Esquizofrenia: O que é? Tipos e sintomas.

A esquizofrenia é um transtorno mental ou distúrbio psíquico endógeno que afeta a consciência do “eu”, a percepção (perda do contato com a realidade), o pensamento, as emoções, o comportamento e as relações afetivas.

A esquizofrenia é um transtorno mental ou distúrbio psíquico endógeno que afeta a consciência do “eu”, a percepção (perda do contato com a realidade), o pensamento, as emoções, o comportamento e as relações afetivas.

Cientistas e estudiosos ainda não sabem explicar ao certo as suas causas, mas fatores genéticos e desequilíbrios neuroquímicos estão envolvidos, e apesar de ser classificada como endógena (independente de fatores externos), observamos que fatores ambientais são desencadeantes para quem tem a predisposição genética, bem como pode ser desenvolvida pelas pessoas que fazem utilização de substancias psicoativas ou mesmo aquelas que tiveram traumas encefálicos.

Geralmente, a esquizofrenia inicia-se na adolescência ou na fase inicial da vida adulta e muitas vezes os comportamentos característicos no início da doença se confundem com crises existenciais próprias desta fase da vida, mascarando desta forma os sintomas. A incidência é de 5% na população mundial e ocorre em todas as culturas, raças, gênero e condição socioeconômica.

Existem os sub-tipos de esquizofrenia: Indiferenciado, Paranóide, Hebefrênico, Desorganizado, Catatônico e Residual.

O diagnóstico é realizado por um profissional da saúde mental e consiste em avaliação direta do paciente e dos sintomas por este apresentados bem como de entrevista com familiares sobre a capacidade funcional e relacional do paciente e dos sintomas que caracterizam a doença. No entanto, antes são realizados exames de sangue, dentre outros para que sejam descartados doenças e condições médicas gerais que apresentem sintomatologia semelhante ao da esquizofrenia, tais como uso de anfetaminas, da cocaína, presença de tumores cerebrais, dentre outras.

Os principais sintomas da esquizofrenia são:

Comportamentos bizarros, apatia, indiferença emocional, isolamento social, alucinações (ouvir e ver coisas que não existem), delírios, desorganização cognitiva (pensamento desordenado), sintomas ansiosos, depressivos e persecutórios. Um sintoma muito recorrente é o da pessoa sentir-se vítima de complô ou armação por parte de outras pessoas ou grupos, embora evidencias racionais mostrem o contrário.

Quanto mais cedo for diagnosticada e a intervenção for realizada, menores serão os danos causados e melhor será’ o tratamento.

Nota importante: Este artigo tem função informativa e psicoeducativa, não pretendendo diagnosticar. Caso se identifique com os sintomas elucidados, procure ajuda profissional especializada o quanto antes.

Por SORAYA RODRIGUES ARAGÃO

Fonte: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/esquizofrenia-o-que-e-tipos-e-sintomas/

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Você sabe a diferença de um psiquiatra, um psicólogo e um psicanalista?

Não se preocupe se a resposta for não. Poucas pessoas sabem fazer essa distinção, mas ela é importante na hora de procurar um profissional.

A verdade é que boa parte das pessoas têm muita resistência em buscar a ajuda de um “PSI”, seja ele psicólogo, psicanalista, ou mesmo um psiquiatra. As razões são várias e não é nosso intuito no momento aprofundá-las aqui. O que sabemos pelo que escutamos em nossos consultórios, é que, na maior parte das vezes o sujeito já buscou inúmeras tentativas de soluções para suas dores intangíveis, como médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos. Já se submeteu a inúmeros procedimentos estéticos, já escalou montanhas, peregrinou pelo Tibete, fez o Caminho de Santiago de Compostela, fez promessa para o seu santo de devoção, antes de chegar a procurar um “PSI”. Quando nada disso resolveu, quem sabe aquele amigo para quem você repete sempre a mesma história de fracasso, já não tendo mais o que te falar, te diga a seguinte frase: que tal você buscar uma terapia?
Se seu amigo já faz um tratamento com um “psi”, ele pode até te sugerir alguém, mas na maior parte das vezes, ele também não sabe direito quem indicar, e você acaba sem saber que tipo de ajuda você deseja. É bom, então, que você saiba a diferença entre esses profissionais.

