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Ensaio sobre a obesidade

O corpo do obeso é lugar de gozo e de pulsações que geram atos psíquicos repetitivos. Ele é ainda mais complexo, é um corpo pesado pelo psíquico, pela biologia e pela pressão do social

O corpo que é incomodado pela pulsão, muitas vezes demanda análise. O corpo é campo concreto para aquisição de sintomas, adesão de mal-estares, investimento de energias psíquicas e representações de ideias inconscientes. O corpo é a fala na carne. Ele tem desmedido peso na teoria psicanalítica e em sua clínica. Na contemporaneidade, estamos vivendo a cultura dos avanços desenfreados, e com ela surgem novas aplicações do corpo e sobre o corpo, acompanhando (re)edições de sintomas e manifestações psíquicas. A noção de corpo acompanha a teoria psicanalítica desde os seus primórdios. Antes mesmo de Freud denominá-la de Psicanálise, está lá, registrada no “Projeto Para uma Psicologia Científica”, de 1895. Aliás, podemos dizer que foi o corpo que ligou Freud à Psicanálise. O corpo histérico manifestando enigmas obscuros do inconsciente, até então desconhecido pela Ciência. Ainda nessa lógica, o corpo foi o que impulsionou Freud a desvendar a obscuridade humana e a se encontrar com o psíquico. Do corpo histérico, como estimulante, ao corpo de Freud, impulsionado pelo Desejo, nascem os primeiros passos que o levariam à descoberta do inconsciente e à fundação da Psicanálise. De lá para cá esse corpo sofreu desmedidas variações em suas manifestações de linguagens psíquicas nas suas motilidades pulsionais. Do corpo histérico enveredamos ao corpo da psicossomática, da anoréxica, da bulímica, ainda o da “nova” configuração histérica, além do corpo erógeno e do narcísico. Temos ainda o complexo corpo do obeso que inflinge padrões sociais de nossa época, deixando esse corpo como estranho e tendendo-o o social à excluí-lo.

 

Na Psicanálise, o obeso deverá elaborar o peso que sua condição pulsional lhe colocou em parceria com o Desejo e o corpo

Assim como o da histeria, o corpo do obeso é um corpo estendido como lugar. O corpo do obeso é lugar de gozo e de pulsações que geram atos psíquicos repetitivos. O corpo do obeso é ainda mais complexo, é um corpo pesado pelo psíquico, pela Biologia e pela pressão do social; é um corpo que pesa na sua estreita relação com o Desejo, enfatizando sobre máscaras do prazer drásticas consequências tanto na vivência quanto na sobrevivência. É um corpo que sofre o verdadeiro peso do mal estar da civilização estampado em seu real na carne. Um corpo que se afastou do Desejo e se tornou problema social singular. Mais da metade dos brasileiros está acima do peso, a isto, chamamos de sobrepeso, obeso é um complexo ainda maior. Entenderemos o obeso como um sobrepeso que vai além, conforme veremos. O corpo representa o inconsciente, assim como o corpo deste escrito representa minhas ideias. O corpo é nossa ferramenta para moposdificar o mundo externo e a partir dele satisfazermos as necessidades e exigências pulsionais. Será assim também o corpo do obeso? De certo a pulsão coloca o corpo em movimento, promove a escolha e incomoda-nos em nossa inquietante busca. Já o obeso encontra dificuldades nessas articulações pulsionais e libidinosas, volta-se a si o peso das relações com o mundo. Peso este que leva-o muitas vezes à clínica psicanalítica, já que se foge do mundo externo deparando-se consigo mesmo – e de nós mesmos é impossível fugirmos. A Psicanálise pode possibilitar ao sujeito obeso o nascimento de uma leveza de ser, por meio do (re)encontro com o Desejo e com suas pulsões credenciadas, que jazem ancoradas ao corpo. Na Psicanálise, o obeso deverá elaborar o peso que sua condição pulsional lhe colocou em parceria com o Desejo e o corpo, restando sempre a pergunta: o que será que pesa mais, o corpo de um obeso sobre a balança ou seus conflitos psíquicos sobre o corpo?

