Adolescentes em Risco

A Transição entre infância e fase adulta pode ser psiquicamente dolorosa. E lidar com as pressões se tornar uma ameaça á própria vida.

A orca assassina contra a baleia azul

Tudo converge para a produção de uma subjetividade na qual a palavra, um fator protetor universal do suicídio, se torna um bem cada vez mais escasso

Os filmes Tubarão, de 1975, e Orca: a baleia assassina, de 1977, povoaram a adolescência com a ideia de que por trás, ou mais abaixo, da nossa calmaria marinha, pode haver monstros insuspeitos. Tipicamente são histórias sobre uma família pacata em férias, ou um pequeno vilarejo sossegado, que ignora a existência de perigos próximos, que no mais das vezes eles mesmos incitam desavisadamente. Esta também foi a moral subliminar de filmes como Jurassic Park e sua extensa fauna de dinossauros congêneres entre 1993 e 2001. A geração que cresceu acalentando o terror subterrâneo, que emerge repentinamente, de modo assassino e devorador, tem agora filhos adolescentes. E é essa mesma geração que está às voltas com um incremento de suicídios juvenis, não só no Brasil como no mundo, especialmente nos países asiáticos. Nos anos 1980 o Brasil tinha uma taxa de 0.2 para o suicídio infantil, hoje estamos em 1%, o que fez o número de mortes ultrapassar aqueles causados pelo HIV-aids.

Muitas causas serão levantadas aqui, desde os números maiúsculos para a presença de transtornos mentais nessa situação até transformações nos modos de criação e na expectativa de sucesso ou felicidade. Não creio que uma estatística semelhante, feita nos anos 1980, com os mesmos critérios diagnósticos de hoje, nos levaria a números distintos. Também desconfio dos progressos de nossas exigências narcísicas, quando penso o que significava uma gravidez adolescente antes e hoje. A relação entre adolescência e suicídio é contemporânea da invenção da adolescência como uma fase da vida ligada a certa experimentação do real, mais além e mais aquém das próprias capacidades corporais, cognitivas e desejantes.

O fato que me parece crucial e distintivo nesta tendência, e que se confirma tanto nos usuários típicos de jogos como Baleia Azul e narrativas existenciais como 13 reasons why é a reincidência de um traço já anunciado em Tubarão: a angústia vivida em silêncio. O mar calmo com suas profundezas silenciosas, contudo assassinas. Particularmente o Brasil assistiu à formação de uma nova geração extremamente acossada pelo moralismo. O discurso sobre a própria fragilidade ou vulnerabilidade é repudiado pelo novo código de honra que opõe o silenciamento forçado à denúncia e a consequente imagem vitimista. Pais compreensivos, escolas inclusivas, discursos de renovação cultural, tudo converge para a produção de uma subjetividade na qual a palavra, este fator protetor universal do suicídio, se torna um bem cada vez mais escasso. Desta forma, o perigo silencioso continua a prosperar nas profundezas de vidas regidas por procedimentos cada vez mais estritos de aceitação e reconhecimento.

Tipicamente nos filmes dos anos 1970 um erro acidental, como um arpão que atinge uma orca grávida, desencadeava uma sequência de ataques vingativos, incompreensíveis para os marinheiros e banhistas. Há coisas que fazemos sem saber que estamos fazendo, e estas se voltam contra nós. Por exemplo, Hannah, em uma das suas 13 razões, se deixa fotografar em um beijo lésbico, por um fotógrafo mirim que talvez estivesse interessado nela. Depois de entregar os originais, ele a convida para um encontro e ela o despacha rindo. Humilhado, ele retransmite o material para a escola, o que atrapalha sua relação com a amiga e estraga seu baile de formatura. O raciocínio jurídico-moral verá aqui mais uma razão para culpar o Outro pelo progresso da miséria psíquica da menina. Na mesma linha ele argumentará que não se deve inverter os motivos e culpar a vítima. Contudo, ao excluir o efeito “orca assassina”, seja ele representado pelo riso de desprezo, seja pela vingança fotográfica, deixamos de dar lugar àquilo pelo qual somos responsáveis, mesmo não sendo culpados. Caminho certo para reverter a angústia e a inconformidade com o mundo para a agressividade contra si. Encurtamos o pensamento, reduzindo causas a motivos e motivos a razões. Ao reduzir o pensamento e privar a circulação da palavra é a Baleia Azul quem vence.