Um psiquiatra é um profissional formado em medicina. Ele ouvirá as queixas daqueles que o procuram, e detectando algum sintoma, na maior parte das vezes irá prescrever um medicamento. Esses sintomas geralmente estão classificados no CID – Código Internacional de Doenças. Dependendo do que disser o paciente, o médico saberá se ele sofre de uma depressão, de uma determinada síndrome, de uma compulsão e por aí vai, já que a lista de doenças psíquicas classificadas no CID é bastante extensa. A depender do profissional, o tempo de consulta pode variar, mas geralmente gira em torno de 40 minutos a 1 (uma) hora. É pedido que o paciente retorne pelo menos uma vez por mês, para que a dosagem do remédio prescrito possa ser avaliada. Há, entretanto, psiquiatras que além de prescreverem um fármaco, encaminham também seus pacientes para conjuntamente com o medicamento, se submetam a uma psicoterapia, ou mesmo para uma psicanálise. Isso depende de profissional para profissional. O inverso também pode ocorrer. Em algum momento de uma terapia, o psicólogo ou o psicanalista, podem achar que aquele paciente necessita ser encaminhado a um psiquiatra para avaliar a necessidade ou não do uso de medicamento.

Já uma psicoterapia é feita por um profissional formado em psicologia. A psicologia é uma ciência que tenta investigar as causas do comportamento. Os psicólogos atuam em diferentes frentes, como em escolas, hospitais, selecionando e treinando pessoas para o mercado profissional, no esporte e tantos outros. Quando a atuação desses profissionais se dá em consultórios ou mesmo em uma clínica, estamos diante então da Psicologia Clínica, que tem como objetivo, através da escuta singular de cada paciente propiciar uma mudança de comportamento a partir do autoconhecimento, e com isso aliviar as dores daqueles que o procuram. O paciente conta para o psicólogo o que ele sabe, e juntos eles tentam modificar comportamentos que causam o sofrimento. As linhas teórico práticas dentro da clínica são inúmeras. É bom que você pergunte ao profissional que está te atendendo qual a linha teórica que ele segue. Geralmente o atendimento é feito individualmente, mas também pode acontecer do atendimento ser em família, ou com o casal. Isso depende de profissional para profissional, de sua linha de atuação, e das queixas trazidas pelo paciente. Normalmente os atendimentos acontecem semanalmente, mas como disse anteriormente cada linha teórica tem suas especificidades e esses esclarecimentos são fornecidos aos pacientes nas primeiras entrevistas. O tempo de duração de uma psicoterapia também vai variar de acordo com cada paciente, sendo difícil fazer esse tipo de previsão.

Bem, chegamos então ao psicanalista. Na maior parte das vezes, é difícil para o leigo fazer a distinção entre um atendimento psicológico e uma psicanálise. Essa última, só pode ser feita por um psicanalista. Para ser psicanalista não é necessário ser formado em psicologia ou em medicina. Um psicanalista é aquele que tem formação através de uma Escola de Psicanálise, faz supervisão com um outro profissional mais experiente (ou já fez), faz ou já concluiu o seu percurso de análise. Ninguém pode se dizer psicanalista se não se submeteu a uma análise! O exercício desse ofício está fincado no seguinte tripé: análise, supervisão e estudo teórico.

