CURSO DE FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE – 12ª TURMA

Olá,Cartaz divulgação
A CLÍNICA PERSONA / SOBPIEX vem através deste informar que está com matrículas abertas para a 12ª turma do Curso de Formação em Psicanálise
 
Período de matrícula: 28.02.2020 à 18.03.2020 (folder em anexo).
.
A profissão de Psicanálise é regulamentada pela Constituição Federal de Cursos Livres e pela CBO (Classificação Brasileira de Ocupação do Ministério de Trabalho). 
.
PÚBLICO ALVO: Portadores de diploma de nível superior, em qualquer área do conhecimento humano ou estudantes a partir do 7º semestre (necessária apresentação do diploma antes da conclusão do curso de Psicanálise).
.
Módulos MENSAIS (Sábado e Domingo das 08 às 12h / 14 às 18h), AULAS PRESENCIAIS.
.
A turma será oferecida desde que tenha o número mínimo de alunos matriculados exigidos pela instituição. 
 
Caso seja do seu interesse, solicitamos preencher o link abaixo e aguardar o agendamento da entrevista:
 

SEROTONINA X CORTISOL

Muita gente exagera na preocupação com a

– Alimentação

– Ph da água

– Sem lactose

– Sem glúten

– Sem açúcar

Etc..

Entretanto, esquece de se preocupar com as “emoções.

O Dr. Juan Hitzig estudou as características de alguns longevos saudáveis e concluiu que além das características biológicas, o denominador comum entre todos eles está em suas condutas e atitudes

Cada pensamento gera uma emoção e cada emoção mobiliza um circuito hormonal que terá impacto nos trilhões de células que formam um organismo, explica:

As condutas “S”

– serenidade

– silêncio

– sabor

– sexo

– sono

– sorriso

Promovem secreção de serotonina.

Enquanto as condutas “R”

– ressentimento

– raiva

– rancor

– repressão

– resistências

Facilitam a secreção de cortisol, um hormônio

“Corrosivo” para as células, que acelera o envelhecimento.

As condutas “S” geram atitudes “A”

– ânimo, amor, apreço, amizade, alegria, aceitação, aproximação.

As condutas “R” pelo contrário, geram atitudes “D”

– depressão, dor, despeito, desanimo, desespero, desolação.

Aprendendo esse alfabeto emocional lograremos viver mais tempo e melhor, porque o “sangue ruim” (muito cortisol e pouca serotonina) deteriora a saúde, oportuniza as doenças e acelera o envelhecimento.

O bom humor, pelo contrário, é a chave para a longevidade saudável.

 

Tenha uma excelente vida! Plena de serotonina!

 

 

Edf. Itabuna Trade Center- sala 911 e 912, Av. Princesa Isabel, 395, Banco Raso- Itabuna (BA).

CEP: 45.607-291 – Tel.: (73) 3212-7070 / 8882-8060

E-mail: clinica_persona@yahoo.com.br

As pessoas conflituosas criam ambientes tóxicos por onde passam

As pessoas conflituosas, exigentes e carentes de empatia criam ambientes tóxicos nos quais a negatividade é contagiante, inclusive capaz de nos deixar doentes. É uma realidade que reparamos de imediato em muitos contextos familiares e profissionais, onde o ar parece viciado, onde o estresse é físico, o medo é palpável e a infelicidade, um vírus implacável.

Os especialistas em ambiente de trabalho costumam diferenciar em qualquer empresa aquilo que é conhecido como “ambiente tóxico versus ambiente nutritivo”. Curiosamente, é algo que é possível identificar quase que instantaneamente. É claro que existem variáveis padronizadas que têm como finalidade fazer essa medição de forma objetiva e rigorosa, no entanto, às vezes basta caminhar por uma empresa para sentir a tensão, o desconforto estrutural e a pressão que marca o rosto dos funcionários e dos diferentes departamentos.

“ALGUMAS PESSOAS CAUSAM FELICIDADE ONDE QUER QUE CHEGUEM, OUTRAS A PROPORCIONAM QUANDO SE VÃO”.
-OSCAR WILDE-

O mesmo ocorre a nível familiar. O tipo de linguagem utilizada, o tom e até mesmo a atitude de cada um de seus protagonistas destila essa complexidade emocional que se impregna no ambiente e em toda a dinâmica familiar. Os ambientes tóxicos existem e transcendem aos seus próprios inquilinos até o ponto de passar para terceiros, porque o clima de um ambiente é composto de sentimentos adversos, de incertezas, de um idioma agressivo e de um estresse sistêmico do qual é muito difícil se defender.

