Blog

A virtualidade da outra cena

Uma sessão virtual quebra o standard. Será que se vão os anéis e ficam os dedos?

O ano de 2020, ao menos para nós, brasileiros, começa como outro ano qualquer: o rito de passagem do Réveillon, a liberação do estresse no carnaval e… as semelhanças param por aí.

Poucos dias depois, cada um de nós foi sacudido de seus hábitos de convivência e levado, pelo terror, a se isolar em casa, longe das ruas, dos escritórios, das escolas, dos consultórios. Apenas serviços essenciais permanecem autorizados a seguir.

Serviços essenciais. Alguns analistas seguiram, não como se nada tivesse acontecido. Levaram seu consultório para o endereço virtual das plataformas on-line, mantendo em segurança a sua saúde, a de seus pacientes e de suas análises. Será?

O que é que muda? É claro, não é a mesma coisa ver ao vivo ou intermediado por uma tela.

O que se perde no encontro virtual? O que se ganha? E o divã, o corte, o enigma e a surpresa, como ficam?

Estou entre os que defendem que quando analista e paciente se encontram virtualmente, alteramos a forma, mas o conteúdo fica preservado. Dizendo tecnicamente, quebra de standard mas não de princípio*.

A quarentena do corona vírus flexibiliza o setting, mais uma vez. Ele que já foi uma montanha na floresta negra, uma estação de trem em Leiden e agora é uma sala virtual na web. Será que algo mudou? Desde Freud, o setting analítico é muito menos físico, que um tipo específico de discurso a ser sustentado diferentemente de todos os outros, naquilo que Lacan nomeia como apreensão dialética da verdade**. No “conteúdo” analítico aquilo de que se trata é de penetrar numa outra cena, a cena do inconsciente, estabelecido por ele como tendo a estrutura de uma linguagem para ser escutada. É claro que não se pode sentir o cheiro do paciente, nem ele o do analista, não se sabe se sua mão está gelada, se está tremendo. Isso se poderia saber caso se cumprimentassem dando as mãos ao abrir da porta. Ainda assim, se pode ter a expressão fisionômica, a fala, o silêncio, os lapsos, as escanções, os suspiros, as hesitações***. Esse material físico se mantém intacto. E do lado do analista, sua escuta com curiosidade genuína pelo paciente e seu ato se mantém a seu dispor e sensível à circunstância. Como só há de ser, é um work in progress, uma reinvenção contínua. Da opacidade, que permite o enigma e a surpresa, o analista continua operando a partir de sua falta a ser, reiterada na virtualidade desse encontro.

Aliás, o que define o virtual? Segundo a teoria saussuriana, virtual é aquilo que se atualiza na fala. Definição interessante para nosso momento, ela quebra o sentido mais usual de oposição entre real e virtual, realidade “verdadeira” e realidade virtual. Por extensão, a outra cena tem um quê  de virtual desde sempre.

Freud fez a sessão de 50 minutos. Lacan, a sessão de tempo variável. E a Psicanálise permaneceu Psicanálise. Se nosso tempo nos propiciar a Skype-sessão estaremos perdendo o DNA da Psicanálise ?

Somos parte de um momento histórico e disruptivo, que cada de nós se pergunte sobre nosso desejo para responder a isso.

* A prática lacaniana, sem standard mas não sem princípios, Forbes, 2009

** Intervenção sobre a transferência, Lacan, 1951

*** A situação da Psicanálise em 1956, Lacan, 1956

Trabalho apresentado no XI Simpósio do ISEPOL e III SAMPARIOCA IPLA/ISEPOL – conversação clínica organizada por Jorge Forbes e Tania Coelho dos Santos –, em 3 de outubro 2020

FONTE:http://www.ipla.com.br/conteudos/artigos/a-virtualidade-da-outra-cena/

Edf. Itabuna Trade Center- sala 911 e 912, Av. Princesa Isabel, 395, Banco Raso- Itabuna (BA).

