”, disse uma velha amiga, Julie Knapp.

Especialistas dizem que há pouca evidência ligando tratamento de fertilidade com transtorno mental pós-parto; de fato, engravidar costuma trazer mais alegria do que estresse. Mesmo assim, Wendy N. Davis, diretora executiva da Postpartum Support International, disse que algumas mulheres experimentam um estresse cumulativo dos “tratamentos de fertilidade, das muitas perdas e das expectativas muito altas de que curtirão o novo bebê”.

Posteriormente, Cindy conseguiu uma gravidez normal, com sua única experiência fora do normal sendo uma tendência de ser hiperciente de quando o feto chutava.

Cindy deu à luz normalmente e adorava seu filho, o chamando frequentemente de “meu coração”.

“Não diferente de muitas mulheres bem-sucedidas, ela era um tanto perfeccionista e também queria ser a mãe perfeita”, disse Deb. Mesmo assim, ela era descontraída nos primeiros meses de vida de seu filho, mesmo quando teve que introduzir o leite em pó precocemente, porque produzia leite materno insuficiente, disse Deb.

Mas quando seu filho tinha 4 meses, Cindy enviou um e-mail para Deb que ele estava fazendo “movimentos espasmódicos estranhos com o braço direito”, quase como “se batesse uma asa”.

 Pequena queda

A pediatra disse que não era nada com que se preocupar, mas Cindy pesquisou diagnósticos na internet. Ela se fixou em um caso ocorrido poucas semanas antes, em agosto, quando, enquanto lavava roupa, ela deixou brevemente o filho em um tapete para bebê no chão. Ele caiu ao tentar se erguer, batendo a cabeça.

Ela passou a acreditar que o episódio insignificante tinha lhe causado problemas neurológicos severos: convulsões, autismo, concussão. Ela passou a se culpar por ter saído da sala, por colocar o tapete em um piso duro. Outros incidentes a alarmaram e ela decidiu que ele estava mais irritadiço, sorrindo menos.

Após consultar dois neurologistas pediátricos, ela consultou um especialista em paralisia cerebral, porque seu bebê nem sempre exibia o reflexo de Landau, uma pose tipo Superman que os bebês fazem quando erguidos no ar, com a barriga para baixo.

Em outubro de 2012, quando seu filho tinha 5 meses, ela enviou um e-mail para um médico que ela visitou naquele dia: “Quando você diz que os bebês não podem ferir seus cérebros mesmo após várias batidas de cabeça de quedas quando estão no chão, isso inclui batidas na parte posterior ou lateral da cabeça?”

O médico respondeu: “Isso mesmo. Batidas de cabeça que o bebê pode sofrer durante movimentos espontâneos não causam lesão. Os bebês são realmente resistentes (felizmente)!

“Cindy enviou ao médico um vídeo de seu filho, notando que “ele quase sempre move a mão direita quando está segurando um brinquedo, tentando pegar algo etc.”

O médico respondeu: “Para mim, todos os movimentos dele parecem normais, movimentos apropriados para a idade”.

Os irmãos dela asseguravam que seus filhos faziam movimentos semelhantes, mas ela não mudava de ideia. Sem dizer para sua irmã, Deb ligou para a pediatra, que disse também estar preocupada com Cindy. Deb disse que o marido de Cindy também se preocupava, apesar de “parte dele dizer: ‘Talvez ela esteja certa. Ela é inteligente e está com o bebê o tempo todo'”.

Mesmo assim, tanto o marido de Cindy quanto os irmãos dela insistiam para que ela procurasse por terapia.

“Eu realmente quero que você procure alguém”, Deb disse a Cindy por e-mail. “Você não pode continuar assim, pelo seu bem e pelo bem dele.”

Cindy concordou, mas insistia que não sofria de nenhum transtorno mental pós-parto. Ela dizia para sua família que estava apenas deprimida por causa do mal que causou ao seu bebê.

“Você não pode imaginar como é acreditar que ele tem uma lesão cerebral e que eu a causei”, ela escreveu por e-mail para Deb. “Deve ser um dos maiores pesadelos para qualquer mãe. Eu te amo. Cindy.”

 Consumida pela preocupação

 Especialistas dizem que essas perdas de contato com a realidade são sintomas prováveis de psicose pós-parto, que afeta apenas uma ou duas entre 1.000 mães. Cerca de 4% delas ferem seus filhos, cerca de 5% se matam.

Casos flagrantes geralmente surgem logo após o parto; as mulheres podem ouvir vozes ou se sentirem compelidas a causar mal, como Andrea Yates, que afogou seus cinco filhos em uma banheira em 2001, ou Dena Schlosser, que em 2004 arrancou os braços de seu bebê. Ambas as mulheres acabaram sendo declaradas não culpadas por motivo de insanidade.

“Formas mais sutis de psicose podem ser percebidas depois”, disse a dr. Katherine Wisner, uma professora de psiquiatria e obstetrícia da Universidade do Noroeste. Essas mulheres “tendem a ter pensamentos delirantes prolongados: ‘Há algo realmente errado com meu bebê'”.

A maioria dos transtornos de humor maternos não envolvem convicções irreais inabaláveis; a maioria das mulheres sabe que algo que está errado, e apesar de temerem fazer mal aos seus filhos, elas raramente fazem.

No Dia de Ação de Graças de 2012, a família de Cindy se reuniu na casa de seu irmão Ron perto de Albany, e Cindy, normalmente extrovertida, parecia consumida pelos supostos problemas de seu filho. Ela disse a Deb que pensava em suicídio, dizendo: “Como você pode viver sabendo que arruinou a vida do seu bebê e que foi sua culpa?”

Deb ficou atônita. Ela e o marido de Cindy discutiram a situação, na esperança de que terapia resolveria.

