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ADOTAR PROFUNDAMENTE

Adotar é amar profundamente. É, a partir de uma decisão madura, colocar grande parte da sua vida ao dispor de outra pessoa, para simplesmente ser pai ou mãe. A adoção permite que amemos pessoas biologicamente diferentes de nós, desenvolvendo um vínculo afetivo por quem não geraríamos de jeito nenhum.

Adotar é proteger profundamente. Escolher ser pai ou mãe por adoção é uma adesão voluntária ao cuidado com o outro, que passa a ser filho. Filho do amor. Esse amor será o combustível que alimentará todas as tarefas da parentalidade, toda a trabalheira que criança dá. O trabalho que vem do amor não é nunca pesado, ao contrário, é uma forma abençoada de se preencher a vida.

Adotar é se comprometer profundamente. A responsabilidade do pai ou da mãe adotiva é fazer a adoção dar certo, mesmo que se trate de uma criança mais velha ou de um grupo de irmãos, superando as dificuldades naturais de adaptação de quem já passou pelo sofrimento do abandono por sua família de origem. Esse período pode exigir um esforço extra, paciência redobrada e firmeza nas decisões.

Adotar é se capacitar profundamente. Vale pedir a ajuda de quem já viveu a experiência, frequentar os grupos de apoio à adoção. Ler bons autores, assistir palestras, inclusive as muitas disponíveis na internet, buscar informações seguras e se fortalecer para viver integralmente essa maternidade/paternidade: o caminho da adoção passa pela preparação e, em função dela, pelo amadurecimento pessoal.

Adotar é ser livre profundamente. Não se deixar contaminar pelo preconceito contra a adoção é a grande liberdade que gera mais liberdade. Os pais adotivos têm em suas mãos a oportunidade de reagir amorosamente às incompreensões de quem tem pré-conceitos com a adoção. A chama do amor de quem adota incinera a pequenez dessas bobagens. Por isso, vestem a camisa da adoção em todas as ocasiões: na família, entre os amigos, na escola, no trabalho, na sociedade. Filho é filho e o que o faz filho é o amor.

Adotar é ser verdadeiro profundamente. Falar a verdade de forma carinhosa para o filho, contar a sua origem, preservar a sua história. Falar de adoção com todos, abertamente, é mostrar que não se tem o preconceito dentro de casa. Os segredos familiares são um desastre, uma bomba-relógio emocional a explodir a qualquer tempo. Os assuntos que não são tratados com naturalidade viram tabu. Criança não é burra: ela percebe do que não gostamos de falar. Fale de adoção, comemore a adoção, agradeça pela adoção.

Adotar é ser humilde profundamente. Se submeter as regras do jogo, se habilitar oficialmente e fazer uma adoção legal, sem trapaças. É preciso, também, estar pronto para aprender o tempo inteiro, durante a marcha da vida, porque as exigências da paternidade/maternidade vão se transformando e exigindo novas respostas. Pode estar a humildade, ainda, na necessidade da

prática de uma religião, dividindo-se com Deus as alegrias e angústias do coração.

Adotar é ser feliz profundamente. Adote.


Sávio Bittencourt

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Como a depressão muda seu cérebro

Parece que mais pessoas no mundo vivem com depressão do que nunca. De fato, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 350 milhões de pessoas de todas as idades no mundo sofrem desta doença mentalmente debilitante.

Parece que mais pessoas no mundo vivem com depressão do que nunca. De fato, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 350 milhões de pessoas de todas as idades no mundo sofrem desta doença mentalmente debilitante.

A depressão pode literalmente mudar o cérebro, alterando as vias neurais e as sinapses, diminuindo o tamanho do hipocampo, uma área do cérebro que regula as emoções e a memória. Mentalmente, você provavelmente se sentirá enevoado e exausto, pois seu cérebro precisa trabalhar mais para processar informações e sentimentos. Se você não se sentir bem mentalmente, isso pode prejudicar todas as outras áreas da sua vida.

Hoje, vamos explicar exatamente como a depressão altera seu cérebro e como reverter o dano naturalmente. É preciso força de vontade e determinação, mas você pode tirar sua vida de volta com algumas mudanças simples de estilo de vida.