A seguir, propomos que você aprofunde seus conhecimentos sobre este tema.

O império da infelicidade nos ambientes tóxicos

Sabemos que o termo “pessoas tóxicas” está na moda. No entanto, temos que ter cuidado na hora de utilizá-lo, pois muitas vezes podemos abusar dele. Às vezes, por trás dessa etiqueta pode existir, na verdade, alguém que está passando por uma depressão, um transtorno de ansiedade ou qualquer problema clínico. É preciso ter cautela, prudência e sensibilidade ao tratar do tema.

Por outro lado, algo que certamente é muito claro é o clima que é criado em torno dessas outras personalidades caracterizadas por conflitos, abusos e a completa falta de empatia ou de proximidade com aqueles que fazem parte do seu dia a dia.

Há alguns anos a revista “Fortune“, acostumada a estabelecer rankings, criou uma lista das melhores empresas do mundo para trabalhar. Ela não usou o salário nem os benefícios dessas empresas como variáveis para fazer essa avaliação. O que foi analisado foi o nível de satisfação dos funcionários. Curiosamente, algo que perceberam no estudo é que grande parte das empresas tem no DNA de sua estrutura o vírus da toxicidade, e além disso, é algo sistêmico e crônico.

Às vezes não é suficiente substituir os gerentes. A própria estrutura e a política de determinadas empresas criaram um ambiente crônico baseado no controle, onde alcançar os objetivos era mais importante do que o bem-estar dos funcionários, e na cultura da “cabeça baixa”, onde é melhor calar e assumir para poder manter o emprego.

Pouco a pouco, o império da infelicidade, do medo e da incerteza cresce nas mentes de todo o capital humano desses ambientes tóxicos, limitando uma verdadeira produtividade, a inovação, a criatividade e, acima de tudo, a saúde.

A necessidade de construir ambientes “nutritivos”

Ao longo da nossa vida, iremos encontrar pessoas conflituosas em qualquer lugar. No entanto, algo que temos claro é que nem sempre poderemos criar distância, nem sempre é tão fácil romper o vínculo e se afastar com pelo menos duas cidades de distância, para cultivar um silêncio saudável e a segurança de não ver mais essa pessoa. Algumas vezes esse núcleo conflituoso está na nossa própria casa ou no nosso trabalho, esses ambientes tóxicos dos quais não podemos sair.

“O PNEU MAIS DETERIORADO DO CARRO É O QUE FAZ MAIS BARULHO.”

Há alguns anos, e a título de curiosidade, surgiu no mercado de trabalho a figura do “diretor da felicidade ou coaching do bem-estar”. Trata-se de uma pessoa formada e especializada no tema que teria como objetivo criar um ambiente de confiança e de comunicação adequado, onde seus funcionários se sentissem verdadeiramente felizes e valorizados. Embora algo tão básico garanta sem dúvida a produtividade da própria empresa, é um aspecto que não costumamos ver com frequência. Pelo menos por enquanto.

Temos que tentar mudar políticas, mentalidades e perspectivas. Na verdade, não falamos só de melhorar os ambientes de trabalho, falamos também da necessidade de implementar novas dinâmicas nas escolas: o primeiro contexto onde se formam as gerações futuras. Os ambientes nutritivos são identificados por terem um sentido de permanência, onde se defende o respeito e a dignidade pessoal, onde se favorece a criatividade, o crescimento pessoal e uma empatia autêntica, próxima e palpável.

Sejamos, então, os arquitetos de cenários mais humanos, começando sem dúvida por aqueles que temos mais próximos, aqueles onde nos desenvolvemos todos os dias. É uma tarefa que certamente vale a pena.

 

As pessoas conflituosas criam ambientes tóxicos por onde passam

 

 

Edif. Itabuna Trade Center- sala 911 e 912, Av. Princesa Isabel, 395, Banco Raso- Itabuna (BA).