Neurobiologia, fase oral e obesidade

O descontrole na quantidade de alimentos ingeridos, em paralelo com a falta de disciplina nos horários observados para o efeito, nos faz regressar ao estudo e investigação da fase oral, em que o peito da mãe lhe era oferecido ao ser observada a mais leve irritação. Associada a esta relação, suspeitamos que a excessiva intimidade corporal do bebê com a pele da mãe possa ocasionar nele uma excessiva erotização. No primeiro caso, o aspecto da disciplina, e de ser contemplado com o estritamente necessário, decerto lhe daria uma ordem, que de fato não podemos observar. No segundo caso, a excessiva erotização garante uma dependência relativamente ao objeto de desejo, ferindo de morte o caminho da autonomia. Somos confrontados com o objeto desejado e sexualizado, que devido ao padrão de estética idealizado na atualidade, não merece a atenção dos outros, recorrendo, por isso, a todos os métodos para que possa adquirir um modelo desejado e desejável, em que nos é dado a perceber a finalidade de ser amado. Eis a frustração, que empurra o obeso para o médico, e alguns para a análise, por impossibilidade, de por si só. tornar-se o modelo desejado da sociedade. Podemos ousar, e admitir, que existe uma conversão de excitações exageradas, por impossibilidade de descarga no mundo exterior, que reportam, mais ou menos, ao mesmo grau valorativo da irritação primária. Perante a irritação e na ausência do objeto de desejo, a comida servirá de apaziguador dessas excessivas excitações sentidas.

 

Cultura do espelho

 O sujeito do sobrepeso já ocupou lugares históricos de status. Freud, ao dizer do mal estar na civilização, perpassa a noção do belo aplicado à constituição civilizatória. Hoje, vê-se veemente isto, e o corpo atual cultivado é o dito sarado, magro e sem gorduras. Basta ativar qualquer órgão sensorial para percebê-los no ar dos atos humanos. Segundo Freud, a felicidade da vida é buscada predominantemente pela fruição da beleza. Freud postula, ainda, que “a atitude estética em relação ao objetivo da vida oferece muito pouca proteção contra a ameaça do sofrimento, embora possa compensá-la bastante” (Freud, 1930). Eis uma saída ofertada diante do cultural para o mal estar que hoje tornou-se ilusão. O belo encanta o olhar e convida ao encontro com o outro. Aqui, consideraremos o olhar como forte registro na constituição do sujeito, não apenas o olhar do visível com os olhos e, sim, o perceptível sensorialmente ao mundo e a si próprio. Na constituição do sujeito, é no perpassar a fase do espelho que o olhar se depara com o princípio de realidade e com a tênue separação da realidade psíquica com a realidade externa, assim como, também, com a noção do eu e o Outro. O olhar do obeso encontra dificuldade neste avanço e faz como Édipo na trama final de sua tragédia, onde fronte a frustração tenazmente fixado ao sentimento de culpa, perfura os próprios olhos e retorna a si próprio, regredindo-se por repressão. Ainda utilizando as metáforas mitológicas, chamaremos a presença da “Cabeça da Medusa”, que também representa o obeso mórbido de nossa contemporaneidade. O obeso, ao encarar frontalmente a ameaça de castração, transforma-se em pedra, cristalizando-se como o próprio Desejo, afastando-se dele nas desesperadas tentativas de saciar a falta, alimentando ainda mais o sintoma e mantendo a causa isolada sobre os gozos do corpo. Os obesos também se isolam, até mesmo simbolicamente, fazem do seu corpo sua “calota acústica”. Os “estranhos” que escapam ao culto do belo tendem a encontrar convites à exclusão. Assim foi com os loucos na história da loucura, assim está sendo com os usuários de tóxicos e com os obesos, já que a cultura em que vivemos no Brasil, e em boa parte do mundo, consiste em uma cultura escultural sobre o corpo. Literalmente, uma cultura do espelho. Temos espelhos de variadas formas e tamanhos, espalhados por todos os lados. O obeso apresenta-nos esses significantes. Por não brilhar aos olhos do outro, ele sofre no silêncio do encontro consigo mesmo. Engole o mundo em uma passividade que recorda a fase oral, fase fixada do obeso cuja repetição firma-se no erotismo oral. O obeso, assim como o sobrepeso, ultrapassa as margens visíveis julgadas pela cultura do espelho; o obeso caminha rumo ao alimento por questões singulares de sua história de vida. Utiliza o princípio de prazer e a tendência à repetição de uma fixação que o leva a compulsão alimentícia e envereda-o para questões biológicas mórbidas. Academias, medicamentos, pílulas, promessas, aparelhos, segredos, dietas, dentre outras, são as formas que o social se lembra como sendo dos obesos, na sociedade. Nas formas de lucrar. Quando eles não aderem a essas práticas ofertadas e caem no outro lado do consumismo geram sobre si mesmo um cordão de isolamento, no qual o social tende a afastar aquilo que reflete suas próprias questões, deslocando ao outro as agruras de si próprio. Neste sentido, a cultura do belo é, na verdade, a cultura do afastamento de si próprio sob máscaras de ilusões da tão sonhada completude, felicidade e modelo narcísico. Paga-se um preço pelo sustento desse Desejo infindável e também pelo seu não sustento. Ficando-nos sempre a pergunta: quais são as faíscas do fogo desse Desejo no social e o que ele queima no sujeito? É como se o obeso chegasse à clínica com o grito igual ao do filho ao pai no sonho do capítulo VII da “A Interpretação dos Sonhos”. “Pai, não vês que estou queimando?”