Um estudo inovador envolvendo uma equipe internacional de pesquisadores descobriu que as pessoas com depressão geralmente têm um hipocampo menor. A equipe de pesquisa usou dados de ressonância magnética (MRI) do cérebro em quase 8.930 pessoas de todo o mundo, 1.728 das quais sofriam de depressão maior. Os restantes 7.199 indivíduos não sofreram de depressão.

Eles descobriram que 65% dos pacientes deprimidos tinham um hipocampo menor; no entanto, aqueles que experimentaram o primeiro episódio de depressão não tiveram esse encolhimento. Esses achados sugerem que episódios recorrentes de depressão podem causar o encolhimento do hipocampo. Estudos anteriores encontraram evidências de perda do hipocampo, no entanto, este estudo teve como objetivo descobrir se o encolhimento causou a depressão, ou vice-versa. Eles obtiveram sua resposta: primeiro vem a depressão, depois o dano cerebral.

Estudos anteriores encontraram evidências de perda do hipocampo, no entanto, este estudo teve como objetivo descobrir se o encolhimento causou a depressão, ou vice-versa. Eles obtiveram sua resposta: primeiro vem a depressão, depois o dano cerebral.

De acordo com o co-autor Professor Ian Hickie:

“Quanto mais episódios de depressão uma pessoa teve, maior a redução no tamanho do hipocampo. Portanto, a depressão recorrente ou persistente faz mais mal ao hipocampo quanto mais você o deixa sem tratamento. Isso resolve em grande parte a questão do que vem primeiro: o hipocampo menor ou a depressão? O dano ao cérebro vem de doenças recorrentes…

Outros estudos demonstraram reversibilidade, e o hipocampo é uma das áreas únicas do cérebro que rapidamente gera novas conexões entre as células, e o que se perde aqui são as conexões entre as células, em vez das próprias células. Tratar a depressão de forma eficaz não significa apenas tomar medicamentos. Se você está desempregado, por exemplo, e depois fica sentado em uma sala sem fazer nada, isso pode encolher o hipocampo. Por isso, as intervenções sociais são igualmente importantes.”

Sobre o tema do encolhimento do hipocampo, gostaríamos também de mencionar outras pesquisas inovadoras de cientistas e do Institute of HeartMath, uma organização que estuda a conexão entre o coração e o cérebro. Nossos sentimentos tornam-se codificados no campo eletromagnético do nosso coração, e o coração pode realmente enviar sinais ao cérebro que lhe dizem como reagir. Assim, os pesquisadores descobriram que, quando você experimenta emoções destrutivas, isso pode criar o caos no cérebro.

Agora que você sabe que suas emoções desempenham um grande papel na maneira como seu cérebro reage aos estímulos, pensamos em falar de outro equívoco comum quando se trata de depressão. Assim como a maioria das pessoas não percebe que seus sentimentos desempenham um grande papel em sua saúde mental, muitos deles provavelmente não sabem que a teoria do “desequilíbrio químico” em relação à depressão não se compara à ciência.

De acordo com um artigo de Jonathan Leo, professor associado de Neuroanatomia da Lincoln Memorial University:

“A causa de transtornos mentais, como a depressão, permanece desconhecida. No entanto, a ideia de que os desequilíbrios dos neurotransmissores causam depressão é vigorosamente promovida pelas empresas farmacêuticas e pela profissão psiquiátrica em geral. ”

Além disso, de acordo com a Dra. Joanna Moncrieff, autora e psiquiatra britânica:

“É claro que há eventos cerebrais e reações bioquímicas ocorrendo quando alguém se sente deprimido, como há o tempo todo, mas nenhuma pesquisa jamais estabeleceu que um determinado estado cerebral cause, ou até se correlacione com a depressão. . .. Em todos os casos, os estudos produzem resultados inconsistentes, e nenhum deles mostrou ser específico para a depressão, muito menos causal. . . . O fato de que mais de 50 anos de intensos esforços de pesquisa falharam em identificar a depressão no cérebro pode indicar que simplesmente não temos a tecnologia certa, ou pode sugerir que estamos latindo na árvore errada! ”

Com a maioria das drogas que visam tratar a depressão, eles anunciam que os baixos níveis de serotonina no cérebro realmente causam depressão. No entanto, nenhuma pesquisa no passado chegou a essa conclusão.

É importante que o tratamento combine os mais diversos profissionais. Psicólogos, psiquiatras, cardiologistas, terapeutas ocupacionais, todos aqueles que podem contribuir com o quadro clínico apresentado. Se você estiver se sentindo deprimido, procure um psicólogo. Ele irá te orientar sobre quais procedimentos são os melhores a serem adotadas, a partir de uma avaliação em conjunto com as necessidades apresentadas por você.