CEP: 45.607-291 – Tel.: (73) 3212-7070 / 8882-8060

E-mail: clinicapersonaitabuna@gmail.com

Profunda reflexão de Bert Hellinger

O alemão que já foi padre, largou o celibato e tornou-se psicoterapeuta e escritor. Atualmente está com 93 anos. Ficou conhecido mundialmente pela criação do método “Constelação Familiar”
“A vida decepciona-o pra você parar de viver com ilusões e ver a realidade.
A vida destrói todo o supérfluo até que reste somente o importante.
A vida não te deixa em paz, para que deixe de culpar-se e aceite tudo como “É”.
A vida vai retirar o que você tem, até você parar de reclamar e começar agradecer.
A vida envia pessoas conflitantes para te curar, pra você deixar de olhar para fora e começar a refletir o que você é por dentro.
A vida permite que você caia de novo e de novo, até que você decida aprender a lição.
A vida lhe tira do caminho e lhe apresenta encruzilhadas, até que você pare de querer controlar tudo e flua como um rio.
A vida coloca seus inimigos na estrada, até que você pare de “reagir”.
A vida te assusta e assustará quantas vezes for necessário, até que você perca o medo e recupere sua fé.
A vida tira o seu amor verdadeiro, ele não concede ou permite, até que você pare de tentar comprá-lo.
A vida lhe distância das pessoas que você ama, até entender que não somos esse corpo, mas a alma que ele contém.
A vida ri de você muitas e muitas vezes, até você parar de levar tudo tão a sério e rir de si mesmo.
A vida quebra você em tantas partes quantas forem necessárias para a luz penetrar em ti.
A vida confronta você com rebeldes, até que você pare de tentar controlar.
A vida repete a mesma mensagem, se for preciso com gritos e tapas, até você finalmente ouvir.
A vida envia raios e tempestades, para acorda-lo.
A vida o humilha e por vezes o derrota de novo e de novo até que você decida deixar seu ego morrer.
A vida lhe nega bens e grandeza até que pare de querer bens e grandeza e comece a servir.
A vida corta suas asas e poda suas raízes, até que não precise de asas nem raízes, mas apenas desapareça nas formas e seu ser voe.
A vida lhe nega milagres, até que entenda que tudo é um milagre.
A vida encurta seu tempo, para você se apressar em aprender a viver.
A vida te ridiculariza até você se tornar nada, ninguém, para então torna-se tudo.
A vida não te dá o que você quer, mas o que você precisa para evoluir.
A vida te machuca e te atormenta até que você solte seus caprichos e birras e aprecie a respiração.
A vida te esconde tesouros até que você aprenda a sair para a vida e busca-los.
A vida te nega Deus, até você vê-lo em todos e em tudo.
A vida te acorda, te poda, te quebra, te desaponta… Mas creia, isso é para que seu melhor se manifeste… até que só o AMOR permaneça em ti”

Edif. Itabuna Trade Center- sala 911 e 912, Av. Princesa Isabel, 395, Banco Raso- Itabuna (BA).