O obeso levado ao sobrepeso perpassa todas as classes sociais e idades. Questões psíquicas afetam o biológico que reflete no social que se volta ao corpo e com maior intensidade ao psíquico. Temos um sujeito biopsicossocial que sofre constantemente ataques pelas três vias – e aqui ele começa a diferenciar-se do sobrepeso. Daqui adiante estaremos a falar exclusivamente do obeso, entendido como um além do sobrepeso devido ao que se segue. O obeso, na verdade, é o reflexo de uma cultura que está abandonando o Desejo.

Obesidade e sujeito

O Desejo permanece o mesmo, sendo a mola mestre de cada um, que possibilita o sonhar. Para existir um sonho, deve necessariamente existir um Desejo. Porém, este Desejo carece de manutenções psíquicas, sendo um dos responsáveis e causadores destas deformações, o supereu – instância psíquica de forte cunho repressor. O supereu é a lei do aparelho, nossa moral psíquica, digamos assim. Dissemos moral, não ética; a ética permanece sendo a do Desejo. O supereu advém da cultura e é o herdeiro do complexo de Édipo. Desta forma, o sujeito obeso perdeu parte de sua ética em prol da avassaladora moral superegoica que lhe é imposta em sua forte repressão.

O obeso, assim como o sobrepeso, ultrapassa as margens visíveis julgadas pela cultura do espelho, e se mune de pulsações psíquicas