CEP: 45.607-291 – Tel.: (73) 3212-7070 / 8882-8060

E-mail: clinica_persona@yahoo.com.br

 

Questão de peso

A maioria dos tratamentos indica uma reeducação alimentar. No entanto, a pessoa que sofre de obesidade utiliza-se do alimento para alívio de um intenso estado de angústia Obesidade está na moda! Está na moda cobrar da pessoa obesa que ela emagreça! Está na moda publicar pesquisas de índices de obesidade alarmantes. Está na moda postar fotos de corpos flácidos emagrecidos. Está na moda abrir empresas com promessas salvadoras do suplício da obesidade. Moda, também, é demonizar os obesos. Moda é a promessa da juventude eterna associada à magreza. É ganhar fama pela descoberta de uma nova fórmula emagrecedora e, ainda, divulgar depoimentos de terapêuticas revolucionárias. Moda, por fim, é ter um blog contando o vitorioso processo de emagrecimento saudável. Está nascendo, também, uma nova moda, filha da primeira. Carrega um peso considerável e embala um pesadelo numa linda fita cor de rosa: a obesidade infantil. Vamos começar pela genitora: a obesidade nos adultos.

Antes de tudo, quero ressaltar que valorizo todos os estudos que aprofundam a pesquisa da obesidade, e, sem dúvida eles são uma contribuição inquestionável. São incontestáveis os prejuízos, tanto do ponto de vista da saúde individual como da saúde pública, que a obesidade acarreta. Por todas as vias somos sensibilizados e alertados para isso. Portanto, esse artigo não pretende atualizar os dados referentes ao tema. Convido a pensar sobre a realidade da política alarmista e culpabilizadora que tem nos impactado nas últimas décadas. Vivemos numa sociedade na qual nossa competência é determinada pelo grau de adequação a modelos comercialmente estabelecidos. Atravessados por mecanismos eletrônicos que escapam ao nosso controle e estimulam nossa exposição, nossos corpos vigiados são o cartão de visita para a entrada no mercado de imagem. São incontestáveis os prejuízos, tanto do ponto de vista da saúde individual como da saúde pública, que a obesidade acarreta A moral do body-building tornou-se um potente apanágio para a culpabilização da pessoa obesa pela sua própria condição, salvaguardando, assim, todo o processo de indução ao consumo por meio de mecanismos sofisticadíssimos que penetram em nossa casa, em nossas televisões, em nossos hábitos. Impotentes, reproduzimos ideais de beleza e juventude concretamente inacessíveis, fomentando a indústria farmacêutica, as empresas alimentícias, produtos da lógica da competição globalizada. Denunciamos as propagandas enganosas veiculadas pela mídia que gera consumo incontrolável em nosso cotidiano. Certamente, vivemos num universo ambivalente que estimula a obesidade e depois a rejeita.

Considerações Há um equívoco na compreensão da obesidade: associada ao desequilíbrio entre ingestão alimentar e queima calórica, estimula que a maioria dos tratamentos indique uma reeducação alimentar. Uma abordagem centrada no alimento. Ora, nenhum ser humano opta deliberadamente por ser obeso. Será o mesmo afirmarmos que todo alcoólatra é alcoólatra porque bebe demais. A pessoa que sofre de obesidade, utiliza-se do alimento por razões que escapam ao seu controle, para alívio de um intenso estado de angústia, e a consequência desse ato é a obesidade. Por isso, impedir esse alívio, tampar

