Você sabe a diferença de um psiquiatra, um psicólogo e um psicanalista?

Não se preocupe se a resposta for não. Poucas pessoas sabem fazer essa distinção, mas ela é importante na hora de procurar um profissional.

A verdade é que boa parte das pessoas têm muita resistência em buscar a ajuda de um “PSI”, seja ele psicólogo, psicanalista, ou mesmo um psiquiatra. As razões são várias e não é nosso intuito no momento aprofundá-las aqui. O que sabemos pelo que escutamos em nossos consultórios, é que, na maior parte das vezes o sujeito já buscou inúmeras tentativas de soluções para suas dores intangíveis, como médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos. Já se submeteu a inúmeros procedimentos estéticos, já escalou montanhas, peregrinou pelo Tibete, fez o Caminho de Santiago de Compostela, fez promessa para o seu santo de devoção, antes de chegar a procurar um “PSI”. Quando nada disso resolveu, quem sabe aquele amigo para quem você repete sempre a mesma história de fracasso, já não tendo mais o que te falar, te diga a seguinte frase: que tal você buscar uma terapia?
Se seu amigo já faz um tratamento com um “psi”, ele pode até te sugerir alguém, mas na maior parte das vezes, ele também não sabe direito quem indicar, e você acaba sem saber que tipo de ajuda você deseja. É bom, então, que você saiba a diferença entre esses profissionais.

Um psiquiatra é um profissional formado em medicina. Ele ouvirá as queixas daqueles que o procuram, e detectando algum sintoma, na maior parte das vezes irá prescrever um medicamento. Esses sintomas geralmente estão classificados no CID – Código Internacional de Doenças. Dependendo do que disser o paciente, o médico saberá se ele sofre de uma depressão, de uma determinada síndrome, de uma compulsão e por aí vai, já que a lista de doenças psíquicas classificadas no CID é bastante extensa. A depender do profissional, o tempo de consulta pode variar, mas geralmente gira em torno de 40 minutos a 1 (uma) hora. É pedido que o paciente retorne pelo menos uma vez por mês, para que a dosagem do remédio prescrito possa ser avaliada. Há, entretanto, psiquiatras que além de prescreverem um fármaco, encaminham também seus pacientes para conjuntamente com o medicamento, se submetam a uma psicoterapia, ou mesmo para uma psicanálise. Isso depende de profissional para profissional. O inverso também pode ocorrer. Em algum momento de uma terapia, o psicólogo ou o psicanalista, podem achar que aquele paciente necessita ser encaminhado a um psiquiatra para avaliar a necessidade ou não do uso de medicamento.

Já uma psicoterapia é feita por um profissional formado em psicologia. A psicologia é uma ciência que tenta investigar as causas do comportamento. Os psicólogos atuam em diferentes frentes, como em escolas, hospitais, selecionando e treinando pessoas para o mercado profissional, no esporte e tantos outros. Quando a atuação desses profissionais se dá em consultórios ou mesmo em uma clínica, estamos diante então da Psicologia Clínica, que tem como objetivo, através da escuta singular de cada paciente propiciar uma mudança de comportamento a partir do autoconhecimento, e com isso aliviar as dores daqueles que o procuram. O paciente conta para o psicólogo o que ele sabe, e juntos eles tentam modificar comportamentos que causam o sofrimento. As linhas teórico práticas dentro da clínica são inúmeras. É bom que você pergunte ao profissional que está te atendendo qual a linha teórica que ele segue. Geralmente o atendimento é feito individualmente, mas também pode acontecer do atendimento ser em família, ou com o casal. Isso depende de profissional para profissional, de sua linha de atuação, e das queixas trazidas pelo paciente. Normalmente os atendimentos acontecem semanalmente, mas como disse anteriormente cada linha teórica tem suas especificidades e esses esclarecimentos são fornecidos aos pacientes nas primeiras entrevistas. O tempo de duração de uma psicoterapia também vai variar de acordo com cada paciente, sendo difícil fazer esse tipo de previsão.

Bem, chegamos então ao psicanalista. Na maior parte das vezes, é difícil para o leigo fazer a distinção entre um atendimento psicológico e uma psicanálise. Essa última, só pode ser feita por um psicanalista. Para ser psicanalista não é necessário ser formado em psicologia ou em medicina. Um psicanalista é aquele que tem formação através de uma Escola de Psicanálise, faz supervisão com um outro profissional mais experiente (ou já fez), faz ou já concluiu o seu percurso de análise. Ninguém pode se dizer psicanalista se não se submeteu a uma análise! O exercício desse ofício está fincado no seguinte tripé: análise, supervisão e estudo teórico.