A nova configuração social influencia, nesta lógica, as manifestações do Desejo. (re)edita suas faces. Os sintomas histéricos, fonte da nascente pesquisa freudiana vestem outras roupagens. Os obesos mórbidos ganham espaços na cadeia sintomática atual, e isso, como qualquer outra coisa, não acontece por acaso. Na cadeia sintomática, o ser obeso afeta o corpo orgânico e psíquico, tentando sobreviver à pressão, hipertensões e demais doenças até mesmo cardíacas. Se estamos inclinados ao agora e temperados a abandonarmos buscas longas, esquecemos um pouco o Desejo, causador de sonhos, não só os noturnos, mas também os diurnos, que chamaremos aqui de “sonhos sociais” aqueles que mune os projetos para o futuro. Os planejamentos que nos levariam à realização destes sonhos, buscas, ‘ganham corpo’ ao se atualizar para satisfação imediata, no agora. O sujeito nasce do corte edipiano sobre a dominância do princípio de prazer que torna-se a posteriormente tendência. Quem, por ventura, seria o sujeito obeso? O obeso é aquele que, quando chega à clínica psicanalítica, chega recordando-nos da enigmática esfinge. Ele chega no ritmo do: “Decifra-me ou eu te devoro!”. Seus sintomas consistem, em geral, em compulsões atuantes sobre o alimento. Enquanto houver alimento ele come, ingere. Elegendo preferencialmente alimentos que carregam em si significantes que o remetem aos processos psíquicos. Quando está amargurado, alimenta-se de doce, para adoçar-se. Os alimentos gordurentos o elevam a uma sujeira que incorpora em si a falta de manifestação pulsional. Satisfaz momentaneamente o afeto, mantendo intacta a ideia, cujo objetivo de comer tende a isolar. Sua baixa resistência à frustração o faz tentar recompensar pela comida. No obeso, o ato de comer atravessa o instintual, sobrecarregando o pulsional e o corpo, levando o sujeito ao gozo do além de princípio de prazer sobre forma da repetição, que é o protótipo da pulsão de morte deslizante na plataforma de um prazer barato. O sujeito obeso está cada vez mais próximo ao encontro com o real, afastando-se do Desejo como busca, mantendo-o apenas como pedra angular de sua estrutura. O corpo do obeso é o sustento da sexualidade. A obesidade não é considerada uma patologia quando se restringe ao sobrepeso, ela é uma patologia na medida em que traz prejuízos ligados à questão biopsicossocial. O sujeito obeso tem fome pulsional como uma saída de um desamparo. O obeso escolhe o que comer, mas não quando parar de comer. É um sujeito fortemente reprimido. A pulsão nos permite a escolha, e a repetição estreita essa flexibilidade elegível. O desamparo, o alimentar-se e a passividade são os três representantes magistrais que ditam a influência da fixação na erotização oral, a mais arcaica do desenvolvimento humano segundo Freud. O aparelho psíquico produz suas próprias saídas e, quando este não mais se arranja satisfatoriamente, a clínica é acionada. O obeso, assim como aquele que tem uma questão mal resolvida, sente- se sensível em relação aos discursos sobre seus representantes, neste caso a comida. O ‘estranho’ trabalhado por Freud ataca e desencadeia a angústia que tende levá-lo para a sua única saída conhecida e experimentada pelo seu aparelho psíquico. O sujeito obeso é um sujeito que representa a atual civilização. Mostra-se influenciado pelo discurso da busca da felicidade e do culto à beleza, além do principal, que é o abandono do Desejo para realizações repetitivas do aqui e agora.

                                       (EDUARDO LUCAS ANDRADE e JOÃO ANTÔNIO FERNANDES)

 

FONTE:http://www.colegiogregormendel.com.br/gm_colegio/pdf/2013/textos/Revista-21.pdf

 

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O QUE PODE UMA ANÁLISE PSICANALÍTICA?

Tem coisas que a vida nos ensina. A vida, o tempo, as pessoas com quem a gente lida, as alegrias, as frustrações. Quem já esteve no fundo do poço bem sabe que no caminho para a superfície encontramos vários “mestres dos magos” que nos dizem, sem palavras, coisas valiosíssimas sobre a vida e sobre nós mesmos. O fundo do poço, as lágrimas, a tristeza, o sofrimento, essas coisas são importantes.

Mas se a vida nos ensina tantas coisas, o que pode uma psicanálise, diante da vida? Para essa pergunta arrisco duas respostas, aparentemente contraditórias, mas apenas aparentemente.

1) Pode pouco. A vida é muito maior do que a psicanálise. E tenho muitos pés atrás, tantos como se eu fosse uma centopeia, com psicanalistas que acham que a psicanálise é maior do que a vida, que confundem a psicanálise com religião. Freud já disse que a psicanálise não é uma Weltanschauung (visão de mundo), não pretende responder a todas as questões.

2) Pode muito, se considerarmos que nossa vida é salva por detalhes. A psicanálise é um detalhe que pode salvar uma vida.

Eu ousaria definir os efeitos de uma análise psicanalítica a um “supletivo de vida”. No divã (ou na poltrona, pois afinal de contas, um divã é apenas um móvel) aprendemos uma série de coisas que a vida nos ensinaria. Mas nos ensinaria nos estapeando, nos surrando, nos paralisando. E talvez nem mesmo assim nós aprendêssemos. (Quantas vidas são desperdiçadas com sintomas neuróticos e defesas?)