esse canal de descarga pelo controle alimentar se torna inviável no longo prazo, pois o desconforto interno permanece, aumenta, aliás, e com ele a necessidade de descarga também fica maior. Muito além do peso Lançado no final do ano passado e disponível no YouTube, de graça, o documentário Muito além do peso, da diretora e roteirista brasileira Estela Renner, traz dados estarrecedores sobre a obesidade infantil no Brasil. Dentre eles, a informação de que 56% das crianças brasileiras com menos de um ano consomem refrigerante. O alerta simboliza algumas das principais premissas da produção: a alta e precoce ingestão de açúcar, a mudança dos hábitos alimentares, a pouca informação dos pais, o bombardeio de propagandas e a clara predisposição das novas gerações serem ainda mais obesas. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 33% das crianças no País são obesas ou estão com estão com sobrepeso e 4 entre 5 cinco crianças continuarão nessa condição até o fim da vida. Esses não são os únicos pontos explorados pela diretora, que se vale de uma série de entrevistas em que especialistas, nacionais e internacionais, entre eles a própria Clarissa Ollitta, autora deste artigo, analisam em diferentes ângulos não apenas as consequências do sobrepeso infantil, mas também suas origens econômicas e sociais e repercussões psíquicas. Compara-se também o contexto brasileiro com o internacional, indicando claramente que a doença já se transformou em pandemia. Fica evidente que não existe uma solução fácil. A obesidade infantil envolve a indústria, o governo, os pais, os profissionais da saúde, as escolas e até a publicidade. No campo mental, alguns conceitos têm sido utilizados de maneira repetitiva e empobrecedora. Depressão e compulsão são diagnósticos frequentes e vazios. Há pouco investimento em entender a obesidade do ponto de vista psicossomático, ou seja, como uma legítima expressão humana da mente integrada com o corpo, gerando uma compreensão empobrecedora desse importante universo.

Apesar do consenso na classe de profissionais da saúde de que a pessoa é um indivíduo único e singular, a prática dos tratamentos tem sido compartimentar a pessoa obesa em especialistas que competem por orientações divergentes. A pessoa obesa é frequentemente considerada um paciente difícil. “Rebelde”, “desobediente” e “indisciplinado” são adjetivos comuns que, se não atribuídos diretamente, são veiculados entre os colegas de profissão.

 A prática dos tratamentos tem sido compartimentar a pessoa obesa em especialistas que competem por orientações divergentes

E como dizer não?

Quem é o nosso paciente? Quem sinaliza um pedido de ajuda? Por enquanto, nos dizem que são as pobres crianças nas mãos dos ignorantes e irresponsáveis pais. Temos pena delas, imaginamos suas desastrosas perspectivas de vida e uma revolta rancorosa começa a circunscrever os pais da criança obesa. É voz corrente serem eles que, irresponsavelmente, compram refrigerantes para os filhos, que não sabem dizer não aos salgadinhos – novamente o problema da alimentação -, que induzem a diabete porque não cozinham comidas saudáveis, que a abandonam na tutela da televisão ao sabor dos biscoitos, que são ignorantes porque não sabem de cor a tabela sujeide caloria dos alimentos e, por fim, porque não conseguem frustrar seus filhos em seus apetites vorazes. Bem, se o adulto obeso é permanentemente cobrado pelo fracasso dos tratamentos da obesidade, agora encontramos outro algoz da obesidade infantil: os pais. O que significa para o pai, mãe, cuidador, alimentar uma criança? O alimento é nossa única via de sobrevivência física. Mas psíquica também. Inúmeras pesquisas comprovam que crianças alimentadas exclusivamente em berços, deprimem profundamente, quando não falecem, se não são tocadas, e acalentadas. A criança precisa se alimentar integralmente, pelo contato, pela pele, pelo afeto, pelo alimento e o adulto precisa ser e se sentir um bom provedor. A sintonia dessa parceria é determinante para o desenvolvimento do bebê, mas, também, para confirmar a competência de quem cuida dela. Claro que é um processo complexo, delicado, entre seres humanos, com suas singularidades de ambos os lados. Existem nuances, momentos de acertos, outros não, mais sintonia, distância, porém é algo muito íntimo vivido entre os pais e seus filhos.

A obesidade é a expressão de um paradoxo no qual, por um lado, há um acúmulo excessivo de energia e, por outro, uma inapropriada utilização dela. Ser obeso é ser grande e sentir-se frágil