CEP: 45.607-291 – Tel.: (73) 3212-7070 / 8882-8060

E-mail: clinicapersonaitabuna@gmail.com

Há uma tragédia silenciosa em nossas casas

Há uma tragédia silenciosa que está se desenvolvendo hoje em nossas casas e diz respeito às nossas joias mais preciosas: nossos filhos. Nossos filhos estão em um estado emocional devastador! Nos últimos 15 anos, os pesquisadores nos deram estatísticas cada vez mais alarmantes sobre um aumento agudo e constante da doença mental da infância que agora está atingindo proporções
Médico Psiquiatra
epidêmicas:
As estatísticas:
• 1 em cada 5 crianças tem problemas de saúde mental;
• um aumento de 43% no TDAH foi observado;
• um aumento de 37% na depressão adolescente foi observado;
• um aumento de 200% na taxa de suicídio foi observado em crianças de 10 a 14 anos.
O que está acontecendo e o que estamos fazendo de errado?
As crianças de hoje estão sendo estimuladas e superdimensionadas com objetos materiais, mas são privadas dos conceitos básicos de uma infância saudável, tais como: • pais emocionalmente disponíveis;
• limites claramente definidos;
• responsabilidades;
• nutrição equilibrada e sono adequado;
• movimento em geral, mas especialmente ao ar livre;
• jogo criativo, interação social, oportunidades de jogo não estruturadas e espaços para o tédio.
Em contraste, nos últimos anos as crianças foram preenchidas com: • pais digitalmente distraídos;
• pais indulgentes e permissivos que deixam as crianças “governarem o mundo” e sem
quem estabeleça as regras;
• um sentido de direito, de obter tudo sem merecê-lo ou ser responsável por obtê-lo; • sono inadequado e nutrição desequilibrada;
• um estilo de vida sedentário;
• estimulação sem fim, armas tecnológicas, gratificação instantânea e ausência de momentos chatos.
O que fazer?
Se queremos que nossos filhos sejam indivíduos felizes e saudáveis, temos que acordar e voltar ao básico. Ainda é possível!
Muitas famílias veem melhorias imediatas após semanas de implementar as seguintes recomendações:
• Defina limites e lembre-se de que você é o capitão do navio. Seus filhos se sentirão mais
seguros sabendo que você está no controle do leme.
• Oferecer às crianças um estilo de vida equilibrado, cheio do que elas PRECISAM, não apenas o que QUEREM. Não tenha medo de dizer “não” aos seus filhos se o que eles querem não é o que eles precisam.
• Fornecer alimentos nutritivos e limitar a comida lixo.
• Passe pelo menos uma hora por dia ao ar livre fazendo atividades como: ciclismo, caminhadas, pesca, observação de aves/insetos.
• Desfrute de um jantar familiar diário sem smartphones ou tecnologia para distraí-lo. • Jogue jogos de tabuleiro como uma família ou, se as crianças são muito jovens para
os jogos de tabuleiro, deixe-se guiar pelos seus interesses e permita que sejam eles que mandem no jogo.
• Envolva seus filhos em trabalhos de casa ou tarefas de acordo com sua idade (dobrar a roupa, arrumar brinquedos, dependurar roupas, colocar a mesa, alimentação do
cachorro etc.)
• Implementar uma rotina de sono consistente para garantir que seu filho durma o
suficiente. Os horários serão ainda mais importantes para crianças em idade escolar.
• Ensinar responsabilidade e independência. Não os proteja excessivamente contra qualquer
frustração ou erro. Errar os ajudará a desenvolver a resiliência e a aprender a superar os desafios da vida.
• Não carregue a mochila dos seus filhos, não lhes leve a tarefa que esqueceram, não descasque as bananas ou descasque as laranjas se puderem fazê-lo por conta própria
(4-5 anos). Em vez de dar-lhes o peixe, ensine-os a pescar. • Ensine-os a esperar e atrasar a gratificação.
• Fornecer oportunidades para o “tédio”, uma vez que o tédio é o momento em que a criatividade desperta. Não se sinta responsável por sempre manter as crianças entretidas.
• Não use a tecnologia como uma cura para o tédio ou ofereça-a no primeiro segundo de inatividade.
• Evite usar tecnologia durante as refeições, em carros, restaurantes, shopping centers. Use esses momentos como oportunidades para socializar e treinar cérebros para saber como funcionar quando no modo “tédio”.
• Ajude-os a criar uma “garrafa de tédio” com ideias de atividade para quando estão entediadas.
• Estar emocionalmente disponível para se conectar com as crianças e ensinar-lhes autorregulação e habilidades sociais.
• Desligue os telefones à noite quando as crianças têm que ir para a cama para evitar a distração digital.
• Torne-se um regulador ou treinador emocional de seus filhos. Ensine-os a reconhecer e gerenciar suas próprias frustrações e raiva.

• Ensine-os a dizer “olá”, a se revezar, a compartilhar sem se esgotar de nada, a agradecer e agradecer, reconhecer o erro e pedir desculpas (não forçar), ser um modelo de todos esses valores.
• Conecte-se emocionalmente – sorria, abrace, beije, faça cócegas, leia, dance, pule, brinque ou rasteje com elas.
E compartilhe se você percebeu a importância desse texto!

Fonte: CENTRO DE EDUCAÇÃO INTEGRADA LTDA.
Membro das Escolas Associadas da Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

Por: Luis Rojas Marcos

Edif. Itabuna Trade Center- sala 911 e 912, Av. Princesa Isabel, 395, Banco Raso- Itabuna (BA).

CEP: 45.607-291 – Tel.: (73) 3212-7070 / 8882-8060

E-mail: clinicapersonaitabuna@gmail.com

Sensibilidade da Escuta

É a sensibilidade da escuta de um outro que torna possível a construção das narrativas do sujeito. Um outro que lhe suponha um saber sobre aquilo que lhe diz respeito e não se exaspere em atribuir à esse dito os seus próprios sentidos.
Tomando emprestado um termo de Freud, penso que o analista é aquele que em muitos momentos se deixa “siderar” pela fala do sujeito, através de sua escuta. Já dizia Lacan: um analista não espera nada, mas aguarda, faz uma aposta para que novos significantes surjam e novas narrativas possam se construir.
Na clínica com crianças, principalmente as autistas, é isso o que torna possível o laço com o outro. Esse laço que só é possível quando há escuta. Uma escuta que ao invés de tolher o sujeito, dando-lhe regras e significantes rígidos, aguarda, abre espaço para a criação e aposta que dali, onde menos se espera, um sujeito pode advir.
Nesse sentido, aqueles que ditam as regras, ou treinam o sujeito, forçando uma forma para que ele se conecte ao mundo, se colocam no lugar de saber e retiram do sujeito a possibilidade dele construir _per si_ suas próprias narrativas.
Ouso dizer que sobre um dito há muito o que se dizer – ainda que a princípio não se compreenda nada – basta que haja escuta.

