QUANDO OS PARENTES INVADEM NOSSA INTIMIDADE

“Família é pra essas coisas” é um tema perigoso, pois permite que nossa privacidade seja devassada, criando situações embaraçosas e impedindo uma relação mais sadia e madura.

Somos educados para distinguir muito claramente os parentes dos amigos e das pessoas em geral. Desde crianças, aprendemos que a família é composta por criaturas sui generis que terão conosco um nível de relacionamento especial, governado por um código próprio, diferente daquele que empregamos no trato com estranhos. Com esses últimos, temos um relacionamento cordial e mais formal, respeitoso e que pressupõe reciprocidade nas atitudes. Por isso, nos ofendemos rapidamente quando somos invadidos em nossa privacidade.

Detestamos nos sentir explorados e reagimos com veemência frente a intromissões indevidas. A tolerância com desconhecidos é relativa e tendemos a evitar novos contatos com aqueles que não agem adequadamente. Às vezes, chegamos a brigar feio: outras vezes, apenas nos afastamos. Tudo depende do temperamento, da situação e também do tipo de pessoa com a qual nos indispomos. Fomos educados para “não levar desaforo para casa”.

A coisa é completamente diferente quando a gente se relaciona com parentes, especialmente os mais próximos. Pais, avós, irmãos, filhos, primos e tios diretos, todos se sentem à vontade para falar o que pensam a nosso respeito. Fazem isso sem inibições e, pior, sem ser consultados.

A invasão seria absolutamente intolerável se viesse de estranhos ou mesmo de amigos. No entanto, essa devassa à nossa privacidade passa a ser considerada uma “obrigação” do grupo familiar. Ai de nós, se ficarmos ofendidos! Não faltarão recriminações do gênero: “se estou te dizendo essas coisas, é para o seu bem. Sou sua mãe e me sinto com o direito de falar tudo o que eu penso, porque é óbvio que te amo”. Há variantes com igual intenção e significado, mudando apenas o grau de parentesco.

Em primeiro lugar, não é tão óbvio que a emoção predominante entre parentes seja o amor. Penso que, em muitos casos, a rivalidade e a inveja predominam entre irmãos, por exemplo, sentimentos positivos são abafados por uma relação tumultuada e por disputas de todo os tipos.

 

Até no “começo dos tempos” tivemos problemas: os dois primeiros irmãos foram Caim e Abel e um matou o outro. Rivalidade e inveja também imperam nas ligações entre pais e filhos, entre mães e filhas. Na maioria das vezes, o amor existe, mas não é a única emoção. Portanto, é arbitrário dizer que os laços que unem os parentes sejam sempre positivos e construtivos. Não ousaria afirmar isso nem mesmo em relação à minha mãe ou ao meu filho. Aliás, as mais importantes descobertas de Freud, tem a ver com a descaracterização do mito segundo o qual a família é um santuário das melhores e mais belas emoções.

Mas um aspecto comum entre parentes diz respeito à facilidade com que uns exigem coisas dos outros. Se nos falta dinheiro e temos que pedir emprestada uma certa quantia para um “estranho”, a dificuldade que sentimos é enorme. Agora, se for parente, não experimentamos o mínimo escrúpulo. E se tiver mais dinheiro do que a gente, chegamos a pensar que será “obrigação sua” nos tirar da condição precária na qual nos encontramos. Sim, porque “parente é pra essas coisas”.

 

É “óbvio” que pais mais ricos deverão ajudar o filho. Quando a situação se inverte, este manterá pais, avós, além de alguma tia solteirona… Não me parece nada tão claro nem tão óbvio. Acredito mesmo que tais regras – diferente das que orientam as relações em geral – foram criadas por pessoas oportunistas e, portanto, fracas e egoístas. Sua finalidade é comover os parentes mais generosos e transformá-los em provedores de tudo o que lhes falta. É mais fácil e, à primeira vista, mais esperto tirar dos outros o que não se conseguiu por esforço próprio.

 

“Com os parentes não é preciso ter cerimônia.” Também não concordo com essa afirmação. Ofender, brigar e depois fazer as pazes afeta qualquer relação. Deveríamos tratar com cuidados redobrados justamente as criaturas que nos são mais próximas.