Ao longo da vida, multiplicam-se as fomes, do alimento concreto às demandas de amor, dos bens materiais às exigências e junto as possibilidades e restrições de atendê-las. Educar um filho entra nesta miríade de troca. Para Kehl (Corpos Estreitamente Vigiados), a modernidade resulta de um longo processo de disciplina e de auto-observação dos corpos. O Processo Civilizador, do sociólogo alemão Norbert Elias, é uma minuciosa investigação sobre a gênese da formação do que é hoje, para nós, o corpo civilizado normal. A socialização das crianças pequenas, desde as primeiras formações das sociedades de corte, consistia (como ainda hoje) no aprendizado de uma série de controles corporais. Aprende-se desde cedo como é que se anda no meio dos outros, como é que se come em presença de estranhos, como se controlam os impulsos corporais em público. A criação da moderna esfera privada nas sociedades liberais é indissociável da introjeção dos mecanismos de controle dos impulsos e dos afetos, na vida pública. Freud considerava o desenvolvimento de uma instância psíquica encarregada do autocontrole como um avanço da civilização. A autodisciplina afetiva e corporal é condição do engajamento dos sujeitos na ordem social, diria Foucault, para quem a submissão voluntária é o braço subjetivo do poder. O autopoliciamento permanente é o preço a ser pago pela vida moderna, sobretudo nas cidades. A obesidade infantil pode ser entendida como um sintoma dessa complexa trama. Algo que não vai bem e precisa ser visto. É mais um sintoma que penetra em nossa casa. Se quisermos compreender como uma criança obesa se sente no mundo, podemos começar pela compreensão do adulto obeso. A queixa mais frequente é que desde a infância ele deixou de ter uma identidade, uma história singular, um caminho próprio, para se tornar um diagnóstico: obesidade. O mundo o marcou, tatuou pela inadequação. Desde os espaços públicos que o expulsam, até as roupas que o ignoram. Com a criança obesa acontece o mesmo: a palavra criança desapareceu. Ela virou uma entidade: obesa. O mundo a reconhece, identifica e se relaciona com a sua forma considerada disforme. Quem quer ser amigo de um disforme? De um glutão? O imaginário social entende que a criança obesa é potencialmente um “ladrão” porque come mais, pega mais, quer mais, anseia mais. Claro que ela deseja se esconder. Mas como esconder o corpo que todo mundo vê? Sujeitando-se à humilhação diária. Se cada um de nós se desenvolve psiquicamente a partir do olhar do outro, virar uma entidade exclusivamente obesa é ser o quê?! Alguém sem espaço de legitimidade, ocupando um enorme espaço, ou melhor, usurpando um espaço que não lhe é de direito. Que desastre!

Se quisermos compreender como uma criança obesa se sente no mundo, podemos começar pela compreensão do adulto obeso Pódio social

Para uma criança, ter um tênis de marca é tão importante quanto tomar um suquinho de caixinha no recreio da escola. Numa realidade onde a felicidade é medida pelo poder de consumo, ser pai é querer dar tudo considerado bom e melhor para seus filhos. O pódio social, que atravessa nosso cotidiano, determina as posições de acordo com seu poder de compra. Nenhum pai quer intencionalmente colocar seu filho numa situação de exclusão. O alimento há muito deixou de ser uma via exclusiva de sobrevivência, é moeda de inclusão social. Seríamos ingênuos ao pensá-lo no sentido estritamente nutricional. Além disso, o alimento está sujeito às leis da livre concorrência, ou seja, um pé de alface custa o triplo de um pacote de biscoito doce. Dar um biscoito para um filho quando todas as crianças comem biscoito é viabilizar uma condição de igualdade, muitas vezes, até compensatória da limitações vividas na sua própria vida, quando não foi duramente marcada pela pobreza passada. É por isso que as orientações médicas ou nutricionais desvinculadas dessa compreensão mais ampla soam ingênuas e ineficazes. Mesmo assim, os pais passam a ser diretamente responsabilizados pela condição de sofrimento de seus filhos. Mas culpabilizando-os conseguimos ajudá-los? Que pais querem ter os seus filhos obesos, discriminados, doentes?! Que pai opta deliberadamente por um futuro sombrio para seus filhos?! Conviver com um obeso indisciplinado já é “insuportável”. Quem pode aceitar pais “estragando” a saúde dos filhos? Condenados a viver na encruzilhada da fome afetiva do filho e na acusação irrevogável das autoridades, produzimos prisioneiros da perplexidade. A fome de reconhecimento, de legitimação, de competência carimba a família da criança obesa. Desamparo e abandono geram indivíduos famintos e carentes. E comer é uma maneira de saciarse, nem que seja temporariamente.