Já em uma psicanálise, rapidamente (quanto tempo é rapidamente? para cada um é uma resposta) aprendemos que nos afastar, que nos defender do nosso próprio desejo, é perda de tempo. Que não temos muito tempo de vida. Que cada respiração a mais é uma a menos e que isso faz toda a diferença. Que a nossa história nos auxilia a compreender nosso sofrimento, mas que não nos paralisa ali. Que nos alojamos no sintoma por medo da vida. E que viver com medo da vida é o melhor jeito de desperdiçá-la.
Aprendemos que as pessoas ao nosso redor esperam muito menos de nós do que nós exigimos e supomos. E que quando não é assim, quando o outro exige mesmo, muito, de nós, cabe a nós rompermos com ele ou, pelo menos, com as demandas dele.

Aprende-se muito em análise, não tanto com aquele que é nosso analista, mas com aquele que é o nosso inconsciente. Saber escutar – e dar consequências – àquilo que dizemos – é precioso. E assim a gente aprende a salvar a nossa própria vida. Aquilo que levaríamos muitos, muitos anos, talvez uma vida toda para saber, pode ser sabido em bem menos tempo.

E então, tem-se mais tempo e libido para a vida, para o trabalho, para o amor. É só isso.

Por Ana Suy

 

 

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Sem educação, os homens “vão matar-se uns aos outros”, diz António Damásio

O neurocientista António Damásio advertiu que “se não houver educação maciça, os seres humanos vão matar-se uns aos outros”. O neurocientista português falava no lançamento do seu novo livro A Estranha Ordem das Coisas, que decorreu esta terça-feira em Lisboa, na Escola Secundária António Damásio, e defendeu perante um auditório cheio que é preciso educarmo-nos para contrariar os nossos instintos mais básicos, que nos impelem a pensar primeiro na nossa sobrevivência.

“O que eu quero é proteger-me a mim, aos meus e à minha família. E os outros que se tramem. […] É preciso suplantar uma biologia muito forte”, disse o neurocientista, associando este comportamento a situações como as que têm levado a um discurso anti-imigração e à ascensão de partidos neonazis de nacionalismo xenófobo, como os casos recentes da Alemanha e da Áustria. Para António Damásio, a forma de combater estes fenômenos “é educar maciçamente as pessoas para que aceitem os outros”.

A Escola Secundária António Damásio foi o sítio escolhido pelo neurocientista português para lançar em Portugal a sua nova obra, que volta a falar da importância dos sentimentos, como a dor, o sofrimento ou o prazer antecipado.

“Este livro é uma continuação de O Erro de Descartes, 22 anos mais tarde. Em ‘O Erro de Descartes’ havia uma série de direções que apontavam para este novo livro, mas não tinha dados para o suportar”, explicou António Damásio, referindo-se ao famoso livro que, nos finais da década de 90, veio demonstrar como a ausência de emoções pode prejudicar a racionalidade.

O autor referiu que aquilo que fomos sentindo ao longo de séculos fez de nós o que somos hoje, ou seja, os sentimentos definiram a nossa cultura. António Damásio disse que o que distingue os seres humanos dos restantes animais é a cultura: “Depois da linguagem verbal, há qualquer coisa muito maior que é a grande epopeia cultural que estamos a construir há cem mil anos.”

O neurocientista acredita que o sentimento – que trata como “o elefante que está no meio da sala e de quem ninguém fala” – tem um papel único no aparecimento das culturas. “Os grande motivadores das culturas atuais foram as condições que levaram à dor e ao sofrimento, que levaram as pessoas a ter que fazer alguma coisa que cancelasse a dor e o sofrimento”, acrescentou António Damásio.

“Os sentimentos, aquilo que sentimos, são o resultado de ver uma pessoa que se ama, ou ouvir uma peça musical ou ter um magnífico repasto num restaurante. Todas essas coisas nos provocam emoções e sentimentos. Essa vida emocional e sentimental que temos como pano de fundo da nossa vida são as provocadoras da nossa cultura.”

