Desejos (que tentamos guardar) longe da consciência

“O inconsciente é por definição incognocível. O psicanalista está, portanto, na posição infeliz de um estudioso daquilo que não se pode conhecer”, escreveu Thomas Ogden, em The primitive edge of experience, de 1989. Na verdade, podemos pensar o inconsciente sob duas ópticas. Como adjetivo, é possível associá-lo ao que escapa à consciência, sem estabelecer discriminação entre conteúdos dos sistemas pré-consciente e inconsciente. Para melhor compreender, vale observar aqui que a concepção de consciência parece semelhante à de atenção: estamos conscientes daquilo para o que nos voltamos e inconscientes daquilo com que não nos ocupamos. Poderíamos, segundo essa lógica, estar conscientes de situações e fenômenos para os quais voltássemos nossa atenção – entraríamos então no que Freud chamou de pré-consciente. Aquilo para que evitamos dar atenção por acharmos que podem deflagrar perturbação e dor está no inconsciente reprimido. É possível, nesse caso, falar do inconsciente como substantivo, no sentido tópico. Trata-se, assim, de uma instância psíquica, faz parte da primeira teoria do aparelho psíquico desenvolvida por Freud, constituído de material recalcado, não diretamente acessível à consciência.

Características da mente oculta

▪ Impulsos ou ideias incompatíveis podem existir simultaneamente sem parecer contraditórios. É aceitável que amor e ódio se expressem ao mesmo tempo, sem que haja discordância.

▪ Os significados podem ser facilmente descolocados de uma imagem para outra.

▪ Muitos significados podem ser reunidos em uma única imagem; é o que chamamos de condensação.

▪ Processos inconscientes são atemporais e as ideias não têm ordem cronológica. Conteúdos referentes a anos atrás podem surgir misturados aos mais recentes.

▪ O inconsciente independe do mundo externo, representa a realidade psíquica, interna. Por isso, sonhos e alucinações são percebidos como reais.

A consciência pode ser comparada com o que está visível na tela do computador. Temos acesso imediato a outras informações “pulando” para outra parte do documento ou mudando de janela. Esse gesto seria análogo às partes consciente e pré-consciente da mente. Mas pode ser mais difícil acessar outros conteúdos, pois podem estar criptografados ou atachados, podem exigir senha ou ainda ter sido corrompidos, de modo que a informação esteja embaralhada e, portanto, incompreensível.

A ideia de que guardamos motivações sobre as quais não temos controle (e, por vezes, nem mesmo, ciência) traz à tona a hipótese que oferece consistência a comportamentos e vivências que, de outra forma, pareceriam completamente incoerentes. Freud se deu conta de que lapsos verbais e de  escrita, falhas da memória, ações confusas e outros equívocos podem ser, em um nível mais profundo, não casuais – mas inconscientemente intencionais. Para ele, os sonhos constituem um caminho privilegiado para o inconsciente, embora não seja possível desvendá-los completamente.

Da mesma forma que os sonhos, outras formas de comunicação podem apresentar representações de desejos e observações inconscientes que empregam os mesmos mecanismos oníricos. Os significados inconscientes são codificados, revestidos de metáforas e imagens. Um exemplo muito comum disso se dá em situações em que sentimos raiva, mas reprimimos essa emoção por sabermos que desencadeará sentimentos dolorosos e em especial quando é dirigida a alguém com quem temos relação mais próxima. Assim, os sentimentos reprimidos são disfarçados e deslocados – e aparecem, por exemplo, quando criticamos outra pessoa.

É possível pensar na seguinte situação: a orientadora de pesquisa de uma jovem avisa que vai ausentar-se do país durante um período crítico do trabalho. A estudante pode até compreender, de forma sincera, as razões da orientadora. Mas, prosseguindo a conversa, ela fala de um caso que ouvira: uma mãe havia deixado o filho pequeno sozinho em casa para fazer compras, a criança acordou e terminou se ferindo ao cair da escada. A mensagem inconsciente é clara: a orientadora é tida como a mãe negligente, a aluna é o filho desprotegido. A queda faz alusão ao risco que ela julga correr. Conscientemente, a garota fala como adulta, mas inconscientemente se ressente com a orientadora que não cumpre a função de mãe.