A Psicanálise, foi criada por um médico austríaco, chamado Sigmund Freud, no final do Século XIX. Ao receber pacientes, em especial mulheres, com paralisias, cegueiras, espasmos e outros tantos sintomas físicos, sem que houvesse razões orgânicas para tal, Freud, depois de escutar suas histórias, constata que não se tratava de farsa ou teatro, como muitos acreditavam à época, mas que o que se manifestava como uma doença orgânica, na verdade apontava para um outro lugar, uma outra cena, que ele vai depois denominar de inconsciente. Uma ideia muito ameaçadora para esses pacientes, insuportável de se suportar havia sido recalcada. Ocorre, entretanto, que a ideia é possível de ser recalcada, mas o afeto ligado a essa ideia não, fazendo com que ele se ligue a uma outra ideia. Assim, os sintomas que daí decorrem, se tornam inexplicáveis. Foi então que Freud deixando que essas mulheres falassem o que lhes viessem à cabeça, chega à conclusão que aqueles sintomas encobriam uma outra dor. O sintoma físico, orgânico, nada mais é que uma defesa que impede o sujeito de se haver com esse inexorável vazio existencial. Logo ele percebe que para isso a palavra era um santo remédio. Deixar falar aqueles que sofrem.
É assim que funciona uma psicanálise. O paciente quando nos procura geralmente chega com uma demanda específica. Algo o impede de progredir na vida, de se relacionar com as outras pessoas, sente-se inibido, seja em sua vida amorosa ou no trabalho. Nos procuram porque sofrem, sem saber exatamente a razão disso. Um trabalho analítico se faz através da escuta singular de cada um daqueles que se dispõem a trilhar esse caminho. Entendemos que os sintomas de que se queixam os pacientes, são na verdade uma defesa desenvolvida pelo sujeito, para poder suportar o que num primeiro momento ainda não é possível ver. Numa psicanálise, não temos como objetivo livrar o paciente de seu sintoma. E você com razão deve estar se perguntando: eu estou aqui sofrendo e vou procurar alguém que não me dá garantias de que vai eliminar a minha dor? Sim, como dissemos anteriormente, o sintoma é uma defesa construída pelo sujeito e se por um lado causa dor, por outro causa prazer. Eliminá-lo simplesmente, sem entender por que ele foi criado, só fará com que esse sintoma apareça em outro lugar, e o que é pior, mais resistente. Na maior parte das vezes esses sintomas desaparecem rapidamente, sem que tenhamos nos ocupado diretamente deles. Nessa grande viagem que é um tratamento analítico, muitas descobertas vão sendo feitas pelo sujeito. É algo que se faz com muita paciência, tanto da parte do paciente, como do analista. A estrutura psíquica de nós humanos, não permite que essas mudanças ocorram de forma abrupta. É preciso então respeitar o tempo de cada um. Há que se ter muito cuidado com aqueles que prometem resultados rápidos. Quando me perguntam o que é uma psicanálise, costumo fazer a seguinte metáfora. Imagina que você veio de um outro planeta e que nunca viu alguém dançar. Você pergunta então o que é dançar? Por mais que o seu interlocutor tente explicar teoricamente o que é a dança, você só irá saber dançando. Com a psicanálise é exatamente assim que se dá, é preciso experimentar para saber.

Por Maria Paula Teperino – Psicanalista.

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Dormem na cama dos pais até quando querem

Largam mamadeira e chupeta quando querem. Só comem o que querem.
E dai? Que mal faz?

Anti-Social aos 11 anos.
Melhor celular a cada Natal.
Surdos com seus fones de ouvido.
Centenas de amigos virtuais.
Não pensam nos riscos.
Festa social? Se não for top, nem vou.
Alto grau de exigência. Conseguem tudo o que querem.
E dai? Que mal faz?

Os pais não precisam brincar.
O celular faz isso.
Os pais não precisam buscar nas festas.
O Uber faz isso.
Os pais não precisam cozinhar.
O Ifood faz isso.
Os pais não precisam nem educar. A escola integral faz isso.
E daí? Que mal faz?
.
Nem pensam que tudo o que o filho quer é “um puxão de orelha” e uma bronca: “hoje não é dia de festa! Vai comer comida que presta!” Criar filhos está “mais facil”, mais cômodo, afinal, a crianca resolve tudo com cliques na tela.
E daí? Que mal faz?

Ler para o filho? Cantar musica e fazer cafuné? Luxo para poucos. Os pais estão desconectados. Precisam de ajuda, mas só aceitam quando a bomba explode.
Pais e filhos sob o mesmo teto mas diálogo zero. Nem um filme juntos. Mas sempre conseguem aquela selfie de família perfeita. Afinal, o que importa é mostrar que é feliz. Ter mil curtidas.
Mal sabem o que é um jogo de tabuleiro. Pensar virou uma coisa que dói. Fazer criança pensar parece que é fazê-la sofrer.