 

Por Flávio Gikovate – Psiquiatra

 

 

 

 

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O que nos faz ser de esquerda ou direita? A ciência explica

Além da educação, até mesmo os genes podem condicionar a orientação ideológica

 

O lugar de nascimento, a classe social, a família e o ambiente em que crescemos, os professores e os amigos que temos, as experiências vividas. Tudo isso, ou seja, tudo o que faz parte da educação recebida, é o que muitos cidadãos podem alegar, com razão, ante a pergunta sobre o que nos faz ser de esquerda ou direita. Uma resposta que também serviria para questões mais gerais, como “por que somos bons ou maus”, ou questões mais prosaicas, do tipo “por que torcemos para o Corinthians ou o Flamengo”. Certamente, o cérebro humano é um órgão de plasticidade anatômica e fisiológica, e poucas coisas têm mais força que a educação para mudá-lo e modulá-lo.

 

Se a educação não mudasse os neurônios, sua influência em nossa vida seria nula ou residual. Particularmente na infância e na adolescência, as experiências que temos e as ideias que chegam até nós podem calar com tanta força e profundidade nossos sistemas de representação cerebral a ponto de persistir neles a vida inteira, pois são permanentemente reforçadas pelas condutas e interações sociais a que essas mesmas representações nos incitam, especialmente quando se expressam como sentimentos. Ok, mas todos os cérebros são iguais na hora de serem influenciados ou modelados pela educação? Em que medida a biologia e o cérebro que herdamos determinam a força e as possibilidades da educação que recebemos para nos tornarmos de direita ou esquerda?

 

O cérebro humano é um órgão de plasticidade anatômica e fisiológica, e poucas coisas têm mais força que a educação para mudá-lo e modulá-lo

 

Para tentar responder a essas perguntas, vamos usar os estudos que abordam a mesma problemática referindo-se à dicotomia liberais/conservadores, não coincidente com a de esquerda/direita, pois desta última não conhecemos estudos científicos relacionados com o cérebro1.

 

Em 2007, uma equipe de pesquisadores das universidades de Nova York e Califórnia realizou um trabalho experimental, publicado na prestigiosa revista Nature Neuroscience. O grupo mostrou, através de potenciais elétricos evocados e imagens de ressonância magnética funcional, que em situações de conflito as pessoas politicamente liberais apresentam mais atividade que as politicamente conservadoras na circunvolução cingulada anterior, uma região do lobo temporal do cérebro e responsável, entre outras funções, por responder, feito um alarme biológico, a situações onde o que raciocinamos não coincide com o que sentimos.

 

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Desse modo, os pesquisadores concluíram que, frente às situações novas que requerem modificação dos comportamentos habituais, os liberais têm mais sensibilidade neurocognitiva que os conservadores. Também deduziram que a menor sensibilidade neurocognitiva dos conservadores em tais situações poderia explicar seu comportamento mais sistemático e persistente. A avaliação neurofisiológica desse estudo foi tão consistente que serviu para prever com bastante exatidão se os participantes tinham votado em John Kerry ou George Bush na eleição de 2004 nos Estados Unidos. Detalhe importante: ao falar de sensibilidade neurocognitiva, os autores do trabalho não se referem a um tipo de sensibilidade moral, e sim a um modo fisiológico de funcionamento do cérebro.

 

Posteriormente, em 2011, um estudo de pesquisadores do University College de Londres, também com imagens neurológicas de ressonância magnética, mostrou que os liberais tinham um volume maior de massa cinzenta, ou seja, de neurônios, nessa região cerebral, a circunvolução cingulada anterior, enquanto que os conservadores superavam os liberais no volume dessa mesma substância na amígdala, uma estrutura do cérebro emocional. No entanto, ainda é preciso determinar se essas diferenças cerebrais são ou não as causadoras das orientações políticas das pessoas.

 

Outros trabalhos mostraram que as reações fisiológicas demonstradas pelas pessoas diante das imagens ameaçadoras ou de sons repentinos de alta intensidade podem se relacionar também com suas posições ideológicas. Concretamente, as pessoas que reagem com mais sensibilidade diante desse tipo de estímulos, tendo sua sensibilidade medida pelas mudanças na condutividade elétrica de sua pele ou pela intensidade de seu piscar de olhos, costumam ser também pessoas mais favoráveis à legalização da posse de armas ou da pena de morte do que aquelas outras pessoas que apresentam menos sensibilidade desse tipo.

