A neurose do homem

 

O falo será o representante masculino por excelência na concepção psicanalítica. É ele que regulará e ordenará a estrutura neurótica como um todo

Com a pressão do Iluminismo no final do século XIX, diversos estudiosos e artistas começaram a questionar sob outro ângulo o “que é o ser humano?” Durante centenas de anos, a Igreja judaica cristã ditava o saber sobre o que é o “ser” em todas as esferas da vida. Não só o ser humano, mas todos os seres do universo. Com esse saber em mãos, eles procuravam regular a vida de acordo com a ideologia vigente da época, que variava bastante quanto aos meios para garantir que os fiéis seguissem fielmente seus preceitos, reforçando a crença supersticiosa de que há um Deus que criou tudo.

Insatisfeitos com essa resposta religiosa sobre a vida dos seres, os pensadores daquela época imprimiram um ritmo cada vez mais forte de sustentação das explicações sobre a origem do “ser”, o que causou uma relativa ruptura com a primazia do saber religioso. Entre esses pensadores existiram várias correntes, dentre as quais a Psicanálise, desenvolvida por Sigmund Freud, que a inventou como um método de investigação e cura.

Ao iniciar suas investigações sobre a causa e formação dos sintomas histéricos, Freud logo se dá conta de que a histeria é uma forma de se posicionar frente à linguagem, e não é exclusiva das mulheres. Escandaliza e causa grande repúdio por descobrir que também os homens podem ser histéricos. Mas o escândalo, quanto a esse assunto, ainda não tinha chegado ao seu ápice. Freud afirma que as mulheres histéricas desejam inconscientemente ser providas do atributo masculino, o falo. Com isso, arranca a histeria das mulheres e a posiciona como uma estrutura que demanda o ser masculino. Tal ponto de vista jamais foi abandonado por Freud, apesar de ter sofrido grandes pressões por parte de outros campos, a Medicina, a Filosofia, e também dos próprios psicanalistas que o acompanharam, sobretudo das psicanalistas mulheres.

A partir desta concepção, o falo será o representante masculino para a Psicanálise, é ele que regulará a estrutura neurótica como um todo. As variações no entendimento a respeito do falo foram sempre alvo de debates entre os psicanalistas. Mas há um consenso quanto à afirmação de Freud, de que o pênis não é o falo, apesar de que, quando ereto, seja o melhor representante no corpo humano. Para ele, o falo não é o órgão, é a ausência operante, é ter ou não ter o falo. A perda fálica se recupera no esvanecimento do furo do ser, isso é necessário na vivência do masculino e é o que o faz cotejar o gozo da volta da pequena morte,

o orgasmo. Essa função de perda fálica, própria do masculino, lhe dá a prerrogativa, de onde vem a ilusão da pura subjetividade, de que seu corpo está marcado pelo significante. É neste momento evanescente,

quando se perde a ereção, ou seja, quando o instrumento cai, que o homem e a mulher vivenciam a castração e a assunção do falo, como elemento terceiro da relação do casal.

As concepções de Freud e de Lacan a respeito do masculino são todas centradas no falocentrismo, no complexo de Édipo e no complexo de castração.

 

Pai real e pai simbólico

Freud destaca a diferença entre o menino e a menina e suas relações com a mãe, e conclui que o verdadeiro incesto é entre o menino e a mãe. Também enfatiza que há diferenças entre os sexos no tocante ao complexo de Édipo, pois o varão não necessita trocar de objeto para elaborá-lo, uma vez que coincide o objeto que erotizou seu corpo através dos cuidados maternos com o objeto do seu desejo. Ao mesmo tempo em que irá eleger a escolha de objeto, faz a escolha identificatória com o seu próprio sexo. Escolha de objeto apoiado na mãe e escolha identificatória apoiada no pai decorrente do complexo de castração, eis a fórmula do desejo heterossexual masculino. Conquistar a ascensão da posição viril masculina implica necessariamente assumir a castração. Isso se dá por uma relação do real no simbólico, que vem do outro, aquele que é verdadeiramente o pai.

O Édipo enoda a função viril e, para tanto, é necessário haver um mais além do pai simbólico, a presença do pai real, aquele que trepa com a mãe, esse é imprescindível. O pai real que permite o complexo de castração simbólico, que cumpre a função de ameaçar, ao mesmo tempo em que dá amor e permite a aproximação do filho para com ele.