Por: Christian Ingo Lenz Dunker

 

http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/a_orca_assassina_contra_a_baleia_azul.html

 

 

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Síndrome do comer noturno

O que é a síndrome do comer noturno?

A síndrome do comer noturno é uma alteração mista entre transtorno do sono e transtorno do humor. Tipicamente, os pacientes comem à noite mais da metade das calorias totais que usam ingerir nas 24 horas, mas mesmo pacientes que comem normalmente durante o dia podem ter o transtorno. Às vezes, eles comem à noite numa espécie de estado sonambúlico, durante o qual “atacam a geladeira” e depois de acordados não se lembram do que fizeram. Depois de comerem, podem pegar no sono novamente e voltar a acordar uma ou mais vezes durante a noite, só conseguindo voltar a dormir se comerem novamente. Pela manhã, perdem o apetite e alimentam-se pouco, o que pode gerar um estado de fraqueza, mudança de humor e ansiedade ao longo do dia.

A tríade sintomática característica desta síndrome foi inicialmente descrita como:

  1. Hiperfagia.
  2. Insônia.
  3. Inapetência durante o dia.

Quais são as causas da síndrome do comer noturno?

Não há uma causa específica estabelecida. Ao contrário de muitas condições psicológicas, aqui não há uma tendência genética para o aparecimento desta condição. A síndrome do comer noturno envolve alterações da química cerebral, do hormônio

melatonina (hormônio que regula o sono) e da leptina (proteína que suprime o apetite), entre outros.

Quais são os sinais e sintomas da síndrome do comer noturno?

A síndrome do comer noturno é caracterizada por excessos alimentares que geralmente ocorrem pela madrugada, longe da censura das demais pessoas, acompanhados de perda do controle e de sentimentos posteriores de culpa.

Como o médico diagnostica a síndrome do comer noturno?

Os pacientes com síndrome do comer noturno em geral ingerem à noite uma quantidade de alimento maior do que durante o dia, com preferência por alimentos gordurosos e ricos em carboidratos. Apresentam também uma piora de humor à noite.

Como o médico trata a síndrome do comer noturno?

Não existe um tratamento específico para a síndrome do comer noturno. Indica-se psicoterapia e medicações para corrigir a insônia e melhorar o humor. Enquanto o transtorno não seja corrigido, uma providência pode ser deixar à mão, durante a noite, opções alimentares leves, como gelatina diet, por exemplo.

Como prevenir a síndrome do comer noturno?

  • Alimente-se adequadamente durante o dia.
  • Faça atividades físicas regulares e tenha hábitos de vida saudáveis.
  • Cuidado com as dietas restritivas, porque elas podem aumentar a fome noturna.

Como evolui a síndrome do comer noturno?

A síndrome do comer noturno pode levar à obesidade e ao diabetes tipo 2 e às suas possíveis complicações.

 

Fonte:http://www.abc.med.br/p/psicologia..47.psiquiatria/321225/sindrome+do+comer+noturno.htm>. Acesso em: 29 mar. 2015.

 

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Freud e o “pequeno Hans”: a importância da figura paterna na vida da criança

Freud se ocupou, desde 1909, da cura de uma criança de cinco anos (que, por sinal, aconteceu por meio do pai) atingida por uma neurose fóbica – “medo de cavalos”. Desde lá, o tratamento analítico com crianças vem sofrendo mudanças. Infelizmente, porém, muitos se afastaram do sentido dado ao sintoma, preocupando-se apenas com o real dele. O gênio de Freud foi distinguir que o problema surgido no garoto tinha a ver com o relacionamento entre os pais e com a relação do menino com cada um deles. Sua preocupação não foi com o medo, mas com aquilo que ele tinha por missão ocultar.

A mãe, por algumas dificuldades que estava enfrentando, agarrou-se ao filho como seu suporte. Faltou ao pequeno Hans o apoio do pai para sentir-se seguro em deixar a relação dual, na qual a mãe quis aprisioná-lo. O menino então desenvolveu uma fobia, para nela exprimir sua angústia. Isso significa que o problema da criança apareceu para encobrir a angústia materna. O filho, enfim, tornou-se o representante daquilo que os pais não puderam enfrentar entre eles. Não se tratava de se ater ao sintoma – “medo de cavalos” – mas do que isso representava:  o fato do menino ter que enfrentar uma ordem de dificuldades não resolvida de seus pais.