Neuroimagem do cérebro humano mostrando em amarelo a circunvolução cingulada anterior, uma região relacionada com a orientação ideológica das pessoas.

Neuroimagem do cérebro humano mostrando em amarelo a circunvolução cingulada anterior, uma região relacionada com a orientação ideológica das pessoas./ Geoff B Hall

 

A influência dos hormônios sobre a ideologia e as atitudes políticas também mereceram estudos. Neles, não poderia faltar a popularíssima ocitocina, hormônio segregado no hipotálamo cerebral e considerada a promotora da empatia e dos laços afetivos entre as pessoas. Curiosamente, ou consequentemente, segundo o ponto de vista, um estudo mostrou que as inalações desse hormônio fizeram com que um grupo de cidadãos holandeses respondesse mais favoravelmente a seus compatriotas holandeses do que a cidadãos estrangeiros. Outro trabalho mostrou também que a inalação de ocitocina é capaz de promover a tendência ao aumento da confiança e da cooperação com os de seu grupo sem que ao mesmo tempo aumente a desconfiança ou o ódio em relação às pessoas de outros grupos.

 

Há também uma observação curiosa que indica que as pessoas com altos níveis de cortisol (o hormônio do estresse) tendem menos a ir votar do que as que têm níveis mais baixos desse hormônio no sangue. Segundo esses dados, o estresse poderia ser um fator que diminui a participação dos cidadãos nas eleições. Nem é preciso dizer que determinados acontecimentos sociais, especialmente os traumáticos, podem produzir mobilizações importantes, ainda que nem sempre permanentes, na orientação ideológica das pessoas. Assim ocorreu com quem vivenciou de perto o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 em Nova York, ou também, como comprovamos no primeiro turno de suas recentes eleições,

em muitos franceses, depois dos recentes atentados de Paris, pois os dois grupos se movimentaram no sentido de posições conservadoras.

 

Há anos a ciência estuda se os genes podem influenciar as atitudes das pessoas em questões como o aborto, a imigração ou a pena de morte

 

Todos os estudos mencionados exigem réplicas e confirmação, pois são ainda escassos e parciais, mas se aceitamos que fatores como a atividade cerebral, os hormônios, os neurotransmissores e outras substâncias biológicas podem condicionar nossa orientação ideológica, temos de nos perguntar quem determina então as diferenças individuais quanto a esses fatores, e isso nos leva diretamente aos genes, ou seja, à herança biológica recebida de nossos pais, como possível condicionante ideológico. O interesse por este fator remonta a 1986, quando a equipe do geneticista australiano Nicholas Martin publicou um trabalho sugerindo que os genes poderiam influenciar as atitudes das pessoas em questões como o aborto, a imigração, a pena de morte ou o pacifismo. Esse estudo explicitou que os gêmeos idênticos, os que compartilham 100% de seus genes, tinham opiniões políticas similares com mais frequência do que os gêmeos fraternos, que só compartilham 50% deles. Como os gêmeos costumam crescer no mesmo ambiente familiar, os genes poderiam ser então o que determina a diferença entre os dois tipos de gêmeos.

 

Ainda que esses resultados tenham recebido confirmação em diferentes trabalhos realizados mais recentemente nos Estados Unidos por pesquisadores de campo como John Hibbing, John Alford e Peter Hatemi, inclusive com verificações em irmãos gêmeos de diferentes países, os resultados foram muito criticados, especialmente pelas dificuldades de poder controlar nos estudos os fatores que, além dos genes, podem determinar as posições ideológicas das pessoas. Foi dito, por exemplo, que os pais costumam tratar de modo mais parecido os gêmeos idênticos do que os não idênticos, ou que os primeiros costumam ter mais amigos comuns e por isso acabam tendo a mesma ideologia. Essas possibilidades, entre outras, reforçam a conclusão de que os genes são determinantes ideológicos. No entanto, nem é preciso mencionar que uma oportunidade interessante neste campo é a que pode ser oferecida pela moderna ciência epigenética, cujo compromisso com o efeito será determinar como os fatores ambientais incluídos na educação podem fazer com que se expressem ou não os genes capazes de afetar a orientação ideológica das pessoas.