 Por REDAÇÃO PSICOLOGIAS DO BRASIL

Fonte: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/como-depressao-muda-seu-cerebro-e-maneiras-de-reverter-isso/

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A IMPORTÂNCIA DA INTIMIDADE EMOCIONAL NA FAMÍLIA

Criar momentos de intimidade emocional em casa é vital. Em meu livro Dar Voz al Niño, compartilho minha proposta das “4 raízes da educação consciente”. A 4a raiz é a importância de criar intimidade emocional.

O QUE ENTENDEMOS POR INTIMIDADE EMOCIONAL

Se não há confiança, não pode haver comunicação emocional.

Se não há respeito, não pode haver confissões.

Se não há escuta ativa, não pode haver necessidade de compartilhar.

Se há julgamentos, críticas e reclamações, não pode haver intimidade emocional.

Criar um ambiente onde todos possam se comunicar e expressar a partir do seu EU VERDADEIRO é fundamental para que nossos filhos nos procurem caso precisem.

O que seus filhos sabem sobre você antes da chegada deles?

O que eles sabem sobre sua infância?

O que eles sabem sobre seus sonhos e desejos?

O que eles sabem sobre seus medos e dúvidas?

O que eles sabem sobre suas preocupações?

O que eles realmente sabem sobre você, sobre a mãe/o pai deles?

Convido você a criar momentos em casa para parar e compartilhar com seus filhos e seu parceiro como uma família e criar essa coisa maravilhosa que eu chamo de Intimidade Emocional.

Quando há intimidade emocional, não há segredos.

Quando há intimidade emocional, não há mentiras.

Quando há intimidade emocional, não há julgamentos.

Quando há intimidade emocional, não há medo de pedir o que precisamos.

Quando há intimidade emocional, não há medo de dizer o que nos aconteceu.

Quando há intimidade emocional, não hesitamos em compartilhar as experiências negativas.

Compartilhe todo o seu ser com seu filho e ele compartilhará o dele com você. 

De Yvonne Laborda

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Esquizofrenia: O que é? Tipos e sintomas.

A esquizofrenia é um transtorno mental ou distúrbio psíquico endógeno que afeta a consciência do “eu”, a percepção (perda do contato com a realidade), o pensamento, as emoções, o comportamento e as relações afetivas.

A esquizofrenia é um transtorno mental ou distúrbio psíquico endógeno que afeta a consciência do “eu”, a percepção (perda do contato com a realidade), o pensamento, as emoções, o comportamento e as relações afetivas.

Cientistas e estudiosos ainda não sabem explicar ao certo as suas causas, mas fatores genéticos e desequilíbrios neuroquímicos estão envolvidos, e apesar de ser classificada como endógena (independente de fatores externos), observamos que fatores ambientais são desencadeantes para quem tem a predisposição genética, bem como pode ser desenvolvida pelas pessoas que fazem utilização de substancias psicoativas ou mesmo aquelas que tiveram traumas encefálicos.

Geralmente, a esquizofrenia inicia-se na adolescência ou na fase inicial da vida adulta e muitas vezes os comportamentos característicos no início da doença se confundem com crises existenciais próprias desta fase da vida, mascarando desta forma os sintomas. A incidência é de 5% na população mundial e ocorre em todas as culturas, raças, gênero e condição socioeconômica.

Existem os sub-tipos de esquizofrenia: Indiferenciado, Paranóide, Hebefrênico, Desorganizado, Catatônico e Residual.

O diagnóstico é realizado por um profissional da saúde mental e consiste em avaliação direta do paciente e dos sintomas por este apresentados bem como de entrevista com familiares sobre a capacidade funcional e relacional do paciente e dos sintomas que caracterizam a doença. No entanto, antes são realizados exames de sangue, dentre outros para que sejam descartados doenças e condições médicas gerais que apresentem sintomatologia semelhante ao da esquizofrenia, tais como uso de anfetaminas, da cocaína, presença de tumores cerebrais, dentre outras.