E o que você quer ser quando crescer?
Youtuber. Blogueira. Vlogueira.
Digital influencer.
Estudar, entrar na faculdade, se especializar… imagina!! Não sei esperar.
Não sei ouvir não.
Não sei o que é frustração e rejeição.
Culpa de quem?
Ops! Nao se pode falar nisso.
Não pode é mais nada.
Não pode dar palmada, não pode falar alto, nem em pé com a criança. Não pode castigá-lo. Não pode nem falar não.
E o tempo passando. Os filhos crescendo. Drogas e suicídio aumentando.

Querem tudo pra já.
Bem no esquema “venha a nós o vosso reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no Céu”. E ai do adulto que não disser “amém!”


Denise Dias – Terapeuta*

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O CORPO FALA!

Engole o choro.

 Engole sapo.

 Cala a boca.

 Cala o peito.

 Mas o corpo fala, e como fala.

 Fala a ponta dos dedos batendo na mesa.

 Falam os pés inquietos na cama.

 Fala a dor de cabeça.

 Fala a gastrite, o refluxo, a ansiedade.

 Fala o nó na garganta atravessado.

 Fala a angústia, fala a ruga na testa.

 Fala a insônia, o sono demasiado.

 Você se cala, mas o falatório interno começa.

 As pessoas adoecem porque cultivam e guardam as coisas não digeridas dentro de seus corações.

O normal do ser humano seria a comunicação e conseguir dizer o que está sentindo. Mas nem todos se habilitam para esse difícil exercício.

Nem sempre digerimos bem aquelas pequenas coisas, como mensagens mal respondidas, as palavras que machucam.

Você finge que não ouviu, engole e tudo isso vai se acumulando até que um dia enche.

Esses pequenos fatos indigestos percorrem a garganta, entram no estômago, invadem o peito, e se deixarmos, calará nossa boca e nossa paz.

O importante é não deixar acumular ou achar que simplesmente vai aliviar com o passar dos dias.

O tempo até tem um papel importante, mas não resolve tudo.

Tentar mostrar que tudo sempre está bem requer muita energia, o desgaste emocional é grande.

CORAÇÃO NÃO É GAVETA.

Não dá pra engolir tudo e dizer amém! Eu sei.

Também não dá pra sair por aí vomitando as coisas entaladas na sua garganta. Mas dá para se expressar.

Tem hora que o sentimento pede pra ser dito, entendido, decodificado, traduzido.

Tudo que ele quer é ser exorcizado pela palavra ou pela via que lhe cabe melhor.

Expressar tranquiliza a dor. Dor não é pra sentir pra sempre. Dor é vírgula.

Então, faz uma carta, um poema, um livro.

Canta uma música.

Pega as sapatilhas, sapateia.

Faz uma aquarela.

Faz uma vida.

Faz piada, faz texto, faz quadro, faz encontro com amigos.

Faz corrida no parque.

Fala pro seu analista, fala para Deus, para o universo… se pinta de artista.

Conversa sozinho, papeia com seu cachorro, solta um grito pro céu, mas não se cale.

Pois “se você engolir tudo que sente, no final você se afoga”.

Por Rana Vitoria (Adaptado de texto publicado por Isabel Araújo)

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Idosos órfãos de filhos vivos são os novos desvalidos do século XXI

Atenção e carinho estão para a alegria da alma, como o ar que respiramos está para a saúde do corpo. Nestas últimas décadas surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que impacta negativamente no modo de vida de toda a família. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões

A ordem era essa: em busca de melhores oportunidades, vinham para as cidades os filhos mais crescidos e não necessariamente os mais fortes, que logo traziam seus irmãos, que logo traziam seus pais e moravam todos sob um mesmo teto, até que a vida e o trabalho duro e honesto lhes propiciassem melhores condições. Este senhor, com olhos sonhadores, rememorava com saudade os tempos em que cavavam buracos nas terras e ali dormiam, cheios de sonho que lhes fortalecia os músculos cansados. Não importava dormir ao relento. Cediam ao cansaço sob a luz das estrelas e das esperanças.