Luisa Vechi

Edf. Itabuna Trade Center- sala 911 e 912, Av. Princesa Isabel, 395, Banco Raso- Itabuna (BA).

CEP: 45.607-291 – Tel.: (73) 3212-7070 / 8882-8060

E-mail: clinicapersonaitabuna@gmail.com

Depressão masculina: uma cilada quase invisível

Profissionais de saúde estimam que quase 10 milhões de homens no Brasil sofrem de depressão. A maioria deles é capaz de admitir que a vida “está sem graça”, mas só uma minoria ousa reconhecer que há algo errado com suas emoções. Isso seria visto como sinal de fraqueza, “coisa de mulher”. Historicamente, ainda que de forma equivocada, o homem se vê como o grande caçador, guerreiro, que nunca pode distrair-se ou fragilizar-se. Mas, em termos mundiais, os homens tentam o suicídio quatro vezes mais que as mulheres – e com maior possibilidade de sucesso.
Durante muitas décadas, talvez séculos, a sociedade tem visto os sintomas da depressão como “femininizados” e então temos sido induzidos a pensar que a depressão é “um problema de mulher”. Não estamos dispostos a aceitá-la nos homens, a menos que vejamos claramente neles a mesma série de sintomas.
O problema é que os sinais da depressão normalmente observados na mulher são menos comuns nos homens. Os percebemos nas mulheres principalmente quando exploramos os seus sentimentos. Nos homens, é prestando atenção à sua conduta. Resumindo: as mulheres sentem a sua depressão; os homens atuam com ela. As estatísticas mostram que, para cada duas mulheres, há um homem com depressão. Quando as mulheres sentem-se tristes, buscam contato com amigas ou procuram algo alternativo; enquanto os homens libertam a sua depressão através da frustração, isolamento e da ira. Tornam-se irritáveis, enfiando-se na sua “concha” e dando aos seus próximos “o silêncio como resposta”. É este disfarce que caracteriza a depressão masculina.
O que os difere não é a vulnerabilidade à depressão, mas a capacidade de admiti-la. Enquanto as mulheres vão ao médico nos primeiros sintomas da doença, os homens só procuram tratamento quando a depressão já está em estágio avançado; o que configura um comportamento de alto risco: a depressão amplia para mais que o dobro de chances do homem desenvolver doenças cardíacas, câncer, diabetes e outras doenças, além de provocar um envelhecimento masculino mais acelerado e deficiência de testosterona.
Ser despedido do trabalho pode ser tão devastador como a morte de um pai. É a personalidade histórica do homem: o grande caçador e provedor, que nunca pode se deixar abater.
Na depressão, boa parte dos homens recorre ao álcool para camuflar a tristeza e seu uso constante só faz agravar os sintomas problemáticos. Outros recorrem ao fumo, às drogas, ao sexo compulsivo.
As esposas, mães e filhas de homens deprimidos necessitam de toda a ajuda que possam receber para superar essa dificuldade, pois é muito difícil este convívio. Eles também frustram e perturbam aqueles que mais os amam. É como se sentissem necessidade de culpar alguém pela sua depressão, e aqueles que mais os amam são os alvos mais fáceis.
O que de melhor elas podem fazer pelo ente deprimido é, sem dúvida, comunicar amor e

aceitação com todas as forças que possam, porque ele não escolheu estar deprimido. As mulheres necessitam compreender que a má conduta do homem tem como causa da sua depressão e não ele próprio.
É importante que os homens saibam que a depressão não é um sinal de fraqueza, mas sim um problema de humanos, para o qual há atendimento e tratamento.
Ignorá-la ou não aceitá-la é, certamente, a pior alternativa.

Alessandro Vianna – Psicólogo clínico.

Edf. Itabuna Trade Center- sala 911 e 912, Av. Princesa Isabel, 395, Banco Raso- Itabuna (BA).

CEP: 45.607-291 – Tel.: (73) 3212-7070 / 8882-8060

E-mail: clinicapersonaitabuna@gmail.com