Mais tarde durante aquela visita, o bebê rolou para fora de uma cama baixa. Foi uma das várias vezes que Cindy entrou em pânico e o levou para o pronto-socorro, onde os médicos disseram que ele estava bem.

No mês seguinte, Cindy começou a frequentar um psiquiatra, que prescreveu Zoloft, um antidepressivo. Ela visitou brevemente outros psicólogos para psicoterapias. Amigos ofereciam apoio e companhia.

Em um fim de semana em janeiro na casa de Ron, ela parecia mais sorridente e mais participante. Quando Deb perguntou, ela reconheceu que continuava pensando em suicídio, mas que seu psiquiatra lhe disse que não era preocupante demais, “desde que não se tornem mais frequentes”, lembrou Deb.

Parentes e amigos agora se perguntam se ela estava fingindo estar se sentindo melhor. “Agora eu acho que ela recuou, para que ninguém pensasse que ela estava louca”, disse Karen.

Os especialistas dizem que os sintomas da psicose pós-parto podem flutuar. Às vezes as mulheres ficam “lúcidas e não delirantes”, disse Davis, da Postpartum Support International. “Então elas retornam mais facilmente aos delírios do que em outros tipos de psicose.”

Os sinais ambíguos de Cindy prosseguiram até março. Ela discutiu voltar a trabalhar e procurar uma creche. Em uma visita a sua sogra em Long Island, ela ligou para Deb enquanto caminhava à beira-mar e parecia bem. Mas no dia seguinte, no domingo, o bebê caiu enquanto empurrava uma cadeira na cozinha de sua avó. Cindy considerou o caso outra “batida de cabeça” desastrosa.

Na terça, Cindy estranhamente cancelou seu horário no psiquiatra, dando a chuva como desculpa. Na quarta, como às vezes fazia, Cindy pediu ao marido que deixasse o trabalho e voltasse para casa. Quando ele chegou, ela disse que a manhã do menino tinha sido difícil, mas que ela estava se sentindo melhor. Após poucas horas, ele voltou ao trabalho. 

Naquela tarde, com o bebê preso ao seu peito, ela saltou.

“Eu lamento muito, apesar de saber que nada pode desfazer o mal que fiz”, dizia sua carta de despedida. “Eu queria tanto ser mãe e esperava ser uma maravilhosa, e em vez disso me tornei a pior das piores.”

À procura de coisas para se culpar, ela descreveu momentos inofensivos: colocar um cobertor leve sob o rosto dele para aquecê-lo, deixá-lo chupar uma folha, colocar brevemente uma moeda na boca dele e imediatamente removê-la. “As coisas que fiz foram horríveis”, ela escreveu.

Ela estava certa que seu filho nunca andaria e acreditava que a queda mais recente tinha lhe causado uma concussão. “Eu sinto muito, mas não posso permitir que ele sofra mais e mais.”

Ela disse que sabia que outros veriam seu suicídio como resultado de “psicose/depressão pós-parto”. Mas, ela disse, “eu sei que estou certa que fiz mal a ele por engano. Eu não estou dizendo que uma voz me disse para fazer isso”. Ela até mesmo repreendeu a si mesma por ruir emocionalmente, dizendo que tornou seu filho um bebê menos feliz.

“Eu não sei se existe um inferno”, ela escreveu, “mas espero que sim”.

Cindy Wachenheim nunca soube que, em seu último ato, seu corpo amorteceu a queda para seu filho e salvou a vida dele. Semanas depois, um menininho sadio deu seus primeiros passos.

The New York Times

 Pam Belluck

 Tradutor: George El Khouri Andolfato

Fonte:http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/the-new-york-times/2014/06/21/caso-extremo-de-americana-com-transtorno-mental-materno-reaviva-tema-incomodo.htm

Pai de verdade

Pai de verdade mesmo sabe que ser pai não é simplesmente recolher o fruto de um momento de prazer, mas sim perceber o quanto pode ainda estar verde e ajudá-lo a amadurecer.

Pai de verdade mesmo não só ergue o filho do chão quando ele cai, mas também o faz perceber que a cada queda é possível levantar.

Ele não é simplesmente quem atende a caprichos: ele sabe perceber quando existe verdadeira necessidade nos pedidos.

Pai de verdade mesmo não é aquele que providencia as melhores escolas, mas o que ensina o quanto é necessário o conhecimento.

Ele não orienta com base nas próprias experiências, mas demonstra que em cada experiência existe uma lição a ser aprendida.

Pai de verdade mesmo não coloca modelos de conduta, mas aponta aqueles cujas condutas não devem ser seguidas.

Ele não sonha com determinada profissão para o filho, mas deseja grande e verdadeiro sucesso com sua real vocação.

Ele não quer que o filho tenha tudo que ele não teve, mas que tenha tudo aquilo que merecer e realmente desejar.

Pai de verdade mesmo não está ali só para colocar a mão no bolso para pagar as despesas: ele coloca a mão na consciência e percebe até que ponto está alimentando um espírito de dependência.

Ele não é um condutor de destinos, mas sim o farol que aponta para um caminho de honestidade e de bem.

Pai de verdade mesmo não diz “faça isto” ou “faça aquilo”, mas sim “tente fazer o melhor de acordo com o que você já sabe”.

Ele não acusa de erros e nem sempre aplaude os acertos, mas pergunta se houve percepção dos caminhos que levaram o filho a esses fins.

Pai de verdade mesmo é o amigo sempre presente, atento e amoroso – com a alma de joelhos – pedindo a Deus que o oriente na hora de dar conselhos.

Feliz Dia dos Pais!

Fonte: http://www.belasmensagens.com.br/dia-dos-pais/pai-de-verdade-498.html