A evasão dos mais jovens em busca de recursos de sobrevivência e de desenvolvimento, sempre ocorreu. Trabalho, estudos, fugas das guerras e perseguições, a seca e a fome brutal, desde que o mundo é mundo pressionou os jovens a abandonarem o lar paterno. Também os jovens fugiram da violência e brutalidade de seus pais ignorantes e de mau gênio. Nada disso, porém, era vivido como abandono: era rompimento nos casos mais drásticos. Era separação vivida como intervalo, breve ou tornado definitivo, caso a vida não lhes concedesse condição futura de reencontro, de reunião.

Separação e responsabilidade

Assim como os pais deixavam e, ainda deixam seus filhos em mãos de outros familiares, ao partirem em busca de melhores condições de vida, de trabalho e estudos, houve filhos que se separaram de seus pais. Em geral, porém, isso não é percebido como abandono emocional. Não há descaso nem esquecimento. Os filhos que partem e partiam, também assumiam responsabilidades pesadas de ampará-los e aos irmãos mais jovens. Gratidão e retorno, em forma de cuidados ainda que à distância. Mesmo quando um filho não está presente na vida de seus pais, sua voz ao telefone, agora enviada pelas modernas tecnologias e, com ela as imagens nas telinhas, carrega a melodia do afeto, da saudade e da genuína preocupação. E os mais velhos nutrem seus corações e curam as feridas de suas almas, por que se sentem amados e podem abençoá-los. Nos tempos de hoje, porém, dentro de um espectro social muito amplo e profundo, os abandonos e as distâncias não ocupam mais do que algumas quadras ou quilômetros que podem ser vencidos em poucas horas. Nasceu uma geração de ‘pais órfãos de filhos’. Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira. Pais mais velhos que sustentam os netos nas escolas e pagam viagens de estudo fora do país. Pais que cedem seus créditos consignados para filhos contraírem dívidas em seus honrados nomes, que lhes antecipam herança. Mas que não têm assento à vida familiar dos mais jovens, seus próprios filhos e netos, em razão – talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo – mas da crença de que seus pais se bastam.

Este estilo de vida, nos dias comuns, que não inclui conversa amena e exclui a ‘presença a troco de nada, só para ficar junto’, dificulta ou, mesmo, impede o compartilhar de valores e interesses por parte dos membros de uma família na atualidade, resulta de uma cultura baseada na afirmação das individualidades e na política familiar focada nos mais jovens, nos que tomam decisões ego-centradas e na alta velocidade: tudo muito veloz, tudo fugaz, tudo incerto e instável. Vida líquida, como diz Zygmunt Bauman, sociólogo polonês. Instalou-se e aprofundou-se nos pais, nem tão velhos assim, o sentimento de abandono. E de desespero. O universo de relacionamento nas sociedades líquidas assegura a insegurança permanente e monta uma armadilha em que redes sociais são suficientes para gerar controle e sentimento de pertença. Não passam, porém de ilusões que mascaram as distâncias interpessoais que se acentuam e que esvaziam de afeto, mesmo aquelas que são primordiais: entre pais e filhos e entre irmãos. O desespero calado dos pais desvalidos, órfãos de quem lhes asseguraria conforto emocional e, quiçá material, não faz parte de uma genuína renúncia da parte destes pais, que ‘não querem incomodar ninguém’, uma falsa racionalidade – e é para isso que se prestam as racionalizações – que abala a saúde, a segurança pessoal, o senso de pertença. É do medo de perder o pouco que seus filhos lhes concedem em termos de atenção e presença afetuosa. O primado da ‘falta de tempo’ torna muito difícil viver um dia a dia em que a pessoa está sujeita ao pânico de não ter com quem contar.