O macho tem o órgão natural e por isso o detém como sua propriedade. Porém sua virilidade virá do outro, nesta relação entre o pai real e o pai simbólico. Portanto, o homem não poderá dizer nada do que significa na verdade ser pai, porque parte desse é da ordem do real, e o único saber que ele tem é que fez parte desse jogo entre a mãe e o filho varão. Somente o jogo de perdas e ganhos entre os três permitirá à criança conquistar a via pela qual se registra a inscrição da lei, dizia Lacan parafraseando Freud.

A Psicanálise freudiana destaca a diferença entre o menino e a menina e suas relações com a mãe, já que conclui que o verdadeiro incesto é entre o menino e a mãe

Isso permite dar um passo a mais no alcance do pai simbólico e dizer que o pai simbólico é o Nome do pai. É ele que mediará o desmame primário e que separará o bebê do incesto com a mãe, consequentemente intervirá sobre sua onipotência. O Nome do pai aqui é o elemento mediador dessa estrutura simbólica.

Destarte o pai simbólico e o pai real serão essenciais na assunção da função sexual viril. Para que o sujeito viva verdadeiramente o complexo de castração, é preciso que o pai real jogue o jogo. O pai deve ocupar sua função de pai castrador, em sua forma concreta, empírica, tirânica, quase degenerada, do pai primevo, assim como no mito freudiano. O pai também tem que cumprir sua função imaginária intolerável, quando se apresenta como castrador, só assim se vive o complexo de castração para o bebê e para a mãe. Portanto, essa ação sobre a relação mãe-bebê tem uma ligação direta com o Ideal do Eu. O Édipo não tem outro sentido. Não há Édipo se não há pai simbólico, real e imaginário!

 

Do desejo à identificação

Estas duas escolhas, de objeto de desejo e de identificação, se dão num golpe só e merecem esclarecimentos, já que não se dão de forma natural, nem tampouco são decorrentes da demanda da cultura, através da classificação dos gêneros, e muito menos são subordinadas à anatomia sexual.

Freud encontra os elementos para discutir a prevalência de um movimento gerado por uma posição singular de cada um na conquista de sua posição sexual, muitas vezes contrariando a influência exercida pela cultura

e pela anatomia. A eleição sexual, segundo Freud, não se dá no nível consciente e sim inconsciente, ele acrescenta que é uma eleição forçada e determinada pelo inconsciente. Com esse esclarecimento, Freud retirou completamente a possibilidade de ações pedagógicas e preventivas para desenvolver uma coerência entre o sexo anatômico, o gênero e a posição sexual inconsciente. Ele afirma que não há harmonia natural entre essas três faces da sexualidade humana. Mas isso não o faz descartar a influência da anatomia e do gênero, até mesmo como fatores que podem causar certo desconforto com a posição sexual inconsciente, por testemunharem uma desarmonia entre as três.

A eleição sexual, segundo Freud, não se dá no nível consciente e sim inconsciente. É uma eleição forçada e determinada pelo inconsciente

Sempre temos que considerar a questão do gênero, uma vez que esse significa os ideais da cultura que se transformam para o sujeito que está constituindo o seu Eu nas demandas do Outro, ou seja, o que o Outro deseja dele para que ele continue a ser amado e não odiado por este Outro? Nessa medida, levar em conta as questões que envolvem a identidade de gênero é sempre importante, não para adequar o sujeito ao que a cultura espera dele, mas para que o sujeito possa saber minimamente o que esperam dele e com isso poder se posicionar no sentido de separar a singularidade dele da universalidade do gênero.

Variações no entendimento a respeito do falo foram sempre alvo de debates entre os psicanalistas

Desconsiderar os fatores anatômicos não é um bom caminho para pensarmos na constituição da sexualidade. Existem fatores milenares que estão em ação e em mutação permanente, que não podem ser colocados de lado. Por exemplo, a pesquisadora de cromossomos sexuais Jennifer Graves, da Universidade Nacional da Austrália, disse que o cromossomo Y – responsável pela determinação do sexo no homem – está morrendo e deve desaparecer nos próximos cinco milhões de anos. E o que acontecerá depois? A cientista disse que a boa notícia é que algumas espécies de roedores – como algumas ratazanas da Europa do leste e ratos do Japão – não possuem nem cromossomo Y nem o gene SRY. O que isso nos mostra? Será que os fatores fenótipos estão modificando os homens ao longo dos anos? Sabemos que alterações afetivas e emocionais podem mudar sensivelmente, por exemplo, os níveis de hormônio masculino, a testosterona. Sabemos também que não somos uma máquina que quando fica velha joga-se fora e coloca-se outra no lugar.