 

Definitivamente, ainda aceitando a prioridade da educação, os dados disponíveis nos levam a crer que há fatores biológicos que predispõem em alguma medida as orientações ideológicas das pessoas. Dentre esses possíveis fatores, quem escreve se refere à reatividade emocional, ou seja, à força e ao tédio de natureza congênita com o qual as pessoas respondem à contrariedade ou à frustração desde muito pequenos. Essa reatividade é como um canhão cujo calibre herdamos, mas é a educação que recebemos que determina, segundo a mesma metáfora, para onde apontar e quando disparar esse canhão que trazemos conosco ao nascer.

 

Ignacio Morgado Bernal

 

Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/16/ciencia/1450280276_883678.html

 

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Politização’ da infância? Acirramento chega ao playground e causa preocupação

No meio da aula, uma criança desenha a presidente Dilma sendo enforcada, provocando polêmica entre os colegas, deixando a professora confusa e a mãe, em desespero.

 

A cena, ocorrida em uma escola de São Paulo, dá a medida de como o clima de acirramento político que vive o país está afetando as crianças e deixando pais e escolas sem saber como agir.

 

O clima de tensão está inclusive deixando as salas de TV, de aula e as ruas e virando assunto de terapia infantil ou entre terapeutas da área.

 

“Tenho consultório há mais de 20 anos, atendendo crianças de todas as idades. E posso afirmar que nunca vi nada parecido. Nunca um mesmo tema permeou as questões de todas as crianças, seja diretamente ou nas brincadeiras”, diz psicanalista Ilana Katz, doutora em Psicologia e Educação pela FE/USP e pesquisadora do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (LATESFIP/USP).

 

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Em entrevista à BBC Brasil, a especialista fala do clima de ódio e como ele afeta as crianças, sobre as consequências de levá-las a protestos e o que significa vê-las gritar “não vai ter golpe” ou bater panelas na varanda. Ela explica como lidar e conversar com meninos e meninas sobre tolerância em tempos de ódio.

 

BBC Brasil – Como o clima de acirramento político está afetando as crianças?

 

Ilana Katz – As crianças são muito porosas e elas certamente estão sendo afetadas por esse clima de ódio. É algo muito impressionante e perigoso. Minha percepção é a de que estamos ensinando nossas crianças a odiar e a ver o diferente como inimigo. Essa é a cara do nosso tempo.

 

BBC Brasil – É razoável levar criança em protestos?

 

Katz – É claro que os pais podem convidar os filhos a irem em protestos, desde que a ideia seja transmitir um valor e não puxar isso pelo lado afetivo. Ou seja, é legal querer introduzir um pensamento, mostrar para a criança o que está em jogo, falar da história do país, contar dos avós… Mas não se pode deixar que a criança fique com a ideia de que “se eu for no protesto, meu pai vai me amar mais.” As crianças são muito suscetíveis a isso, precisam dessa aprovação.

 

BBC Brasil – Por quê?

 

Katz – Elas se submetem a essa condição infantil de ser amada pelo outro. Para serem admiradas, elas repetem o que o pai, a mãe ou o amigo fazem, inclusive odeiam.

Image copyright AP

Image caption ‘O convite dos pais tem de ser sempre para o pensar. Vai bater panela, filho? Por quê?’

 

BBC Brasil – Seria melhor blindar as crianças desse debate, ainda que parcialmente?

 

Katz – Fala-se muito em politização da infância. Mas essa é uma expressão ruim, porque ser político é estar na pólis, é participar. E a criança é um acontecimento na cidade, assim como todos nós. E, hoje, não é mais possível blindar as crianças do que acontece em volta delas.

 

BBC Brasil – Antigamente era mais fácil fazer isso?

 

Katz – É claro que antes se tinha mais controle. Se a mãe dizia ‘não pode ver novela’, a discussão acabava aí. Hoje, quando a mãe sai para trabalhar, a criança vê a novela o – ou qualquer outro programa em questão – no YouTube e pronto. Assim, a proibição tem um outro lugar. Um lugar de onde é mais fácil de se fugir.

 

BBC Brasil – E qual a sua reação ao ver uma criança xingando figuras políticas, algo que temos visto ultimamente?

 

Katz – Para mim, isso é o horror. E onde já se viu uma criança brigar com outra por questões políticas? Vemos que elas usam termos que não usaria normalmente, ou seja, mal sabe o que está dizendo.

 

BBC Brasil – Então elas estão apenas repetindo os pais ou os amigos?