Cabe considerar que a consciência tem gradações. Vivências infantis que evocaram grande vergonha ou culpa podem ficar tão abafadas que se torna muito difícil resgatálas, sendo possível ter apenas indícios desse material. Já uma introspecção momentânea, aliada a alguma capacidade psicológica de tolerar o desconforto de lidar com algum conteúdo que estava inconsciente e pode levar o desejo que parecia escondido ao pleno conhecimento. Do mesmo modo, no decorrer de uma terapia psicanalítica na qual o paciente é encorajado a falar e pensar com maior liberdade para estabelecer associações, seus anseios e temores tendem a se aproximar, gradualmente, da consciência.

                                                                                                                                 Por Gláucia Leal

Fonte:http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/desejos__que_tentamos_guardar__longe_da_consciencia.html

Automutilação – Marcas do sofrimento na pele

o que levaria uma pessoa a se ferir ?
A questão da auto-mutilação é muito mais comum do que parece e acontece por inúmeros motivos. Li uma matéria na MarieClaire que fala bem do assunto:

Os cortes que aliviam a dor da alma

Machucar a pele para aquietar a mente. Assim os praticantes da automutilação definem o transtorno que os persegue. Eles se batem, se queimam, até quebram os ossos em momentos de raiva ou tristeza profunda. Aqui você vai ler o relato e os trechos do diário de uma jovem de 25 anos que dilacerava a pele quando o sofrimento interno era insuportável. Ela diz que não se mutila há um ano e três meses, mas ainda luta para superar a depressão

A artista plástica Beatriz*, 25 anos, poderia ser uma jovem comum, dessas que gostam de ir ao cinema, namorar e sonham em construir uma carreira. Mas por baixo das roupas, ela esconde um segredo: cicatrizes de várias formas e tamanhos. Profundas, rasas, algumas pequenas, outras nem tanto. As marcas na pele de Beatriz não existem por causa de um acidente, mas porque ela mesma as provocou. Até pouco tempo atrás, cortava-se com estiletes e facas de cozinha para aliviar a dor de viver. Em outras palavras, provocar dor física, rasgando a pele, deixava a alma momentaneamente calma. Dava prazer. Mas também vergonha -que, assim como as cicatrizes, ficou até hoje. Por isso ela não revela sua identidade. ‘Sempre escondi de todos que eu me cortava. A vergonha era tanta que nunca fui ao pronto-socorro dar pontos nos cortes, por mais que soubesse que eles eram necessários’, diz.

Beatriz começou a se automutilar na adolescência, aos 12 anos, quando ela se frustrou profundamente com uma nota baixa (D) em uma prova de inglês. Inconformada e com raiva de si mesma, começou a bater a cabeça na parede. Era hora do recreio e a sala estava vazia. Só parou quando a cabeça latejou. O galo roxo no meio da testa trouxe calma, alívio e tranquilidade. ‘Fiquei decepcionada comigo mesma. Sempre fui muito perfeccionista, tinha quer ser a melhor em tudo. Na prova seguinte tirei A.’ Beatriz descobriu, então, um remédio acessível e eficiente para estancar a dor: machucar o corpo. Daquele dia em diante, começou a se dar tapas, mordidas e socos nos braços e nas pernas todas as vezes em que ficava triste ou com raiva. Dez anos mais tarde, no auge de uma crise de depressão, começou a se cortar com arames, facas, lâminas e qualquer objeto afiado que estivesse ao seu alcance. Mutilou braços, pernas, tornozelos e mãos.

Há três anos, Beatriz faz sessões de terapia com uma psicóloga e toma remédios para superar a automutilação, um transtorno emocional antigo, mas pouco estudado pela ciência. Tornou-se mais conhecido nas últimas semanas, depois do episódio da advogada brasileira Paula Oliveira. Ela foi acusada pela polícia suíça de se automutilar para conseguir indenização do governo, alegando que os cortes foram feitos por neonazistas.