A irritação por precisar mudar alguns hábitos. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões. Desde os poucos minutos dos sinais luminosos para se atravessar uma rua, até as grandes filas nos supermercados, a dificuldade de caminhar por calçadas quebradas e a hesitação ao digitar uma senha de computador, qualquer coisa que tire o adulto de seu tempo de trabalho e do seu lazer, ao acompanhar os pais, é causa de irritação. Inclusive por que o próprio lazer, igualmente, é executado com horário marcado e em espaço determinado. Nas salas de espera veem-se os idosos calados e seus filhos entretidos nos seus jornais, revistas, tablets e celulares. Vive-se uma vida velocíssima, em que quase todo o tempo do simples existir deve ser vertido para tempo útil, entendendo-se tempo útil como aquele que também é investido nas redes sociais. Enquanto isso, para os mais velhos o relógio gira mais lento, à medida que percebem, eles próprios, irem passando pelo tempo. O tempo para estar parado, o tempo da fruição está limitado. Os adultos correm para diminuir suas ansiosas marchas em aulas de meditação. Os mais velhos têm tempo sobrante para escutar os outros, ou para lerem seus livros, a Bíblia, tudo aquilo que possa requerer reflexão. Ou somente uma leve distração. Os idosos leem o de que gostam. Adultos devoram artigos, revistas e informações sobre o seu trabalho, em suas hiper especializações. Têm que estar a par de tudo just in time – o que não significa exatamente saber, posto que existe grande diferença entre saber e tomar conhecimento. Já, os mais velhos querem mais é se livrar do excesso de conhecimento e manter suas mentes mais abertas e em repouso. Ou, então, focadas naquilo que realmente lhes faz bem como pessoa. Restam poucos interesses em comum a compartilhar. Idosos precisam de tempo para fazer nada e, simplesmente recordar. Idosos apreciam prosear. Adultos têm necessidade de dizer e de contar. A prosa poética e contemplativa ausentou-se do seu dia a dia. Ela não é útil, não produz resultados palpáveis.

A dificuldade de reconhecer a falta que o outro faz.

Do prisma dos relacionamentos afetivos e dos compromissos existenciais, todas as gerações têm medo de confessar o quanto o outro faz falta em suas vidas, como se isso fraqueza fosse. Montou-se, coletivamente, uma enorme e terrível armadilha existencial, como se ninguém mais precisasse de ninguém. A família nuclear é muito ameaçadora. para o conforto, segurança e bem-estar: um número grande de filhos não mais é bemvindo, pais longevos não são bem tolerados e tudo isso custa muito caro, financeira, material e psicologicamente falando. Sobrevieram a solidão e o medo permanente que impregnam a cultura utilitarista, que transformou as relações humanas em transações comerciais. As pessoas se enxergam como recursos ou clientes. Pais em desespero tentam comprar o amor dos filhos e temem os ataques e abandono de clientes descontentes. Mas, carinho de filho não se compra, assim como ausência de pai e mãe não se compensa com presentes, dinheiro e silêncio sobre as dores profundas as gerações em conflito se infringem. Por vezes a estratégia de condutas desviantes dão certo, para os adolescentes conseguirem trazer seus pais para mais perto, enquanto os mais idosos caem doentes, necessitando – objetivamente – de cuidados especiais. Tudo isso, porém, tem um altíssimo custo. Diálogo? Só existe o verdadeiro diálogo entre aqueles que não comungam das mesmas crenças e valores, que são efetivamente diferentes. Conversar, trocar ideias não é dialogar. Dialogar é abrir-se para o outro. É experiência delicada e profunda de auto revelação. Dialogar requer tempo, ambiente e clima, para que se realizem escutas autênticas e para que sejam afastadas as mútuas projeções. O que sabem, pais e filhos, sobre as noites insones de uns e de outros? O que conversam eles sobre os receios, inseguranças e solidão? E sobre os novos amores? Cada geração se encerra dentro de si própria e age como se tudo estivesse certo e correto, quando isso não é verdade.