No novo livro o autor desce ao nível da célula para explicar que até os microrganismos mais básicos se organizam para sobreviverem. Perante uma plateia com centenas de alunos, o investigador lembrou que as bactérias não têm sistema nervoso nem mente mas “sabem que uma outra bactéria é prima, irmã ou que não faz parte da família”.

Perante uma ameaça, como um antibiótico, “as bactérias têm de trabalhar solidariamente”, explicou, acrescentando que, se a maioria das bactérias trabalha em prol do mesmo fim, também há bactérias que não trabalham. “Quando as bactérias (trabalhadoras) se apercebem que há bactérias vira-casaca, viram-lhes as costas”, concluiu o neurocientista, sublinhando que estas reações são ao nível de algo que possui “uma só célula, não tem mente e não tem uma intenção”, ou seja, “nada disto tem a ver com consciência”.

E é perante esta evidência que o investigador conclui que “há uma coleção de comportamentos – de conflito ou de cooperação – que é a base fundamental e estrutural de vida”.

Durante o lançamento do livro, o investigador usou o exemplo da Catalunha para criticar quem defende que o problema é uma abordagem emocional e não racional: “O problema é ter mais emoções negativas do que positivas, não é ter emoções.”

 Fonte:https://www.publico.pt/2017/10/31/ciencia/noticia/sem-educacao-os-homens-vao-matarse-uns-aos-outros-diz-antonio-damasio-1791034

 

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Empatia faz bem, mas é preciso administrar

Bons sentimentos não bastam; é importante aprender a lidar com as emoções que o sofrimento alheio nos causa, não só para evitar o próprio desconforto, mas também para ter alguma chance de ser útil aos outros

 

Reconhecer quando um amigo ou colega está assustado, triste, irritado ou surpreso é uma espécie de chave fundamental para manter bons relacionamentos. Um novo estudo sugere, no entanto, que, se a habilidade para escutar os sentimentos alheios tomar proporções grandes demais, pode provocar uma dose extra de estresse – e, na prática, não ajudar quem está sofrendo nem aquele que se comove com a dor alheia.

Em um estudo publicado na edição de setembro de 2016 da Emotion, as psicólogas Myriam Bechtoldt e Vanessa Schneider, da Escola de Frankfurt de Administração e Finanças, na Alemanha, entrevistaram 166 estudantes universitários do sexo masculino e fizeram a eles uma série de perguntas com o objetivo de medir a sua capacidade de lidar com as emoções. Na sequência, as pesquisadoras mostraram aos voluntários uma série de fotografias de rostos de várias pessoas e perguntaram até que ponto sentimentos como felicidade ou desgosto eram expressos em seu semblante. Num segundo momento, os estudantes participaram de um exercício no qual deveriam fazer negociações como se estivessem numa situação profissional, em frente de juízes exibindo expressões faciais severas. Os cientistas mediram concentrações do cortisol, hormônio associado ao estresse, presente na saliva dos alunos antes e depois da tarefa.

Nos voluntários avaliados como mais inteligentes emocionalmente, as medidas de estresse aumentaram mais durante o experimento e demoraram mais tempo para voltar ao nível inicial. Os resultados sugerem que algumas pessoas podem ser emocionalmente espertas, mas isso não se reverte, necessariamente, para o seu próprio bem, diz Hillary Anger Elfenbein, professora de comportamento organizacional na Universidade de Washington em St. Louis, que não participou do estudo. “O envolvimento emocional pode causar apenas preocupação se não for canalizado de forma saudável”, observa.

Essa e outras pesquisas desafiam a visão predominante de que a empatia é sempre benéfica para quem a sente. Um trabalho publicado em 2002 já sugeria que as pessoas emocionalmente perceptivas podem ser particularmente suscetíveis a sintomas de depressão, decorrentes da sensação de impotência por não conseguir ajudar os outros a sair de seu sofrimento.