Os automutilados se batem, se cortam, se queimam e até quebram os ossos quando não conseguem lidar com a angústia, a tristeza, a raiva e outros sentimentos difíceis de suportar. Eles não querem pôr fim à própria vida com os cortes. No início, desejam apenas se punir, mesmo que inconscientemente. O primeiro machucado quase sempre acontece por impulso. Muitos dão socos nas paredes, furam as mãos com a ponta do compasso, da lapiseira, com a lâmina do estilete ou um caco de vidro durante um acesso de raiva. Depois de machucados, dizem que se sentem aliviados. A dor física ameniza a emocional. Lesionar-se intencionalmente acaba se tornando a saída para os momentos dolorosos, um vício, como drogas ou álcool.

No Brasil não existem números oficiais da quantidade de pessoas que se machucam para aliviar dores psíquicas. Só no Orkut existem mais de 20 comunidades relacionadas ao assunto. As maiores têm cerca de 600 participantes. Lá, pode-se ler relatos macabros. Em um deles, um participante que se diz gayafirma ter cortado o pênis por não lidar bem com a homossexualidade. ‘Cortei o que me incomoda’, escreve. No site YouTube, também há vídeos sobre o transtorno, muitos deles feitos por adolescentes que exaltam a automutilação.

Nos Estados Unidos, os estudos são mais avançados. Uma pesquisa publicada em 2006 mostrou que 17% dos jovens entre 18 e 24 anos em uma universidade americana já haviam se cortado intencionalmente uma vez na vida. E 75% deles levaram a prática adiante, sem a intenção de se suicidar. Wendy Lader, presidente da clínica americana S.A.F.E. Alternatives, especializada no tratamento do transtorno, diz que apesar da falta de estatísticas, percebe um crescimento no número de pacientes. ‘Em 22 anos de trabalho já tratamos três mil pessoas. Nos últimos anos passamos a ser procurados por indivíduos comuns, médicos e educadores do mundo todo interessados em mais informações. A maioria conhece o problema porque alguém próximo se machuca e logo depois nos procura.’

No Brasil, a maioria dos automutilados ainda está desamparada. O único centro de terapia por aqui é o Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso, ligado ao Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo, que trata vários transtornos psiquiátricos, entre eles a automutilação, onde Beatriz faz terapia. ‘Antes de conhecer o HC, fui a três psiquiatras que ficaram assustados com o meu problema e não sabiam o que fazer’, diz. ‘Saí desolada de uma consulta porque o melhor profissional que visitamos mostrou despreparo e me perguntou qual remédio deveria receitar’, diz Joana*, mãe de Beatriz.

A origem do transtorno ainda é confusa para os especialistas. Uma parte dos estudiosos defende a ideia de que a autolesão é, sim, uma doença em si. Acreditam na hipótese de que os cortes liberariam mais endorfina em algumas pessoas do que em outras. Quando a substância age no cérebro, provoca sensação de bem-estar que diminui a ansiedade e a tristeza. É dessa maneira que a mutilação acaba se tornando um vício. A outra parte dos especialistas acredita que a automutilação é um sintoma de doenças emocionais, como a depressão. ‘Geralmente, está associada a outros transtornos como a dependência química’, diz a psiquiatra Jackeline Giusti, responsável pelo ambulatório do HC. ‘A maioria das pessoas que se mutila tem dificuldade de lidar com a vida sentimental. Algumas foram abusadas sexual ou fisicamente na infância. E metade delas sofre de algum distúrbio alimentar’, diz Wendy, da S.A.F.E.

O COMEÇO DO DESCONTROLE

À primeira vista, Beatriz parece uma jovem alegre. É morena, alta e tem um sorriso largo. A dificuldade em olhar nos olhos dos estranhos sugere timidez. As respostas monossilábicas comprovam. Com o passar do tempo, ela se solta, se mostra simpática e muito bem articulada. Risonha até. Mas quando discorre sobre os momentos mais difíceis da sua vida, abaixa a cabeça e o tom de voz. Silencia. Fala pouco, não faz perguntas nem sorri. Mantém o olhar fundo e distante. E até se contradiz para responder rapidamente a perguntas nitidamente incômodas. Age como quem quer se livrar da memória.