 

Katz – As crianças vão conosco nas nossas escolhas. Elas não falam por si em termos de conteúdo – não dá para esperar que elas saibam o que estão dizendo em um momento tão complicado. Mas elas falam por si quando vemos a posição delas. E a posição de muitas é a do ódio. E é como estávamos falando, odeiam porque o pai odeia, xingam porque a mãe xinga.

 

BBC Brasil – Mas muitos pais acham importante mostrar suas convicções nesse momento. Qual a melhor maneira de se fazer isso?

 

Katz – Em qualquer tipo de cenário, é preciso lembrar que há uma diferença fundamental entre a experiência reflexiva e a postura de se transmitir o ódio. Uma coisa é falar das minhas lutas para os meus filhos, é eles me verem triste ou irritada quando há uma notícia negativa nesse sentido. Outra coisa completamente diferente é transmitir a intolerância ao que é diferente. É me ver xingando alguém que pensa diferente dessa minha convicção.

Image copyright Thinkstock

 

BBC Brasil – Vemos muitas crianças estressadas por esse clima de acirramento. Dizer para um filho que essa discussão não é para a idade dele ou que ele não precisa se posicionar é válido para aliviar essa tensão?

 

Katz – Seria razoável inclusive para um adulto dizer que ele não precisa se posicionar, embora nesse momento seja complicado, mesmo que você tente. Mas as crianças precisam ter isso claro, sim. Elas devem saber que podem ter essa dúvida. Porque é justamente essa condição de dúvida que dá lugar para a opinião do outro.

 

Precisamos dizer para as crianças que ela não precisa concordar com a mãe e o pai ou que ela pode achar legal só uma parte do que o professor ou o amigo falou.

 

Evidente que os pais podem dar limites e não explicar determinado assunto, mas cada vez isso vai ter menos efeito. Isso precisa vir junto com uma experiência que seja ao mesmo tempo de afeto e de reflexão.

 

BBC Brasil – Está faltando isso? Exemplo?

Katz – As crianças são mais suscetíveis ao que a gente transmite do que ao que a gente explica. Dizer que tem de respeitar e depois mandar alguém calar a boca não funciona.

 

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Se seu filho quer um jogo de videogame que você não quer dar, não tem nenhum problema em dizer não, claro. Mas você pode dizer que não vai comprar porque é, sei lá, um jogo em que as pessoas se matam e você não quer isso dentro de casa.

 

Dizer isso, sem fazer o seu filho se sentir um idiota por querer algo com o qual você não concorda. É a maneira como você explica, é a experiência da tolerância entre pais e filhos. Tudo começa aí.

 

BBC Brasil – Há crianças, especialmente as pequenas, que querem bater panela porque é divertido ou gritar “não vai ter golpe” para agradar ao amigo. Como os pais devem lidar com esse tipo de situação?

 

Katz – O convite dos pais tem de ser sempre para o pensar. Vai bater panela, filho? Por quê? Por que vai bater no pixuleco? Você sabe o que isso significa? E vale sempre mostrar a posição do outro.

 

BBC Brasil – Estamos falhando em mostrar para as crianças a posição do outro?

 

Katz – O que me surpreende é a questão do maniqueísmo. A condição do maniqueísmo moral é própria da infância. É o bem e o mal, a princesa e a bruxa, o mocinho e o bandido. Essa é a forma de pensar infantil. Mas o que estamos vendo são adultos virando maniqueístas. É responsabilidade do adulto mostrar que a vida não é assim, que uma pessoa acertou aqui e errou ali. É preciso pode transmitir para as crianças que vamos ter que viver com isso e não apesar disso.

 

É preciso abrir esse encontro para um espaço para ser um local de pensamento e não uma crença ou uma fé. E para isso, é preciso que haja lugar para a diversidade.

 

BBC Brasil – E qual o papel da escola em um momento desses?

 

Katz – A escola tem a obrigação ética de ensinar o diálogo entre diferentes. Ensinar a suportar a experiência da alteridade, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro.

 

As famílias também deveriam ter esse papel, claro. Você deveria estar aberto a ouvir que seu filho pensa ou vota diferente, mas sabemos que nem sempre é assim.

 

Já a escola que não tem escapatória. É sua função desconstruir esse maniqueísmo e ensinar os alunos a aceitar a sustentação do espaço dos outros.