Os principais sintomas da esquizofrenia são:

Comportamentos bizarros, apatia, indiferença emocional, isolamento social, alucinações (ouvir e ver coisas que não existem), delírios, desorganização cognitiva (pensamento desordenado), sintomas ansiosos, depressivos e persecutórios. Um sintoma muito recorrente é o da pessoa sentir-se vítima de complô ou armação por parte de outras pessoas ou grupos, embora evidencias racionais mostrem o contrário.

Quanto mais cedo for diagnosticada e a intervenção for realizada, menores serão os danos causados e melhor será’ o tratamento.

Nota importante: Este artigo tem função informativa e psicoeducativa, não pretendendo diagnosticar. Caso se identifique com os sintomas elucidados, procure ajuda profissional especializada o quanto antes.

Por SORAYA RODRIGUES ARAGÃO

Fonte: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/esquizofrenia-o-que-e-tipos-e-sintomas/

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Você sabe a diferença de um psiquiatra, um psicólogo e um psicanalista?

Não se preocupe se a resposta for não. Poucas pessoas sabem fazer essa distinção, mas ela é importante na hora de procurar um profissional.

A verdade é que boa parte das pessoas têm muita resistência em buscar a ajuda de um “PSI”, seja ele psicólogo, psicanalista, ou mesmo um psiquiatra. As razões são várias e não é nosso intuito no momento aprofundá-las aqui. O que sabemos pelo que escutamos em nossos consultórios, é que, na maior parte das vezes o sujeito já buscou inúmeras tentativas de soluções para suas dores intangíveis, como médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos. Já se submeteu a inúmeros procedimentos estéticos, já escalou montanhas, peregrinou pelo Tibete, fez o Caminho de Santiago de Compostela, fez promessa para o seu santo de devoção, antes de chegar a procurar um “PSI”. Quando nada disso resolveu, quem sabe aquele amigo para quem você repete sempre a mesma história de fracasso, já não tendo mais o que te falar, te diga a seguinte frase: que tal você buscar uma terapia?
Se seu amigo já faz um tratamento com um “psi”, ele pode até te sugerir alguém, mas na maior parte das vezes, ele também não sabe direito quem indicar, e você acaba sem saber que tipo de ajuda você deseja. É bom, então, que você saiba a diferença entre esses profissionais.

Um psiquiatra é um profissional formado em medicina. Ele ouvirá as queixas daqueles que o procuram, e detectando algum sintoma, na maior parte das vezes irá prescrever um medicamento. Esses sintomas geralmente estão classificados no CID – Código Internacional de Doenças. Dependendo do que disser o paciente, o médico saberá se ele sofre de uma depressão, de uma determinada síndrome, de uma compulsão e por aí vai, já que a lista de doenças psíquicas classificadas no CID é bastante extensa. A depender do profissional, o tempo de consulta pode variar, mas geralmente gira em torno de 40 minutos a 1 (uma) hora. É pedido que o paciente retorne pelo menos uma vez por mês, para que a dosagem do remédio prescrito possa ser avaliada. Há, entretanto, psiquiatras que além de prescreverem um fármaco, encaminham também seus pacientes para conjuntamente com o medicamento, se submetam a uma psicoterapia, ou mesmo para uma psicanálise. Isso depende de profissional para profissional. O inverso também pode ocorrer. Em algum momento de uma terapia, o psicólogo ou o psicanalista, podem achar que aquele paciente necessita ser encaminhado a um psiquiatra para avaliar a necessidade ou não do uso de medicamento.

Já uma psicoterapia é feita por um profissional formado em psicologia. A psicologia é uma ciência que tenta investigar as causas do comportamento. Os psicólogos atuam em diferentes frentes, como em escolas, hospitais, selecionando e treinando pessoas para o mercado profissional, no esporte e tantos outros. Quando a atuação desses profissionais se dá em consultórios ou mesmo em uma clínica, estamos diante então da Psicologia Clínica, que tem como objetivo, através da escuta singular de cada paciente propiciar uma mudança de comportamento a partir do autoconhecimento, e com isso aliviar as dores daqueles que o procuram. O paciente conta para o psicólogo o que ele sabe, e juntos eles tentam modificar comportamentos que causam o sofrimento. As linhas teórico práticas dentro da clínica são inúmeras. É bom que você pergunte ao profissional que está te atendendo qual a linha teórica que ele segue. Geralmente o atendimento é feito individualmente, mas também pode acontecer do atendimento ser em família, ou com o casal. Isso depende de profissional para profissional, de sua linha de atuação, e das queixas trazidas pelo paciente. Normalmente os atendimentos acontecem semanalmente, mas como disse anteriormente cada linha teórica tem suas especificidades e esses esclarecimentos são fornecidos aos pacientes nas primeiras entrevistas. O tempo de duração de uma psicoterapia também vai variar de acordo com cada paciente, sendo difícil fazer esse tipo de previsão.