O sintoma do filho não deve ser visto ou tratado como “do filho”, e sim como uma linguagem codificada, cujo sentido se esclarece a partir da estrutura familiar, pois é “sintoma dessa estrutura”. Ele vem no lugar de uma palavra que falta. O “medo de cavalos” apareceu no lugar de uma função paterna que se mostrava frágil, incapaz de interditar o vínculo do filho com a mãe. O pai de Hans foi incapaz de intervir nesse vínculo, impossibilitando que ocorresse um corte emocional no relacionamento intenso que se instalou entre o menino e sua mãe.

É por esse motivo que devemos ver o sintoma da criança como uma linguagem. Ele aparece como máscara ou palavra cifrada e se desenvolve na relação da criança com seus pais. Nenhum sintoma é criado pelo filho isoladamente. Por essa razão não devemos jamais isolá-lo, como se esse sintoma fosse consequência do menino apenas. Podemos ver o quanto a criança é o depositário de um drama que a ultrapassa.

O tratamento do filho por meio dos pais é uma possibilidade na psicanálise.  É através do filho que os pais têm a oportunidade de repensar sua história de vida, questionando suas “reais” angústias e encontrando alívio para  seu sofrimento e para o sofrimento de seu filho.

 

Edázima Aidar é psicanalista pela Sociedade Campinense de Psicanálise.

Fonte: http://caminhosdapsicanalise.com.br/freud-e-o-pequeno-hans-a-importancia-da-figura-paterna-na-vida-da-crianca/#.W28gyv91LcA.facebook

 

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Conselhos de uma Geriatra

Estamos envelhecendo. Não nos preocupemos! De que adianta, é assim mesmo. Isso é um processo natural. É uma lei do universo conhecida como a 2ª Lei da termodinâmica ou Lei da Entropia. Essa lei diz que: “A energia de um corpo tende a se degenerar e com isso a desordem do sistema aumenta”. Portanto, tudo que foi composto será decomposto, tudo que foi construído será destruído, tudo foi feito para acabar. Como fazemos parte do universo, essa lei também opera em nós.

Com o tempo, os membros se enfraquecem, os sentidos se embotam. Sendo assim, relaxe e aproveite.

Parafraseando Freud: “A morte é alvo de tudo que vive”.

Se você deixar o seu carro no alto de uma montanha, daqui a 10 anos ele estará todo carcomido. O mesmo acontece a nós.

O conselho é: Viva! Faça apenas isso. Preocupe-se com o dia de cada vez. Como disse um dos meus amigos a sua esposa: “me use, estou acabando!”. Hilário, porém realista.

Ficar velho e cheio de rugas é natural. Não queira ser jovem novamente, você já foi. Pare de evocar lembranças de romances mortos, vai se ferir com a dor que a si próprio inflige. Já viveu essa fase, reconcilie-se com sua situação e permita que o passado se torne passado. Esse é o pré- requisito da felicidade.

“O passado é lenha calcinada. O futuro é o tempo que nos resta: finito, porém incerto” como já dizia Cícero.

Abra a mão daquela beleza exuberante, da memória infalível, da ausência da barriguinha, da vasta cabeleira e do alto desempenho, pra não se tornar caricatura de si mesmo. Fazendo isso ganhará qualidade de vida.

Querer reconquistar esse passado seria um retrocesso e o preço a ser pago será muito elevado. Serão muitas plásticas, muitos riscos e mesmo assim você verá que não ficou como outrora. A flor da idade ficou no pó da estrada. Então, para que se preocupar?! Guarda os bisturis e toca a vida.

Essa resistência em aceitar as leis da natureza acaba espalhando sofrimento por todos os cantos. Advêm consequências desastrosas quando se busca a mocidade eterna, as infinitas paixões, os prazeres sutis e secretos, as loucas alegrias e os desenfreados prazeres.

Isso se transforma numa dor que você não tem como aliviar e condena à ruína sua própria alma.