A dificuldade de reconhecer limites característicos do envelhecimento dos pais. Este é o modelo que se pode identificar. Muito mais grave seria não ter modelo. A questão é que as dores são tão mascaradas, profundas e bem alimentadas pelas novas tecnologias, inclusive, que todas as gerações estão envolvidas pelo desejo exacerbado de viver fortes emoções e correr riscos desnecessários, quase que diariamente. Drogas e violência toldam a visão de consequências e sequestram as responsabilidades. Na infância e adolescência os pais devem ser responsáveis pelos seus filhos. Depois, os adultos, cada qual deve ser responsável por si próprio. Mais além, os filhos devem ser responsáveis por seus pais de mais idade. E quando não se é mais nem tão jovem e, ainda não tão idoso que se necessite de cuidados permanentes por parte dos filhos? Temos aí a geração de pais desvalidos: pais órfãos de seus filhos vivos. E estes respondem, de maneira geral, ou com negligência ou, com superproteção. Qualquer das formas caracteriza maus cuidados e violência emocional.

Na vida dos mais velhos alguns dos limites físicos e mentais vão se instalando e vão mudando com a idade. Dos pais e dos filhos. Desobrigados que foram de serem solidários aos seus pais, os filhos adultos como que se habituaram a não prestarem atenção às necessidades de seus pais, conforme envelhecem. Mantêm expectativas irrealistas e não têm pálida ideia do que é ter lutado toda uma vida para se auto afirmar, para depois passar a viver com dependências relativas e dar de frente com a grande dor da exclusão social. A começar pela perda dos postos de trabalho e, a continuar, pela enxurrada de preconceitos que se abatem sobre os idosos, nas sociedades profundamente preconceituosas e fóbicas em relação à morte e à velhice. Somente que, em vez de se flexibilizarem, uns e outros, os filhos tentam modificar seus pais, ensinando-lhes como envelhecer. Chega a ser patético. Então, eles impõem suas verdades pós-modernas e os idosos fingem acatar seus conselhos, que não foram pedidos e nem lhes cabem de fato.

De onde vem a prepotência de filhos adultos e netos adolescentes que se arrogam saber como seus pais e avós devem ser, fazer, sentir e pensar ao envelhecer? É risível o esforço das gerações mais jovens, querendo educa-los, quando o envelhecimento é uma obra social e, mais, profundamente coletiva, da qual os adultos de hoje – que justa, porém indevidamente – cultivam os valores da juventude permanente e, da velhice não fazem a mais pálida ideia. Além do que, também não têm a menor noção de como haverão eles próprios de envelhecer, uma vez que está em curso uma profunda mudança nas formas, estilos e no tempo de se viver até envelhecer naturalmente e, morrer a Boa Morte. Penso ser uma verdadeira utopia propor, neste momento crítico, mudanças definidas na interação entre pais e filhos e entre irmãos. Mudanças definidas e, de nenhuma forma definitivas, porém, um tanto mais humanas, sensíveis e confortáveis. O compartilhar é imperativo. O dialogar poderá interpor-se entre os conflitos geracionais, quem sabe atenuando-os e reafirmando a necessidade de resgatar a simplicidade dos afetos garantidos e das presenças necessárias para a segurança de todos.

Quando a solidão e o desamparo, o abandono emocional, forem reconhecidos como altamente nocivos, pela experiência e pelas autoridades médicas, em redes públicas de saúde e de comunicação, quem sabe ouviremos mais pessoas que pensam desta mesma forma, porém se auto impuseram a lei do silêncio. Por vergonha de se declararem abandonados justamente por aqueles a quem mais se dedicaram até então. É necessário aprender a enfrentar o que constitui perigo, alto risco para a saúde moral e emocional para cada faixa etária. Temos previsão de que, chegados ao ano de 2.035, no Brasil haverá mais pessoas com 55 anos ou mais de idade, do que crianças de até dez anos, em toda a população. E, com certeza, no seio das famílias. Estudos de grande envergadura em relação ao envelhecimento populacional afirmam que a população de 80 anos e mais é a que vai quadruplicar de hoje até o ano de 2.050. O diálogo, portanto, intra e intergeracional deve ensaiar seus passos desde agora. O aumento expressivo de idosos acima dos 80 anos nas políticas públicas ainda não está, nem de longe, sendo contemplado pelas autoridades competentes. As medidas a serem tomadas serão muito duras. Ninguém de nós vai ficar de fora. Como não deve permanecer fora da discussão sobre o envelhecimento populacional mundial e as estratégias para enfrentá-lo.

Por Ana Fraiman

Fonte :https://www.revistapazes.com/5440-2/

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