Filha única de pais separados, ela teve uma infância comum. Era boa aluna na escola e fazia aulas de inglês, teclado e natação. Morava com a mãe numa cidade do interior do estado de São Paulo e passava os fins de semana na casa do pai. A convivência familiar era harmoniosa. Ela adorava dar festas de aniversário. Mas aos 11 anos perdeu o contato com o pai por causa de brigas entre ele e sua mãe. A convivência com Leandro*, o padrasto, que viera morar em sua casa, também era difícil. Ela diz que não aceitava as ordens dadas por ele e também tinha ciúmes do padrasto com sua mãe. ‘Me senti duplamente abandonada: pelo meu pai, que deixou de me ver, e pela minha mãe, que começou um relacionamento novo’, diz. Por causa dos problemas familiares, Beatriz entrou na adolescência como uma menina triste e solitária. Foi se afastando dos amigos, até que os perdeu completamente. Aos 21 anos, entrou em depressão profunda.

Beatriz começou a se cortar aos 22. Estava na faculdade fazendo um trabalho com arame. Frustrada por não conseguir pôr suas ideias em prática, começou a chorar desesperadamente. Sentou no chão, pegou um fio de arame e começou a desenhar listras nos braços. Não chegou a se arranhar, mas aquilo fez com que se sentisse melhor. Beatriz levou o arame para casa. Na segunda vez, também se arranhou. Na terceira, poucos dias depois, se cortou. ‘Comecei a me mutilar todas as vezes em que sentia raiva de mim mesma ou culpa de errar. Sempre fazia isso escondido. Não queria que ninguém soubesse. Às vezes era por um motivo bobo: porque eu tropeçava na rua e me sentia ridícula (eu não podia ser ridícula). Quando sentia que chateava alguém, quando brigava com a minha mãe, quando sentia saudade, quando me frustrava. Ao mesmo tempo que a mutilação era uma forma de punição, era também uma redenção. Era um sentimento ambíguo’, afirma. ‘Uma vez me cortei porque liguei para uma amiga para dar parabéns no seu aniversário e ela me disse, chorando, que o melhor presente que eu poderia dar era parar com a mutilação. Aquilo foi horrível para mim.’

Durante dois anos, Beatriz diz que se cortou quase todos os dias, inclusive quando estava feliz. ‘No dia em que entreguei a minha pesquisa de iniciação científica, meu orientador disse que estava tudo certo, que o trabalho estava bom e me encheu de elogios. Fiquei muito feliz, mas era como se não pudesse sentir aquilo. Ao mesmo tempo, me cortar também era uma alegria. Aumentava minha felicidade. É difícil explicar… Então me cortei.’ Com o tempo, as colegas de república estudantil e os amigos de faculdade descobriram que Beatriz se mutilava. Foi ela mesma quem contou para alguns deles. A reação dos mais próximos, segundo conta, foi de chegar ainda mais perto para tentar ajudar. As companheiras de apartamento vigiavam-na, faziam companhia, conversavam. ‘Mas em um segundo momento as pessoas se cansaram, foram se enchendo o saco porque eu continuava com o mesmo comportamento. Não aguentaram a situação e se afastaram. E eu fiquei pior ainda. Perdi grandes amigos. E as amizades que não perdi ficaram profundamente abaladas.’

 

 

AS ETAPAS DO TRANSTORNO

O caminho da automutilação é semelhante ao do vício em drogas. Os cortes começam pequenos e rasos, assim como o vício pelas drogas pode começar com um pega de baseado. À medida que o tempo passa, os cortes também aumentam de tamanho e profundidade, e se tornam tão pesados e destrutivos como uma pedra de crack. ‘Só parava de me cortar quando conseguia fazer o corte perfeito. Precisava ter uma simetria. Se fazia um no braço direito, tinha que fazer no mesmo lugar, no braço esquerdo. Comecei com dois cortes, um em cada braço, e cheguei a fazer 30 cortes de uma só vez’, diz. ‘Se não encontrava o corte perfeito, só parava quando me assustava, quando minha pele estava toda retalhada, destruída.’ Variar o instrumento também é importante. ‘Teve um momento em que o arame deixou de me satisfazer. Passei para o estilete. Depois a gilete. Mas também usava outras coisas: a ponta do compasso, faca de cozinha, agulha e até cigarro. Nunca fumei, só comprei para me queimar’, afirma.