 

Mariana Della Barba Da BBC Brasil em São Paulo

 

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160412_criancas_politica_odio_mdb

 

 

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Pré-adolescência é fase mais difícil para a mãe; especialistas dão 6 dicas

Qual o período mais difícil para as mães? Esqueça os cuidados que os filhos precisam na infância e a rebeldia da adolescência. Segundo um estudo da Universidade Arizona States, nos Estados Unidos, o período que mais exige das mães é a pré-adolescência dos filhos (dos 11 aos 14 anos). As informações são do site da CNN.

Os pesquisadores do estudo, publicado na edição de janeiro da revista “Developmental Psychology”, entrevistaram 2.200 mães –com ensino médio e superior completo– com filhos em diferentes faixas etárias, da infância à vida adulta. Eles, então, compararam as respostas das mães e ranquearam o sentimento que elas tinham sobre suas vidas.

As mães com filhos pré-adolescentes relataram maiores níveis de estresse, solidão e sensação de vazio, além de menores níveis de satisfação. Já as mães com crianças ou filhos adultos se mostraram as mais satisfeitas com a vida.

Para os pesquisadores, o resultado não é uma surpresa, visto que os pré-adolescentes passam por mudanças hormonais, corporais e cerebrais, além da dualidade entre querer ser independente e ser dependente dos pais.

Para passar por essa fase, a CNN colheu seis dicas com as especialistas Cynthia Tobias e Sue Acuña, autoras do livro “Middle School: The Inside Story: What Kids Tell Us, But Don’t Tell You” (“Ensino Fundamental: Por Dentro da História: O Que Seus Filhos Contam para Nós, Mas Não Contam para Você”, em livre tradução do inglês), e Michelle Icard, que escreveu “Middle School Makeover: Improving the Way You and Your Child Experience the Middle School Years.” (“Transformações do Ensino Fundamental: Melhore a Maneira que Você e Seu Filho Passam pelos Anos do Ensino Fundamental”, em livre tradução do inglês). Veja abaixo.

 

1 Entenda o momento que seu filho está passando

Um dos maiores conflitos entre as famílias é que os pais não compreendem que os filhos se enxergam como jovens e não mais como crianças. Portanto, quando os adultos os tratam como se fossem mais novos, eles reagem com revolta. Segundo as especialistas, os pais devem compreender que o filho está criando uma identidade própria na pré-adolescência para ter relações saudáveis no futuro. Com isso em mente, fica mais fácil suportar essa fase difícil.

2 Escolha um hobby

Ao mesmo tempo que o filho está amadurecendo, os pais também estão envelhecendo e notando que não são mais o centro da vida dele, portanto, as especialistas recomendam que eles encontrem novos hobbies, uma fonte de alegria nos momentos difíceis.

 3 Saiba a hora de se aproximar

Ainda que muitos pais sintam que os filhos pré-adolescentes não querem proximidade, as especialistas afirmam que eles querem, sim, que os adultos estejam envolvidos na vida deles. No entanto, eles se incomodam com algumas perguntas, como “para quem você está mandando mensagem?”, portanto, é importante saber a hora de se aproximar.

 4 Mantenha um semblante neutro ao ouvir o pré-adolescente

Além de aprender a ouvir mais, as especialistas recomendam que os pais façam “cara de botox” na hora que estiverem ouvindo os jovens. Como vários estudos mostram que as crianças não sabem identificar as expressões faciais, muitos pensam que os pais estão bravos com eles. Portanto, adote um visual neutro, enquanto estiver falando com o filho.

 5 Não interrompa ou finalize as histórias

A partir do momento que o jovem começar a contar uma história, não interrompa ou finalize suas frases. Ninguém gosta desse tipo de atitude. Para as especialistas, as crianças mais bem-sucedidas conseguem conversar com os pais sobre tudo e sabem que eles irão apoiá-la, mesmo que ela tenha feito algo errado.

 6 Não desista

Descobrir como lidar com os filhos nessa fase é difícil, mas não desista de se aproximar. Ainda que os pais tenham tendência de deixar para lá, é preciso ter em mente que esse período é importante para a criança, pois ela está se desenvolvendo, e os aprendizados nessa etapa irão moldar sua vida adulta.

 

Fonte:  UOL, em São Paulo 27/01/2016 – http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/listas/pre-adolescencia-e-fase-mais-dificil-para-a-mae-especialistas-dao-6-dicas.htm

 

 

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