Dar um biscoito para um filho quando todas as crianças comem biscoito é viabilizar uma condição de igualdade

 Como pedir para os pais que restrinjam os alimentos de seus filhos, se eles próprios têm fome? Fome de ser competente, fome de ser validado, fome de ser bom provedor. A discriminação de uma criança obesa e a cobrança sobre os pais gera tal angústia, que rejeitar ou regular um alimento só aumenta o circuito de impotência familiar. O aumento da obesidade e da obesidade infantil chama a nossa atenção para a ineficácia dos tratamentos. A obesidade diminuiu? Os tratamentos estão mais bem sucedidos? Obtemos resultados mais estáveis? Nossos pacientes estão mais satisfeitos e saudáveis? O ambiente considerado obesogênico está melhor controlado?

Tratamentos vãos

O fracasso reiterado dos tratamentos exige uma reflexão. Há uma permanente culpabilização do paciente pela sua própria condição. Delega-se maciçamente a responsabilidade do fracasso. Os profissionais da saúde, muitas vezes frustrados, ou exauridos diante do desafio da obesidade, acabam se preservando, evitando confrontos que questionem sua competência por meio de mecanismos de delegação maciça. Alimentados por uma mídia que valoriza seu saber exacerbam a onipotência do suposto conhecimento científico. O sofrimento psíquico é excluído da trama, a abordagem focada no organismo cria a ilusão de um caminho com resultados garantidos, desconsiderando a pessoa, seus desejos, suas escolhas, suas determinações inconscientes. Fica, assim, inconcebível pensar a vida como um percurso dinâmico com movimentos diversos, oscilações, dúvidas, acertos, equívocos.

Somos determinados por um inconsciente que escapa à nossa compreensão e ao nosso domínio

Para isso, proponho uma compreensão que reconheça os sinais do corpo como uma legítima expressão de um ser integrado em sua mente e corpo. Somos determinados por um inconsciente que escapa à nossa compreensão e ao nosso domínio. Expressamos nossas tramas vitais por meio de nossas emoções, do nosso corpo. É com o resgate e com a reconstrução biográfica que podemos recuperar o significado de nossas expressões psicossomáticas, como a obesidade. A obesidade é a expressão de um paradoxo no qual, por um lado, há um acúmulo excessivo de energia e, por outro, uma inapropriada utilização dela. Ser obeso é ser grande e sentir-se frágil, é ocupar espaço e não saber como fazer, é ter sobra e viver o vazio, é querer ser e não ter com o quê. É ser exigido e ter uma força que escapa. Ser uma criança obesa é estar submersa dentro dessa ambiguidade na qual a criança, por mais que coma, sente-se incapaz de enfrentar o mundo, sua pressão, suas exigências. Seus pais, supostos modelos de força, sentem-se fragilizados, tal é o nível de mutilação e desautorização a que eles são submetidos. Geralmente concordamos quando se diz que uma das características de nossa época é sua lipofobia, sua obsessão pela magreza, sua rejeição quase maníaca da obesidade (Fischler, 1989). Precisamos estar atentos para não reproduzirmos automaticamente práticas mutiladoras por meio de discursos pseudocientíficos. Nossas crianças sinalizam que estamos fragilizados e impotentes. Sugiro, dessa forma, que na obesidade há um circuito de famintos no qual se recomenda a restrição alimentar, ou seja, um incremento da má nutrição, pois ela, a obesidade, denuncia a má nutrição existencial. Estamos mal alimentados e temos fome. Precisamos inverter a polaridade, ao invés de fechar a boca, abrir as nossas bocas, as bocas das crianças obesas, de seus pais, dos adultos obesos, dos profissionais, para que possamos ser alimentados com nutrientes que efetivamente saciem a nossa fome.

CLARISSA SILBIGER OLLITTA é psicóloga, psicanalista, psicossomatista, coordena o curso “A Trama da Obesidade” e o Programa de Estudos e Tratamento do Obeso no Instituto Sedes Sapientiae. Revista PSIQUE, Junho de 2013.

                                                                                       (CLARISSA SILBIGER OLLITTA)

FONTE:http://www.colegiogregormendel.com.br/gm_colegio/pdf/2013/textos/Revista-21.pdf

 

Edf. Itabuna Trade Center- sala 911 e 912, Av. Princesa Isabel, 395, Banco Raso- Itabuna (BA).

CEP: 45.607-291 – Tel.: (73) 3212-7070 / 8882-8060

E-mail: clinica_persona@yahoo.com.br