A maioria das vezes em que Beatriz se mutilou foi dentro de casa. ‘De manhã ia para a faculdade e não dava para fazer aquilo lá porque alguém poderia perceber. À tarde era um período muito difícil para mim por causa da depressão. O tempo demorava para passar e eu ficava sozinha. Então tomava muitos remédios, até dez de uma só vez. Não queria me intoxicar, só queria que aquela angústia passasse. Mas a consequência é que dormia muito. Me cortava no final do dia, quando acordava. Colocava Elis Regina no som, uma toalha em cima da cama e deitava em cima. Me cortava e gostava de ficar vendo o sangue escorrer. Até brincava às vezes com o sangue, fazia desenhos no meu corpo, passava de uma mão para outra. Aquilo me distraía. Depois entrava no banho, onde também cheguei a me cortar. Quando terminava tudo, quando estava mais calma, lavava a toalha e limpava as gotas que tinham caí-do no chão’, diz. ‘Depois de um tempo você aprende que partes do corpo sangram mais. O tornozelo, por exemplo, sangra muito. Durante uma época, cortava a palma da mão para não ficar marca, para as pessoas não verem.’

Beatriz diz que não se corta há um ano e três meses. Durante o processo de recuperação, escreveu um diário que traz relatos impressionantes e elucidadores sobre a mente das pessoas que se mutilam. ‘Estive pensando nisso. Por mais profundo que seja o corte, já não sinto dor. Será possível que meu corpo, sabendo que meus atos de agressão são conscientes, já não precise da dor como alerta? Das últimas vezes senti náuseas, por tempo prolongado, o que não aconteceu antes. Talvez pela dimensão dos meus atos’, escreve.

‘Como seria minha vida sem os remédios? Nas últimas semanas, as cápsulas de felicidade foram trocadas e fizeram (ainda estão fazendo) uma rebelião contra o meu corpo. Náuseas, dor de cabeça, tontura. E, além do mais, uma tristeza irreparável, irreprimível, nem mesmo por um mar de sangue. Hoje experimentei a ponta de um compasso depois de uma difícil sessão de vômitos. Tantas coisas na minha cabeça que me canso. Tantas coisas no meu corpo que quero ser ar!’

A cicatriz que ela diz ser o último corte feito mede cerca de três centímetros por cinco e está localizada na batata da perna. É mais escura e mais saliente que o restante da sua pele. Sua mãe havia recebido um convite para uma festa e só podia levar um acompanhante. Chamou o padrasto e Beatriz ficou enciumada. Para muitos, o motivo pode parecer pequeno. Mas para ela não. ‘A automutilação traz um prazer interno enorme. Sabe quando você sente um frio na barriga, quando está tudo muito ruim? Depois que eu me cortava, é como se sentisse soltar toda a pressão do balão’, afirma.

Beatriz diz que foi a psicóloga quem conseguiu convencê-la a parar com a mutilação. ‘Ela me convenceu de que não era legal. Eu não via problema nenhum. Era uma coisa boa, um bem que fazia a mim mesma. Parei para agradar os outros, e não a mim. Eu via que minha mãe ficava desesperada . Quem estava por perto ficava alarmado.’ Mas hoje acha que a automutilação é ruim? Silêncio. ‘Espero que um dia fale que não quero mais. Por mais que pense diferente agora e saiba que existem outras maneiras de lidar com a vida, acho que…’ Respira fundo, desvia o olhar, tamburila os dedos sobre um livro e emudece. ‘Sempre vai ter uma vontadezinha, não tem jeito.’

fernandapimentel.com.br
Fonte: http://viafreud.blogspot.com/2009/03/automutilacao.html?m=1

 

 

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“Ritalina é usada em crianças por reações adversas e não pelos efeitos terapêuticos”