“Não há dúvidas de que a empatia é uma qualidade extremamente útil, mas não basta; é fundamental aprender a lidar adequadamente com as emoções, tanto as nossas quanto as alheias”, diz Bechtoldt. Segundo ela, pessoas muito sensíveis podem se sentir identificadas demais ou inclinadas a assumir a responsabilidade pela tristeza ou raiva alheias. Por mais que uma situação nos mobilize, é importante ter em mente que cada um tem responsabilidade sobre a própria história, e, às vezes, o melhor a fazer num momento delicado é estar perto, escutar e suportar que a pessoa sofra, sem tentar aplacar a dor por causa das nossas próprias fragilidades. “Pode parecer pouco, mas é transformador”, comenta a psicóloga.

Ela enfatiza que para ajudar alguém é fundamental não se misturar às suas mazelas. Especialistas acreditam que o autoconhecimento, alcançado por meio da psicoterapia, é uma forma bastante eficaz de mobilizar e desenvolver recursos psíquicos, capaz de fortalecer a capacidade de reconhecer as próprias limitações – e possibilidades.

Outros estudos mostram facetas ainda menos exploradas da capacidade de compreender o que as pessoas sentem. Um deles, publicado em 2013 na PLOS ONE, revela que essa habilidade pode ser usada para manipular outros e, assim, obter ganho pessoal. Mais pesquisas são necessárias para mostrar com maior clareza de que maneira se dá a relação entre inteligência emocional e estresse. Estão em andamento atualmente investigações similares em que são acompanhadas mulheres e grupos mistos com pessoas de diferentes idades e formação.

                                                                               Da redação-Mente Cérebro

 

FONTE:http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/empatia_faz_bem_mas_e_preciso_administrar.html

 

 

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“Ser Feliz é uma escolha…”

  1. Não guarde rancor.

    As pessoas felizes entendem que é melhor perdoar e esquecer do que deixar seus sentimentos negativos dominarem seus sentimentos positivos. Guardar rancor tem um monte de efeitos prejudiciais sobre o seu bem-estar, incluindo aumento da depressão, ansiedade e estresse. Por que deixar alguém que o ofendeu ter poder sobre você? Se você esquecer os seus rancores, vai ganhar uma consciência clara e energia suficiente para apreciar as coisas boas da vida.

    2. Trate a todos com bondade.

    Você sabia que foi cientificamente provado que ser gentil faz você feliz? Toda vez que você realizar um ato altruísta, seu cérebro produz serotonina, um hormônio que facilita a tensão e eleva o seu espírito. Não só isso, mas tratar as pessoas com amor, dignidade e respeito, também permite que você construa relacionamentos mais fortes.

    3. Veja os problemas como desafios.

    A palavra “problema” não faz parte do vocabulário de uma pessoa feliz. Um problema é visto como uma desvantagem, uma luta ou uma situação instável, quando um desafio é visto como algo positivo, como uma oportunidade, uma tarefa. Sempre que você enfrentar um obstáculo, tente olhar para isso como um desafio.

    4. Expresse gratidão pelo que já têm.

    Há um ditado popular que diz algo assim: “As pessoas mais felizes não têm o melhor de tudo, elas fazem o melhor de tudo com o que elas têm.” Você terá um sentido mais profundo de contentamento se você contar suas bênçãos em vez de ansiar para o que você não tem .

    5. Sonhe grande.

    As pessoas que têm o hábito de sonhar grande são mais propensas a realizar seus objetivos do que aquelas que não o fazem. Se você se atreve a sonhar grande, sua mente vai colocar você em uma atitude focada e positiva.

    6. Não se preocupe com as pequenas coisas.

    As pessoas felizes se perguntam: “Será que este problema importa daqui a um ano?” Elas entendem que a vida é muito curta para ficar preocupado com situações triviais. Deixar os problemas rolarem à sua volta vai definitivamente colocar você à vontade para desfrutar das coisas mais importantes na vida.

    7. Fale bem dos outros.

    Ser bom é melhor do que ser mau. Fofocar pode ser divertido, mas geralmente deixa você se sentindo culpado e ressentido. Dizer coisas agradáveis sobre as outras pessoas o encoraja a pensar positivo, sem se preocupar em julgar as ações de outras pessoas.