 

Conquistar o signo da posição viril masculina implica necessariamente a castração

 

Logo, o desconforto revela-se pelas exigências que o ser humano sofrerá por parte dos ideais dos pais que representarão, as demandas e os ideais sociais, e, por outro lado, a limitação que os desejos sexuais sofrerão por não estarem em conformidade à sua anatomia. Por exemplo: como integrar simbolicamente a identidade sexual em mulheres que se submeteram a transformação de sexo? É que do ponto de vista

 

PARA SABER MAIS

DESEJO SIGNIFICANTE

O macho tem o órgão natural e por isso o detém como de sua propriedade. Porém sua virilidade virá do outro nesta relação entre o pai real e o pai simbólico

A questão do masculino não se esgotará no desejo como efeito maior do significante. Lacan procurou respostas sobre o gozo fálico masculino e feminino nos quantificadores lógicos de Aristóteles, e nos desdobramentos de Frege e Pierce, já que entende que a lógica é a ciência do real.

A inscrição da castração será determinante no campo do ser para determinar a noção de gozo. Até então, estávamos tratando do campo do sujeito nos desfiladeiros dos significantes e a incidência da castração simbólica sobre o desejo e não sobre o ser. Agora iremos mergulhar no que a Psicanálise pôde até então elaborar do masculino no campo do ser. Ou seja, o que é o ser masculino? Para se afirmar que há um ser masculino, Lacan propõe que há de haver uma negação forclusiva, e não uma negação discordancial. A negação forclusiva segue o princípio da contradição, e corresponde a ou é masculino, ou é feminino. A negação discordancial aceita a contradição, portanto abre um campo de indeterminação, pode ser homem e ser mulher numa mesma proposição. No campo do masculino, sabe-se que ser homem é não ser mulher e o inverso não é verdadeiro. Ser mulher não quer dizer que não seja homem, é isso que nos ensina a negação discordancial. A lógica do homem funciona desde a negação forclusiva, e daí é que se pode extrair o verdadeiro sentido do conhecimento, que quando um homem trepa com uma mulher, ele pode dizer que a conhece, ou seja, a cama é a hora da verdade para um homem, é na cama que ele conhece uma mulher ou na psicose encontra A mulher.

O ser masculino, o gozo fálico masculino, dependerá de que ao menos Um não tenha satisfeito a função fálica, ou seja, não ser castrado, há uma negação a se submeter à castração, isso quer dizer que uma porção do gozo não sofrerá a castração. Isso feito, num mesmo golpe escreve-se o Um fálico, Um do gozo fálico. Assim, essa inscrição da negação forclusiva se deu acidentalmente, possibilitando escrever o Um do gozo fálico como necessário, tomando a forma masculina, e assim podemos dizer que o gozo fálico no masculino é diferente do gozo fálico no feminino.

Tendo esses elementos em vista, podemos acompanhar Lacan na sua tentativa de encontrar uma resposta de como se dá o encontro na cama. Daí suas ironias a respeito do que é ser um homem, ao afirmar que esse só encontra a mulher na psicose, na melhor das hipóteses na loucura, e o cômico do amor entre os dois é que para amá-la ele precisa se fazer mulher naquele encontro, ao mesmo tempo, para desejá-la, ele não pode prescindir de seu instrumento ereto, na posição de homem. Assim, na cama, a fenomenologia nos ensina como o significante é o efeito maior do desejo e causa do gozo. No caso do gozo fálico no masculino, temos que a castração irá incidir na detumescência, fazendo surgir, no momento máximo do gozo do macho, sua própria queda; isso nos explica a relação no macho da angústia com o orgasmo. A perda da ereção como perda fálica se reativa sempre como desvanecimento do furo do Ser, essa experiência masculina possibilita comparar o gozo fálico à pequena morte. Essa função de desaparecimento efêmero, diretamente saboreada no gozo fálico do masculino, dá ao macho o benefício da ilusão de pura subjetividade, já que a sua ereção é causada pelo que a mulher representa para ele. É no instante mesmo do desaparecimento da tumescência que o homem pode perder de vista a presença deste terceiro, o objeto, o falo, e é porque o seu instrumento desaparece é que passa a ser, enquanto marca de uma ausência, o terceiro da relação com a parceira.

 

orgânico, ela se tornou ele, mas ainda tem orgasmos em platô de acordo com a anatomia da mulher e não em ápice como no caso do homem?

Assim, para Freud, o homem se constituirá se o complexo de castração incidir de tal maneira que o faça abandonar o prazer incestuoso com a mãe, causa do seu desejo, promovendo uma substituição por outra mulher, e ao mesmo tempo o faça se identificar com o pai. Portanto, o complexo de Édipo, na cultura ocidental, tem a função de ser o portador do complexo de castração, que introduzirá a lei universal da proibição do incesto, declinando do complexo de Édipo no menino.Para Freud e Lacan, o complexo de Édipo permite que o desejo tome a forma de desejo masculino na heterossexualidade. Lacan diz que para existir um homem é preciso que este tenha uma mãe, e o seu desejo seja orientado a partir da castração.