“Há uma epidemia de diagnósticos de TDAH, que foi difundida pela Associação Americana de Psiquiatria, por várias entidades no Brasil e que estourou neste século. Então você tem algo que é divulgado como algo científico e inquestionável, e que na realidade é questionado por pesquisadores relevantes para a medicina no mundo inteiro. Houve também uma divulgação midiática totalmente acrítica do TDAH e com informações que não são verdadeiras. Por exemplo, se fala que o transtorno é igual no mundo todo e isso não é verdade, pois ela varia de acordo com os costumes, com a cultura de cada local. Também há uma divulgação de que a ritalina é uma droga absolutamente segura e sem reações adversas, o que também não é verdade. Existem famílias com crianças com problemas reais e que sofrem muito mais pelo estigma do que pelo modo de agir. Algumas associações que difundem o TDAH e o uso da ritalina conseguem fazer com que as famílias se sintam acolhidas e elas acabam achando que estão fazendo o melhor para os seus filhos.”

Fonte:https://www.gazetadopovo.com.br/saude/ritalina-e-usada-em-criancas-por-reacoes-adversas-e-nao-pelos-efeitos-terapeuticos-1u420hsfmgz4h38lrhtdpwfwi

 

 

 

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Obesidade e transtornos alimentares

O Mundo – O que caracteriza os Transtornos Alimentares?

Elisa Padovan – Os transtornos alimentares (TA) caracterizam-se por variações de peso que vão desde a caquexia (perda de peso extrema) à obesidade mórbida. Até a década de 70, a anorexia nervosa era o único TA conhecido e mesmo assim, muito pouco falado. Somente nove anos depois a bulimia nervosa foi reconhecida como uma patologia isolada. A partir de então o olhar dos profissionais foi voltado a esse tema, sendo possível delimitar outros transtornos alimentares, tais como o transtorno de compulsão alimentar e a síndrome do comer noturno. Exceto a anorexia nervosa, todos os outros TA podem estar presentes na obesidade. Com mais espaço ao tema, também foi possível delimitar os fatores de risco predisponentes para o desenvolvimento dos distúrbios alimentares, dentre eles, as influências culturais tais como o culto à magreza e o engajamento em dietas ganharam destaque especial.

OM – Quais aspectos subjetivos estão nos transtornos alimentares? 

EP – De acordo com as teorias psicodinâmicas, sintoma é a expressão fenomenológica dos processos mentais inconscientes. Os sintomas alimentares são considerados como expressão de mecanismos ligados à oralidade, situada nos primeiros estágios do desenvolvimento. Constituem nessa visão, formas concretas de expressar conflitos e ansiedades que não passaram por uma elaboração e que dentre outras formas, podem se manifestar através dos distúrbios alimentares.

OM – Quais características se destacam nos pacientes com síndromes alimentares? 

EP – Estudos indicam que pessoas com transtorno da compulsão alimentar (TCA) têm maior probabilidade de responder através da alimentação a afetos e situações que causam tensões emocionais. Os pacientes citam algumas condições mais facilitadoras para o desencadeamento da compulsão alimentar, tais como: solidão, tédio, raiva, ansiedade e estresse. Importante ressaltar que não há um único padrão de funcionamento subjacente aos pacientes com transtornos alimentares. Mesmo que haja similaridades do ponto de vista etiológico, as compulsões alimentares ocorrem sobre as mais variadas situações e cada paciente relata de forma subjetiva como vivencia e lida com esse sintoma.

OM – Quando presente a compulsão alimentar no TA, a mesma gera algum  sofrimento? 

EP – Sim, o sofrimento está, em grande parte, relacionado com a insatisfação e a dificuldade que a pessoa encontra para alcançar o peso e forma corporal idealizada. Em muitos dos casos, o paciente preenche a falta ou a perda de algo que é importante para ele, com o alimento. Um exemplo disso é quando relata que após uma discussão, morte de ente querido, separação, brigas, ou frustrações, apresenta piora dos episódios de compulsão alimentar. Muitos relatam sentir momentaneamente melhora da angústia relacionada à perda quando comem de maneira compulsiva. O que se transforma num ciclo repetitivo, pois, após o episódio de compulsão, sentem-se culpados pelo descontrole e novamente angustiam-se e um novo episódio compulsivo pode se iniciar.

OM – Quando se faz necessário medicar? 

