O QUE PODE UMA ANÁLISE PSICANALÍTICA?

Tem coisas que a vida nos ensina. A vida, o tempo, as pessoas com quem a gente lida, as alegrias, as frustrações. Quem já esteve no fundo do poço bem sabe que no caminho para a superfície encontramos vários “mestres dos magos” que nos dizem, sem palavras, coisas valiosíssimas sobre a vida e sobre nós mesmos. O fundo do poço, as lágrimas, a tristeza, o sofrimento, essas coisas são importantes.

Mas se a vida nos ensina tantas coisas, o que pode uma psicanálise, diante da vida? Para essa pergunta arrisco duas respostas, aparentemente contraditórias, mas apenas aparentemente.

1) Pode pouco. A vida é muito maior do que a psicanálise. E tenho muitos pés atrás, tantos como se eu fosse uma centopeia, com psicanalistas que acham que a psicanálise é maior do que a vida, que confundem a psicanálise com religião. Freud já disse que a psicanálise não é uma Weltanschauung (visão de mundo), não pretende responder a todas as questões.

2) Pode muito, se considerarmos que nossa vida é salva por detalhes. A psicanálise é um detalhe que pode salvar uma vida.

Eu ousaria definir os efeitos de uma análise psicanalítica a um “supletivo de vida”. No divã (ou na poltrona, pois afinal de contas, um divã é apenas um móvel) aprendemos uma série de coisas que a vida nos ensinaria. Mas nos ensinaria nos estapeando, nos surrando, nos paralisando. E talvez nem mesmo assim nós aprendêssemos. (Quantas vidas são desperdiçadas com sintomas neuróticos e defesas?)

Já em uma psicanálise, rapidamente (quanto tempo é rapidamente? para cada um é uma resposta) aprendemos que nos afastar, que nos defender do nosso próprio desejo, é perda de tempo. Que não temos muito tempo de vida. Que cada respiração a mais é uma a menos e que isso faz toda a diferença. Que a nossa história nos auxilia a compreender nosso sofrimento, mas que não nos paralisa ali. Que nos alojamos no sintoma por medo da vida. E que viver com medo da vida é o melhor jeito de desperdiçá-la.
Aprendemos que as pessoas ao nosso redor esperam muito menos de nós do que nós exigimos e supomos. E que quando não é assim, quando o outro exige mesmo, muito, de nós, cabe a nós rompermos com ele ou, pelo menos, com as demandas dele.

Aprende-se muito em análise, não tanto com aquele que é nosso analista, mas com aquele que é o nosso inconsciente. Saber escutar – e dar consequências – àquilo que dizemos – é precioso. E assim a gente aprende a salvar a nossa própria vida. Aquilo que levaríamos muitos, muitos anos, talvez uma vida toda para saber, pode ser sabido em bem menos tempo.

E então, tem-se mais tempo e libido para a vida, para o trabalho, para o amor. É só isso.

Por Ana Suy

 

 

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Sem educação, os homens “vão matar-se uns aos outros”, diz António Damásio

O neurocientista António Damásio advertiu que “se não houver educação maciça, os seres humanos vão matar-se uns aos outros”. O neurocientista português falava no lançamento do seu novo livro A Estranha Ordem das Coisas, que decorreu esta terça-feira em Lisboa, na Escola Secundária António Damásio, e defendeu perante um auditório cheio que é preciso educarmo-nos para contrariar os nossos instintos mais básicos, que nos impelem a pensar primeiro na nossa sobrevivência.

“O que eu quero é proteger-me a mim, aos meus e à minha família. E os outros que se tramem. […] É preciso suplantar uma biologia muito forte”, disse o neurocientista, associando este comportamento a situações como as que têm levado a um discurso anti-imigração e à ascensão de partidos neonazis de nacionalismo xenófobo, como os casos recentes da Alemanha e da Áustria. Para António Damásio, a forma de combater estes fenômenos “é educar maciçamente as pessoas para que aceitem os outros”.

A Escola Secundária António Damásio foi o sítio escolhido pelo neurocientista português para lançar em Portugal a sua nova obra, que volta a falar da importância dos sentimentos, como a dor, o sofrimento ou o prazer antecipado.

“Este livro é uma continuação de O Erro de Descartes, 22 anos mais tarde. Em ‘O Erro de Descartes’ havia uma série de direções que apontavam para este novo livro, mas não tinha dados para o suportar”, explicou António Damásio, referindo-se ao famoso livro que, nos finais da década de 90, veio demonstrar como a ausência de emoções pode prejudicar a racionalidade.

O autor referiu que aquilo que fomos sentindo ao longo de séculos fez de nós o que somos hoje, ou seja, os sentimentos definiram a nossa cultura. António Damásio disse que o que distingue os seres humanos dos restantes animais é a cultura: “Depois da linguagem verbal, há qualquer coisa muito maior que é a grande epopeia cultural que estamos a construir há cem mil anos.”

O neurocientista acredita que o sentimento – que trata como “o elefante que está no meio da sala e de quem ninguém fala” – tem um papel único no aparecimento das culturas. “Os grande motivadores das culturas atuais foram as condições que levaram à dor e ao sofrimento, que levaram as pessoas a ter que fazer alguma coisa que cancelasse a dor e o sofrimento”, acrescentou António Damásio.

“Os sentimentos, aquilo que sentimos, são o resultado de ver uma pessoa que se ama, ou ouvir uma peça musical ou ter um magnífico repasto num restaurante. Todas essas coisas nos provocam emoções e sentimentos. Essa vida emocional e sentimental que temos como pano de fundo da nossa vida são as provocadoras da nossa cultura.”