Discreto, sem barulho ou alarde, aceita as imposições da natureza e viva a sua fase. Sofrer é tentar resgatar algo que deveria ter vivido e não viveu. Se não viveu na fase devida, o melhor a fazer é esquecer.

 Você não tem de experimentar todas as coisas, passar por todas as estradas e conhecer todas as cidades. Isso é loucura, é exagero. Faça o eu pode ser feito com o que está disponível.

Quer um conselho? Esqueça. Para o seu bem, esqueça o que passou. Tem tantas coisas interessantes para se viver na fase em que está. Coisas do passado não te pertencem mais.

Se você tem esposa e filhos, experimente vivenciar algo que ainda não viveram juntos, faça a festa, celebre a vida, agora você tem mais tempo, aproveite essa disponibilidade e desfrute. Aceitando ou não, o processo vai continuar. Assuma viver com dignidade e nobreza a partir de agora. Nada nos pertence.

Tive um aluno com 60 anos de idade que nunca havia saído de belo horizonte. Não posso dizer que, pelo fato de conhecer grande parte do brasil, sou mais feliz que ele. Muito pelo contrário, parecia exatamente o oposto.

O que importa é o que está dentro de nós, a velha máxima continua atual como nunca: “quem tem muito dentro precisa ter pouco fora”.

Esse é o segredo de uma boa vida.

                                                                                                                            Dr. Joston Miguel

 

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NOMOFOBIA: O VÍCIO PELO CELULAR

A nossa sociedade está sempre em constantes transformações tecnológicas, as quais é imperativo nos adaptarmos de maneira positiva a estas continuas mudanças. Quando esta adaptação acontece de maneira precária, inadequada ou ineficiente, surgem nos indivíduos diversos problemas de ordem física, emocional, comportamental e psicossocial. Com a internet não é diferente.

A internet facilita muito a nossa vida diária. Podemos fazer muitas coisas através desta ferramenta fantástica: interagir com novas pessoas, realizar pagamentos online, trabalhar, estudar e encontrar inúmeras possibilidades e oportunidades que antes sequer vislumbrávamos. Mas como tudo na vida apresenta os dois lados da moeda, dependendo do uso que fazemos de tudo, o advento da internet também trouxe consigo uma gama de desafios e consequências que a revolução tecnológica implementou, inclusive enfermidades para as pessoas que não a usam de uma maneira consciente.

Isto acontece quando as pessoas não sabem fazer uma boa administração do tempo de uso dos dispositivos eletrônicos, se deixando envolver além da conta, sem estabelecer limites, bem como deixam de viver as possibilidades de uma vida real para mergulhar em uma ilusão ou irrealidade. Sendo assim, sentem-se mais motivadas em viver em um outro mundo, o virtual. Temos o poder de escolher em utilizar a tecnologia a nosso favor, nos beneficiando de todas as facilidades que ela oferece, ou

nos tornarmos escravos dela, vivendo em uma solidão coletiva e desconectados da vida real, o que é alienante.

Gostaria de ressaltar acerca dos smartphones. Hoje, a função de um celular vai muito além do receber e realizar chamadas. Podemos fazer uso, abuso ou desenvolver uma dependência do aparelho móvel. Neste ultimo caso, o da dependência, tenho a impressão de que para algumas pessoas o celular passou a ser uma verdadeira extensão do próprio corpo.

Quando o uso de ferramentas tecnológicas como tablet ou smartphones se tornam um vicio ou uma dependência, prejudicando a realização das atividades cotidianas da pessoa, interferindo em suas relações sociais e familiares, prejudicando o foco nas atividades laborais e trazendo consequente prejuízo acadêmico ou lavorativo, já temos elementos suficientes para classificar um transtorno e que tem nome: nomofobia.

Caso você esteja apresentando os seguintes comportamentos:

1- constantemente controlando seus e-mails;

2- Não sai das redes sociais e deixa até de se alimentar para permanecer no chat;

3- Escuta o telefone tocar ou vibrar mesmo estando desligado (sintoma fantasma).

 Por Soraya Rodrigues

Fonte:http://www.revistamulheresmaduras.com.br/2018/07/18/nomofobia-o-vicio-pelo-celular/

 

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