Portanto, as evidências clínicas mostram que no inconsciente não há homem e mulher, só existe o fálico e o castrado. Homem e mulher já são representantes que fazem parte do discurso. Lacanianamente falando são significantes. Significantes que intentam representar uma posição de gozo fálico para o masculino ou para o feminino.

 

Separação ou união
Lacan lança-se a encontrar respostas para tal questão na topologia dos nós borromeanos.

A pergunta de Lacan já é um nó! Qual será o bom nó entre os corpos? Qual será o nó que permite engatar os Uns de cada Um e fazer Nós? Como, na experiência masculina, o gozo fálico pode não ser um inibidor, um obstáculo para o homem poder gozar do corpo da mulher? A experiência dos relatos de analisantes nos ensina que, numa certa dimensão humana, há possibilidade de bons encontros e esses são marcados por uma separação dos Uns de cada Um, que ninguém é de ninguém, teoricamente: não há Outro do Outro, e que, sobretudo, numa experiência satisfatória dessa magnitude, o falo, como significado do desejo que tem o gozo como sua causa, não é de nenhum dos Uns, muito menos dos dois, mas é instrumento de engate dos corpos de cada Um, fazendo que Um corpo penetre o outro e ambos tenham uma experiência de encontro dos Uns de cada Um. Assim, o falo como significado do desejo, encarnado no pênis ereto, não é dele, uma vez que o que o produziu foi a mulher como causa de seu desejo, ou seja, como sintoma do homem, como condensadora de seu gozo. O pênis ereto elevado ao significante fálico representa o terceiro que está mediando a relação. É isso que proporciona a separação e união ao mesmo tempo do Um, do objeto causa do desejo e do Outro.

As evidências clínicas mostram que no inconsciente não há homem e mulher, só existe o fálico e o castrado

É claro que para ser homem tem que ter o registro do simbólico operando, e é por esse fato que é possível construir um significante novo com o qual o Eu se identificará como homem, já que a designação de homem é um significante que não é da ordem do natural, do gênero e sim da linguagem. Essa será a condição do desejo e do gozo para ele, uma vez que a estrutura da linguagem permitirá enquadrar o seu desejo, enquanto sujeito dividido pelo significante, e o seu gozo, enquanto objeto da pulsão na fantasia, dando um colorido de objeto causa do desejo à mulher.

Mas o fato de o homem ter um simbólico não o faz deixar de girar em círculos, pois sua estrutura é tórica. Para ele nada é impossível, o que ele não consegue fazer, ele larga. No que tange ao amor, o homem, todo-homem, se agarra no imaginário, sem um dizer sobre a verdade, já que seu gozo lhe é suficiente, esse gozo recobre tudo que ele precisa para amar, por isso não entende nada sobre o amor, diferentemente do feminino que não vai sem um dizer da verdade. Portanto, no amor o homem se apoia no imaginário enquanto a mulher no simbólico, daí que Freud diz que o homem precisa amar e a mulher precisa ser amada.

Desse modo, podemos avançar no que é possível que um homem saiba. Espera-se que ele, o todo-homem, desde que assumida a castração, saiba fazer de uma mulher o seu sintoma, saiba se virar com ela e manusear sua relação.

Por Paul Kardous é psicanalista, psicólogo, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Cursou Psicologia Clínica e Psicopatologia na Paris V Sorbonne. Atuou como professor de Psicologia do Usuário e de Comunicação e Semiótica na FAAP. Professor convidado da PUC no Cogeae. É membro da Internacional dos Fóruns do Campo Lacaniano. Autor do livro Impotência Sexual: o Real, o Simbólico e o Imaginário (Casa do Psicólogo). Coautor do livro Semiótica Psicanalítica: Clínica da Cultura, organizado por Lucia Santaella e Fani Hisgail (Editora Iluminuras)

REFERÊNCIAS

FERENCZI, S. A pipa, símbolo de ereção. In: Obras completas II

____________. Parestesias da região genital em certos casos de impotência.

FREUD, S. Sobre a tendência universal à depreciação na esfera amorosa. Obras Completas. Imago Editora.

KARDOUS, P. A Impotência Sexual: o Real, o Simbólico e o Imaginário. Editora Casa do Psicólogo.

STECKEL, W. La Impotencia en el Hombre. Ediciones Imán.

 

Fonte: http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/111/artigo342556-1.asp

 

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