No novo livro o autor desce ao nível da célula para explicar que até os microrganismos mais básicos se organizam para sobreviverem. Perante uma plateia com centenas de alunos, o investigador lembrou que as bactérias não têm sistema nervoso nem mente mas “sabem que uma outra bactéria é prima, irmã ou que não faz parte da família”.

Perante uma ameaça, como um antibiótico, “as bactérias têm de trabalhar solidariamente”, explicou, acrescentando que, se a maioria das bactérias trabalha em prol do mesmo fim, também há bactérias que não trabalham. “Quando as bactérias (trabalhadoras) se apercebem que há bactérias vira-casaca, viram-lhes as costas”, concluiu o neurocientista, sublinhando que estas reações são ao nível de algo que possui “uma só célula, não tem mente e não tem uma intenção”, ou seja, “nada disto tem a ver com consciência”.

E é perante esta evidência que o investigador conclui que “há uma coleção de comportamentos – de conflito ou de cooperação – que é a base fundamental e estrutural de vida”.

Durante o lançamento do livro, o investigador usou o exemplo da Catalunha para criticar quem defende que o problema é uma abordagem emocional e não racional: “O problema é ter mais emoções negativas do que positivas, não é ter emoções.”

 Fonte:https://www.publico.pt/2017/10/31/ciencia/noticia/sem-educacao-os-homens-vao-matarse-uns-aos-outros-diz-antonio-damasio-1791034

 

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Empatia faz bem, mas é preciso administrar

Bons sentimentos não bastam; é importante aprender a lidar com as emoções que o sofrimento alheio nos causa, não só para evitar o próprio desconforto, mas também para ter alguma chance de ser útil aos outros

 

Reconhecer quando um amigo ou colega está assustado, triste, irritado ou surpreso é uma espécie de chave fundamental para manter bons relacionamentos. Um novo estudo sugere, no entanto, que, se a habilidade para escutar os sentimentos alheios tomar proporções grandes demais, pode provocar uma dose extra de estresse – e, na prática, não ajudar quem está sofrendo nem aquele que se comove com a dor alheia.

Em um estudo publicado na edição de setembro de 2016 da Emotion, as psicólogas Myriam Bechtoldt e Vanessa Schneider, da Escola de Frankfurt de Administração e Finanças, na Alemanha, entrevistaram 166 estudantes universitários do sexo masculino e fizeram a eles uma série de perguntas com o objetivo de medir a sua capacidade de lidar com as emoções. Na sequência, as pesquisadoras mostraram aos voluntários uma série de fotografias de rostos de várias pessoas e perguntaram até que ponto sentimentos como felicidade ou desgosto eram expressos em seu semblante. Num segundo momento, os estudantes participaram de um exercício no qual deveriam fazer negociações como se estivessem numa situação profissional, em frente de juízes exibindo expressões faciais severas. Os cientistas mediram concentrações do cortisol, hormônio associado ao estresse, presente na saliva dos alunos antes e depois da tarefa.

Nos voluntários avaliados como mais inteligentes emocionalmente, as medidas de estresse aumentaram mais durante o experimento e demoraram mais tempo para voltar ao nível inicial. Os resultados sugerem que algumas pessoas podem ser emocionalmente espertas, mas isso não se reverte, necessariamente, para o seu próprio bem, diz Hillary Anger Elfenbein, professora de comportamento organizacional na Universidade de Washington em St. Louis, que não participou do estudo. “O envolvimento emocional pode causar apenas preocupação se não for canalizado de forma saudável”, observa.

Essa e outras pesquisas desafiam a visão predominante de que a empatia é sempre benéfica para quem a sente. Um trabalho publicado em 2002 já sugeria que as pessoas emocionalmente perceptivas podem ser particularmente suscetíveis a sintomas de depressão, decorrentes da sensação de impotência por não conseguir ajudar os outros a sair de seu sofrimento.

“Não há dúvidas de que a empatia é uma qualidade extremamente útil, mas não basta; é fundamental aprender a lidar adequadamente com as emoções, tanto as nossas quanto as alheias”, diz Bechtoldt. Segundo ela, pessoas muito sensíveis podem se sentir identificadas demais ou inclinadas a assumir a responsabilidade pela tristeza ou raiva alheias. Por mais que uma situação nos mobilize, é importante ter em mente que cada um tem responsabilidade sobre a própria história, e, às vezes, o melhor a fazer num momento delicado é estar perto, escutar e suportar que a pessoa sofra, sem tentar aplacar a dor por causa das nossas próprias fragilidades. “Pode parecer pouco, mas é transformador”, comenta a psicóloga.

Ela enfatiza que para ajudar alguém é fundamental não se misturar às suas mazelas. Especialistas acreditam que o autoconhecimento, alcançado por meio da psicoterapia, é uma forma bastante eficaz de mobilizar e desenvolver recursos psíquicos, capaz de fortalecer a capacidade de reconhecer as próprias limitações – e possibilidades.

Outros estudos mostram facetas ainda menos exploradas da capacidade de compreender o que as pessoas sentem. Um deles, publicado em 2013 na PLOS ONE, revela que essa habilidade pode ser usada para manipular outros e, assim, obter ganho pessoal. Mais pesquisas são necessárias para mostrar com maior clareza de que maneira se dá a relação entre inteligência emocional e estresse. Estão em andamento atualmente investigações similares em que são acompanhadas mulheres e grupos mistos com pessoas de diferentes idades e formação.

                                                                               Da redação-Mente Cérebro

 

FONTE:http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/empatia_faz_bem_mas_e_preciso_administrar.html

 

 

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