Bem, chegamos então ao psicanalista. Na maior parte das vezes, é difícil para o leigo fazer a distinção entre um atendimento psicológico e uma psicanálise. Essa última, só pode ser feita por um psicanalista. Para ser psicanalista não é necessário ser formado em psicologia ou em medicina. Um psicanalista é aquele que tem formação através de uma Escola de Psicanálise, faz supervisão com um outro profissional mais experiente (ou já fez), faz ou já concluiu o seu percurso de análise. Ninguém pode se dizer psicanalista se não se submeteu a uma análise! O exercício desse ofício está fincado no seguinte tripé: análise, supervisão e estudo teórico.

A Psicanálise, foi criada por um médico austríaco, chamado Sigmund Freud, no final do Século XIX. Ao receber pacientes, em especial mulheres, com paralisias, cegueiras, espasmos e outros tantos sintomas físicos, sem que houvesse razões orgânicas para tal, Freud, depois de escutar suas histórias, constata que não se tratava de farsa ou teatro, como muitos acreditavam à época, mas que o que se manifestava como uma doença orgânica, na verdade apontava para um outro lugar, uma outra cena, que ele vai depois denominar de inconsciente. Uma ideia muito ameaçadora para esses pacientes, insuportável de se suportar havia sido recalcada. Ocorre, entretanto, que a ideia é possível de ser recalcada, mas o afeto ligado a essa ideia não, fazendo com que ele se ligue a uma outra ideia. Assim, os sintomas que daí decorrem, se tornam inexplicáveis. Foi então que Freud deixando que essas mulheres falassem o que lhes viessem à cabeça, chega à conclusão que aqueles sintomas encobriam uma outra dor. O sintoma físico, orgânico, nada mais é que uma defesa que impede o sujeito de se haver com esse inexorável vazio existencial. Logo ele percebe que para isso a palavra era um santo remédio. Deixar falar aqueles que sofrem.
É assim que funciona uma psicanálise. O paciente quando nos procura geralmente chega com uma demanda específica. Algo o impede de progredir na vida, de se relacionar com as outras pessoas, sente-se inibido, seja em sua vida amorosa ou no trabalho. Nos procuram porque sofrem, sem saber exatamente a razão disso. Um trabalho analítico se faz através da escuta singular de cada um daqueles que se dispõem a trilhar esse caminho. Entendemos que os sintomas de que se queixam os pacientes, são na verdade uma defesa desenvolvida pelo sujeito, para poder suportar o que num primeiro momento ainda não é possível ver. Numa psicanálise, não temos como objetivo livrar o paciente de seu sintoma. E você com razão deve estar se perguntando: eu estou aqui sofrendo e vou procurar alguém que não me dá garantias de que vai eliminar a minha dor? Sim, como dissemos anteriormente, o sintoma é uma defesa construída pelo sujeito e se por um lado causa dor, por outro causa prazer. Eliminá-lo simplesmente, sem entender por que ele foi criado, só fará com que esse sintoma apareça em outro lugar, e o que é pior, mais resistente. Na maior parte das vezes esses sintomas desaparecem rapidamente, sem que tenhamos nos ocupado diretamente deles. Nessa grande viagem que é um tratamento analítico, muitas descobertas vão sendo feitas pelo sujeito. É algo que se faz com muita paciência, tanto da parte do paciente, como do analista. A estrutura psíquica de nós humanos, não permite que essas mudanças ocorram de forma abrupta. É preciso então respeitar o tempo de cada um. Há que se ter muito cuidado com aqueles que prometem resultados rápidos. Quando me perguntam o que é uma psicanálise, costumo fazer a seguinte metáfora. Imagina que você veio de um outro planeta e que nunca viu alguém dançar. Você pergunta então o que é dançar? Por mais que o seu interlocutor tente explicar teoricamente o que é a dança, você só irá saber dançando. Com a psicanálise é exatamente assim que se dá, é preciso experimentar para saber.

Por Maria Paula Teperino – Psicanalista.

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