A Psicanálise, foi criada por um médico austríaco, chamado Sigmund Freud, no final do Século XIX. Ao receber pacientes, em especial mulheres, com paralisias, cegueiras, espasmos e outros tantos sintomas físicos, sem que houvesse razões orgânicas para tal, Freud, depois de escutar suas histórias, constata que não se tratava de farsa ou teatro, como muitos acreditavam à época, mas que o que se manifestava como uma doença orgânica, na verdade apontava para um outro lugar, uma outra cena, que ele vai depois denominar de inconsciente. Uma ideia muito ameaçadora para esses pacientes, insuportável de se suportar havia sido recalcada. Ocorre, entretanto, que a ideia é possível de ser recalcada, mas o afeto ligado a essa ideia não, fazendo com que ele se ligue a uma outra ideia. Assim, os sintomas que daí decorrem, se tornam inexplicáveis. Foi então que Freud deixando que essas mulheres falassem o que lhes viessem à cabeça, chega à conclusão que aqueles sintomas encobriam uma outra dor. O sintoma físico, orgânico, nada mais é que uma defesa que impede o sujeito de se haver com esse inexorável vazio existencial. Logo ele percebe que para isso a palavra era um santo remédio. Deixar falar aqueles que sofrem.
É assim que funciona uma psicanálise. O paciente quando nos procura geralmente chega com uma demanda específica. Algo o impede de progredir na vida, de se relacionar com as outras pessoas, sente-se inibido, seja em sua vida amorosa ou no trabalho. Nos procuram porque sofrem, sem saber exatamente a razão disso. Um trabalho analítico se faz através da escuta singular de cada um daqueles que se dispõem a trilhar esse caminho. Entendemos que os sintomas de que se queixam os pacientes, são na verdade uma defesa desenvolvida pelo sujeito, para poder suportar o que num primeiro momento ainda não é possível ver. Numa psicanálise, não temos como objetivo livrar o paciente de seu sintoma. E você com razão deve estar se perguntando: eu estou aqui sofrendo e vou procurar alguém que não me dá garantias de que vai eliminar a minha dor? Sim, como dissemos anteriormente, o sintoma é uma defesa construída pelo sujeito e se por um lado causa dor, por outro causa prazer. Eliminá-lo simplesmente, sem entender por que ele foi criado, só fará com que esse sintoma apareça em outro lugar, e o que é pior, mais resistente. Na maior parte das vezes esses sintomas desaparecem rapidamente, sem que tenhamos nos ocupado diretamente deles. Nessa grande viagem que é um tratamento analítico, muitas descobertas vão sendo feitas pelo sujeito. É algo que se faz com muita paciência, tanto da parte do paciente, como do analista. A estrutura psíquica de nós humanos, não permite que essas mudanças ocorram de forma abrupta. É preciso então respeitar o tempo de cada um. Há que se ter muito cuidado com aqueles que prometem resultados rápidos. Quando me perguntam o que é uma psicanálise, costumo fazer a seguinte metáfora. Imagina que você veio de um outro planeta e que nunca viu alguém dançar. Você pergunta então o que é dançar? Por mais que o seu interlocutor tente explicar teoricamente o que é a dança, você só irá saber dançando. Com a psicanálise é exatamente assim que se dá, é preciso experimentar para saber.

Por Maria Paula Teperino – Psicanalista.

Edf. Itabuna Trade Center- sala 911 e 912, Av. Princesa Isabel, 395, Banco Raso- Itabuna (BA).

CEP: 45.607-291 – Tel.: (73) 3212-7070 / 8882-8060

E-mail: clinicapersonaitabuna@gmail.com

Dormem na cama dos pais até quando querem

Largam mamadeira e chupeta quando querem. Só comem o que querem.
E dai? Que mal faz?

Anti-Social aos 11 anos.
Melhor celular a cada Natal.
Surdos com seus fones de ouvido.
Centenas de amigos virtuais.
Não pensam nos riscos.
Festa social? Se não for top, nem vou.
Alto grau de exigência. Conseguem tudo o que querem.
E dai? Que mal faz?

Os pais não precisam brincar.
O celular faz isso.
Os pais não precisam buscar nas festas.
O Uber faz isso.
Os pais não precisam cozinhar.
O Ifood faz isso.
Os pais não precisam nem educar. A escola integral faz isso.
E daí? Que mal faz?
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Nem pensam que tudo o que o filho quer é “um puxão de orelha” e uma bronca: “hoje não é dia de festa! Vai comer comida que presta!” Criar filhos está “mais facil”, mais cômodo, afinal, a crianca resolve tudo com cliques na tela.
E daí? Que mal faz?

Ler para o filho? Cantar musica e fazer cafuné? Luxo para poucos. Os pais estão desconectados. Precisam de ajuda, mas só aceitam quando a bomba explode.
Pais e filhos sob o mesmo teto mas diálogo zero. Nem um filme juntos. Mas sempre conseguem aquela selfie de família perfeita. Afinal, o que importa é mostrar que é feliz. Ter mil curtidas.
Mal sabem o que é um jogo de tabuleiro. Pensar virou uma coisa que dói. Fazer criança pensar parece que é fazê-la sofrer.

E o que você quer ser quando crescer?
Youtuber. Blogueira. Vlogueira.
Digital influencer.
Estudar, entrar na faculdade, se especializar… imagina!! Não sei esperar.
Não sei ouvir não.
Não sei o que é frustração e rejeição.
Culpa de quem?
Ops! Nao se pode falar nisso.
Não pode é mais nada.
Não pode dar palmada, não pode falar alto, nem em pé com a criança. Não pode castigá-lo. Não pode nem falar não.
E o tempo passando. Os filhos crescendo. Drogas e suicídio aumentando.

Querem tudo pra já.
Bem no esquema “venha a nós o vosso reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no Céu”. E ai do adulto que não disser “amém!”


Denise Dias – Terapeuta*

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