EP – O tratamento farmacológico pode ser considerado no paciente com transtorno alimentar. A escolha deve basear-se na história clínica, além de exame físico e mental do paciente. Dentre as medicações disponíveis, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina são bem estabelecidos no tratamento dos transtornos alimentares. Podem auxiliar na redução do número dos episódios compulsivos, bem como dos sintomas purgativos. Também podem ser indicados na presença de comorbidades como transtornos depressivos e/ou ansiosos. A medicação pode promover uma discreta melhora da impulsividade e do humor, mas vale destacar que os sintomas estão ligados a fatores subjetivos complexos.

OM – E no caso da cirurgia bariátrica, como se faz essa avaliação?

EP – Quando um paciente é candidato a realizar uma cirurgia bariátrica, ele deve ser avaliado pela equipe multidisciplinar e estar preparado para passar pelas mudanças que esta cirurgia implicará. No caso de obesos que apresentam transtornos alimentares associados à obesidade, quando não trabalhada a compulsão, muitas vezes vão retomar o peso perdido ao longo de alguns anos ou podem desenvolver outras doenças que ocorrem também pela via da impulsividade, tais como jogo patológico, dependência de álcool e drogas, compras compulsivas ou transtornos sexuais. Em todos os casos citados, a falha terapêutica pode ser evitada quando o paciente tem um acompanhamento psicológico. Isso, porque, através desse acompanhamento será privilegiada a maneira como o paciente lida com seus afetos e os associa com sua compulsão. É de extrema importância que o paciente seja abordado por uma equipe multidisciplinar, de maneira que o acompanhamento nutricional e psicológico seja estabelecido. Quando isso não é feito, há a possibilidade que a compulsão desloque para outras áreas e apenas troque de sintoma.

OM – Em sua opinião qual terapêutica pode apresentar uma eficácia nos Transtornos Alimentares?

EP – A imposição de dietas restritivas e controles de comportamento ocorrem com muito esforço por parte do paciente. São condutas que não se mostram efetivas e nem sustentadas por muito tempo, tornando o transtorno de difícil manejo. É importante a pessoa se escutar na relação que estabelece com o alimento, ao que esse sintoma  está vindo responder e à forma como a ansiedade e angústia estão aí presentes. É um convite para uma relação mais prazerosa e responsável com o seu próprio corpo e um caminho para uma mudança de postura.

 

Elisa Padovan Camillo é psiquiatra formada pelo Hospital do Servidor Público Estadual e membro da equipe do Instituto da Psicanálise Lacaniana – IPLA.

 

Data de publicação: 09/04/2015

 

Fonte: http://psicanaliseeamor.com.br/obesidade-e-transtornos-alimentares/

 

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Escrito por Regina Brett, 90 anos de idade, assina uma coluna no The Plain Dealer, Cleveland, Ohio

“Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi.”

  1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
  2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno.
  3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.
  4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.
  5. Pague as mensalidades do cartão de crédito.
  6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.
  7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.
  8. É bom ficar bravo com Deus; Ele pode suportar isso.
  9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.
  10. Quando há chocolate, é inútil resistir.
  11. Faça as pazes com o seu passado, assim ele não atrapalha o presente.
  12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.
  13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.
  14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.
  15. Tudo pode mudar num piscar de olhos. Mas não se preocupe: Deus nunca pisca.
  16. Respire fundo. Isso acalma a mente.
  17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.
  18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.
  19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.
  20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.
  21. Acenda as velas , use os lençóis bonitos, use roupa chique. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.
  22. Prepare-se mais do que o necessário; depois; siga com o fluxo.
  23. Seja excêntrico agopra. Não espere pela velhice para vestir roxo.
  24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
  25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você.
  26. Enquadre todos os assim chamados “desastres” com estas palavras “Em cinco anos, isto importará?”.
  27. Sempre escolha a vida.
  28. Perdoe tudo de todo mundo.
  29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
  30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo.
  31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.
  32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.
  33. Acredite em milagres.
  34. Deus ama a você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.
  35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.
  36. Envelhecer ganha da alternativa “morrer jovem”.
  37. Suas crianças têm apenas uma infância.
  38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.
  39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.
  40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como ele são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.
  41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
  42. O melhor ainda está por vir.
  43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.
  44. Produza!
  45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um “presente”.

 

 

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