    8. Não procure culpados.

    As pessoas felizes não culpam os outros por seus próprios fracassos na vida. Em vez disso, elas assumem seus erros e, ao fazer isso, elas proativamente tentam mudar para melhor.

    9. Viva o presente.

    As pessoas felizes não vivem no passado ou se preocupam com o futuro. Elas saboreiam o presente. Elas se deixam envolver em tudo o que está fazendo no momento. Param e cheiram as rosas.

    10.Acorde no mesmo horário todos os dias.

Você já reparou que um monte de pessoas bem sucedidas tendem a ser madrugadores? Acordar no mesmo horário todas as manhãs estabiliza o seu metabolismo, aumenta a produtividade e coloca-o em um estado calmo e centrado.

  1. Não se compare aos outros.

    Todos trabalham em seu próprio ritmo, então por que se comparar com os outros? Se você acha que é melhor do que outra pessoa ganha um sentido saudável de superioridade. Se você acha que alguém é melhor do que você acaba se sentindo mal sobre si mesmo. Você vai ser mais feliz se concentrar em seu próprio progresso.

    12. Escolha seus amigos sabiamente.

    A miséria adora companhia. É por isso que é importante cercar-se de pessoas otimistas que vai incentivá-lo a atingir seus objetivos. Quanto mais energia positiva que você tem em torno de você, melhor vai se sentir.

    13.Não busque a aprovação dos outros.

    As pessoas felizes não importam com o que os outros pensam delas. Elas seguem seus próprios corações, sem deixar os pessimistas desencorajá-los. Elas entendem que é impossível agradar a todos. Escute o que as pessoas têm a dizer, mas nunca busque a aprovação de ninguém.

    14. Aproveite seu tempo para ouvir.

    Fale menos, ouça mais. Escutar mantém a mente aberta. Quanto mais intensamente você ouve, mais silencioso sua mente fica e mais conteúdo você absorve.

    15. Cultive relacionamentos sociais.

    Uma pessoa só é uma pessoa infeliz. As pessoas felizes entendem o quão importante é ter relações fortes e saudáveis. Sempre tenha tempo para encontrar e falar com sua família e amigos.

    16. Medite.

    Ficar no silêncio ajuda você a encontrar a sua paz interior. Você não tem que ser um mestre zen para alcançar a meditação. As pessoas felizes sabem como silenciar suas mentes em qualquer lugar e a qualquer hora que elas precisam acalmar seus nervos.

    17. Coma bem.

    Tudo que você come afeta diretamente a capacidade do seu corpo produzir hormônios, o que vai ditar o seu humor, energia e foco mental. Certifique-se de comer alimentos que irão manter sua mente e corpo em boa forma.

    18. Faça exercícios.

    Estudos têm demonstrado que o exercício aumenta os níveis de felicidade. Exercício também aumenta a sua auto-estima e dá uma maior sensação de auto-realização.

    19. Viva com o que é realmente importante.

    As pessoas felizes mantêm poucas coisas ao seu redor porque elas sabem que coisas extras em excesso os deixam sobrecarregados e estressados. Alguns estudos concluíram que os europeus são muito mais felizes do que os americanos, o que é interessante porque eles vivem em casas menores, dirigem carros mais simples e possuem menos ítens.

    20. Diga a verdade.

    Mentir corrói a sua auto-estima e faz você antipático. A verdade o libertará. Ser honesto melhora sua saúde mental e faz com que os outros tenham mais confiança em você. Seja sempre verdadeiro e nunca peça desculpas por isso.

    21. Estabeleça o controle pessoal.

    As pessoas felizes têm a capacidade de escolher seus próprios destinos. Elas nao deixam os outros dizerem como devem viver suas vidas. Estar no controle completo de sua própria vida traz sentimentos positivos e um grande senso de auto-estima.

    22. Aceite o que não pode ser alterado.

    Depois de aceitar o fato de que a vida não é justa, você vai estar mais em paz com você mesmo. Em vez de ficar obcecado sobre como a vida é injusta, se concentre apenas no que você pode controlar e mudar para melhor.

 Essa é uma tradução do texto da Chiara Fucarino

 

 

 

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